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Suzano considera mercado global de celulose ‘apertado’


Fonte: Valor Econômico (19 de abril de 2022 )
Grimaldi, da Suzano: “Logística desafiadora é um dos principais fatores. O surto de covid-19 na China agravou a situação” — Foto: Anna Carolina Negri/Valor

Os preços da celulose seguem em alta no mercado internacional, com todos os reajustes anunciados para abril já implementados, em meio à piora do desequilíbrio entre oferta e demanda. E não há sinais de inflexão no curto prazo, segundo o diretor de comercial celulose e gente e gestão da Suzano, Leonardo Grimaldi. “Os fundamentos ainda estão bastante sólidos, em especial do lado da oferta”, diz o executivo.

 

Na semana passada, segundo a Fastmarkets Foex, o preço líquido da fibra curta avançou mais US$ 1,90 no mercado chinês, a US$ 783,61 por tonelada, rondando níveis históricos. Desde o início do ano, a valorização supera 35%. Na revenda, os preços da celulose de eucalipto permanecem acima dos praticados na importação, em US$ 807,04 por tonelada, segundo o BTG Pactual.

 

A celulose de fibra longa, por sua vez, era negociada a US$ 976,69 por tonelada na China, com leve queda de US$ 0,50, informou a Foex. Com isso, o spread entre os dois tipos de fibra estava em US$ 193 por tonelada, acima dos níveis normalizados, em torno de US$ 120 por tonelada. “Logística desafiadora é um dos principais fatores. Já havia desafios em 2021 e o surto de covid-19 na China agravou a situação”, afirma Grimaldi.

 

Dificuldades nas cadeias logísticas globais, concentração de paradas para manutenção em fábricas na América do Sul no primeiro trimestre, atraso na entrada em operação dos projetos da Arauco e da UPM e eventos não recorrentes, incluindo greves, têm limitado a oferta global da matéria-prima em 2022, alimentando o rali recente. Se, historicamente, as paradas não programadas em linhas de produção tiraram 700 mil toneladas de fibra por ano do mercado, em 2022 o volume pode superar as 2 milhões de toneladas anuais que deixaram de ser produzidas em 2020 e 2021.

 

Maior produtora mundial de celulose de eucalipto, a Suzano aplicou reajustes de US$ 50 a US$ 100 por tonelada a partir deste mês em todos os mercados – América do Norte, Europa e Ásia. Conforme o executivo, a companhia segue sem volumes disponíveis para ofertar no mercado à vista e viu as negociações para abril serem antecipadas por receio, dos clientes, de ficar sem as quantidades pretendidas de fibra. “Estamos focados em atender aos clientes de longa data”, diz. Apesar desse ambiente, ainda não há discussão sobre novos reajustes em maio.

 

Enquanto a oferta segue limitada, a demanda de celulose na América do Norte e na Europa continua aquecida. No mercado europeu, com a greve prolongada que fechou fábricas de papel e celulose da UPM na Finlândia, papeleiras de outros países elevaram a taxa de operação, numa tentativa de ocupar o mercado que era atendido pelos finlandeses. A guerra na Ucrânia e as sanções à Rússia, por sua vez, afetaram a oferta de celulose pela Ilim e o acesso à madeira russa, usada como matéria-prima por produtores finlandeses.

 

Na China, segue o executivo, contatos locais sugerem que os estoques de fibra de eucalipto em clientes e nos traders estão em níveis “extremamente baixos”. O ponto de atenção, contudo, está no eventual impacto da covid-19 na economia chinesa mais à frente e da guerra na Ucrânia na economia global.

 

Em relatório recente, os analistas Rafael Barcellos e Arthur Biscuola, do Santander, afirmam que os mercados de celulose devem permanecer apertados em 2022, com déficit estimado de 400 mil toneladas de fibra curta. O preço médio projetado para este ano foi revisto pelo banco, de US$ 570 por tonelada anteriormente para US$ 630 por tonelada.

 

“A demanda continua forte na Europa e, na China, o sentimento melhorou desde outubro, com os preços do papel acompanhando o recente rali da celulose”, escreveram os analistas. Gargalos nas cadeias logísticas globais também contribuem para a manutenção dos preços da fibra em patamares elevados e não há expectativa de normalização no curto prazo. “Acreditamos que um ciclo de alta prolongado da celulose é provável”, acrescentaram.


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