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Saúde mental e diversidade impactam a agenda ESG das companhias


Fonte: Valor Econômico (14 de março de 2022 )
Clique aqui para assistir – Favaretto, Lemos e Pereira ressaltam importância de ambiente acolhedor para empresas conquistarem novas gerações — Foto: Leo Pinheiro/Valor

 

A pandemia de Covid-19 e os movimentos dos investidores colocaram em xeque os modelos empresarias puramente baseados em resultados econômicos e financeiros. A sobrevivência desses modelos passa, a partir de agora, necessariamente pela inclusão de questões sociais e ambientais, diz Sonia Consiglio Favaretto, SDG Pioneer pelo Pacto Global da ONU, que participou nesta quinta-feira da Live do Valor sobre “como desbravar a questão social nas empresas”, ao lado de Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global e Francine Lemos, diretora-executiva do Sistema B Brasil.

 

“Nunca é só ambiental ou só social, uma questão nunca está separada da outra. A diferença de posição que temos agora, muito impactada pela pandemia e pelo movimento dos investidores nos últimos anos, é ver o ESG entrando mais estrategicamente nas empresas, entendendo que essa pauta tem que vir para as agendas de CEOs e Conselhos de Administração”, afirma Favaretto.

 

Na pauta social, um dos maiores desafios das empresas hoje é lidar com as questões de saúde mental, um dos temas do “Relatório de Riscos Globais”, publicado pelo Fórum Econômico Mundial. Pereira observa que no Brasil e no mundo as questões de saúde mental estão piorando exponencialmente.

 

“Tudo o que trata do trabalhador e da trabalhadora é pauta social. Em relação a outros países em desenvolvimento, Brasil está bem em segurança e saúde do trabalhador, por conta da legislação. Mas essa curva tem uma inflexão negativa na saúde mental”, afirma.

 

Para Pereira, isso é preocupante e aponta as chefias diretas como fator de maior impacto no desequilíbrio do ambiente de trabalho. Outra questão igualmente desafiadora, segundo ele, no âmbito do ‘S’, social, do ESG (sigla em inglês para ambiental, social e de governança), é a relação das empresas com a diversidade. “A questão é: até que ponto uma pessoa da comunidade LGBTQIA+ ou uma pessoa negra se sente incluída no ambiente de trabalho?”, diz.

 

Lemos reforça ainda a preocupação com o posicionamento das empresas em relação a diversidade e saúde mental. “As empresas precisam mudar para acolher e serem relevantes às novas gerações. As lideranças precisam entender seu papel na criação de ambientes mais saudáveis, porque as novas gerações estão deixando as empresas”, afirma Lemos.

 

No equilíbrio das questões sociais, um dos pontos sensíveis é a meritocracia. Lemos afirma que a meritocracia só é real quando as empresas oferecem condições para as pessoas competirem no mesmo patamar. “Quando se olha para pessoas negras, pretas, há uma questão histórica de injustiça que não as permite chegarem ao mercado de trabalho no mesmo patamar. As empresas precisam reconhecer que essas diferenças existem e tratá-las. Se não corrigirmos essa defasagem histórica e não der entrada a pessoas menos privilegiadas, será muito difícil criar um ambiente saudável”, alerta Lemos.

 

Favaretto diz que o ESG é um caminho em construção que se realiza pela dor, pelo amor ou pela inteligência. “No amor é quando um líder faz acontecer essa agenda, por convicção. Pela dor é a perda de dinheiro, o valor em bolsa por um desastre ambiental e social. Pela inteligência é entender que o mundo vai para essa direção e quanto mais rápido for, mais se diferencia. Passo a dor, espero caminhar mais pelo amor e, às vezes, pela inteligência”, diz.

 

Greenwashing
Um tópico muito comentado e combatido é o do greenwashing, a tal da “maquiagem verde”, prática em que a empresa diz que é sustentável, mas na prática age pouco ou nada. A sustentabilidade fica, então, apenas na roupagem do marketing.

 

Para Pereira, métricas, informações e cenário de hiper transparência estão apertando o cerco ao greenwashing. O diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU diz que uma das tendências de sustentabilidade é o chamado “accountability”, ou seja, a responsabilização pelos temas.

 

Segundo Pereira, os sistemas de métricas estão se disseminando, e as empresas correm riscos reputacionais quando o “ESG washing é da boca para fora”. Ele afirma ainda que 84% do valor das empresas vêm de ativos intangíveis. “Mais de 75% disso está relacionado à reputação. As empresas não estão se arriscando mais para escorregar nisso e ter problemas de reputação a ponto de afetar o valor das ações”, diz.

 

Segundo Francine Lemos, do Sistema B, a informação é a base para deixar a sociedade bem informada sobre os passos de uma empresa em relação ao ESG. Ela também ressalta o papel das certificações para garantir a veracidade das ações sustentáveis.

 

“A falta de espaço para o greenwashing está relacionada ao acesso à informação e ao amadurecimento do mercado. Outra forma de buscar as certificações que a empresa tem”, diz Lemos.

 

Sonia Favaretto pontua ainda que outra forma de verificar coerência entre o discurso e a prática das empresas em ESG são os vídeos da liderança, que podem ser acessados em redes sociais e sites da empresa. “O tom da liderança é muito importante. Entendemos muito de uma empresa a partir do que fala seu líder”, finaliza.


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