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Museu mostra importância do café para a cidade de Santos e a economia do País


Fonte: Prefeitura de Santos (22 de fevereiro de 2022 )
Foto: Francisco Arrais

 

O Museu do Café chama a atenção de quem passa pelo Centro Histórico de Santos. É um prédio imponente à altura do produto que dominou a economia brasileira entre o final do século 19 e a década de 1930. Os detalhes sobre a cultura e a história da bebida estão espalhados pelo local, que nasceu como Bolsa Oficial de Café.

Foi inaugurado em 7 de setembro de 1922 – no centenário da Independência do Brasil – e no momento em que a commoditie ainda liderava a lista das exportações. Afinal, o chamado ouro verde reinava no País e embalava o crescimento da Cidade e do Porto, que se tornaria o maior da América Latina.

 

A construção durou dois anos e os barões do Café não economizaram. O prédio em estilo eclético, com 6 mil metros quadrados, possui quatro andares erguidos com diversos materiais importados e de primeira linha. Mas apenas dois pavimentos – o térreo e o primeiro andar – estão abertos ao público atualmente.

 

A visita – que pode ser monitorada ou não – leva em torno de uma hora. Para os mais curiosos e detalhistas: as explicações dos educadores, que apresentam pitadas históricas especiais durante o passeio, valem a pena.

 

O tour pelo equipamento centenário começa pelo Salão do Pregão, o coração da Bolsa do Café. Era ali que ocorriam as negociações e se fechava o preço da saca diariamente. Os pregões foram realizados até a década de 1950, sendo transferidos para a Capital a partir daí.

 

As 70 cadeiras e mesas utilizadas pelos corretores estão preservadas, assim como o quadro onde os valores eram anotados. Todos foram confeccionados em madeira e estão entre as poucas peças criadas com material local.

 

Já o piso foi feito em mármore italiano, as luminárias são francesas e o relógio veio da Suíça, conta a educadora Juliana Alegre. “A decoração é toda feita em gesso e foi executada pela chamada Casa Mazzoni, uma empresa italiana”.

 

A ostentação sai do chão para o teto. Prepare o pescoço para admirar um imenso vitral feito pela Casa Conrado – primeiro ateliê de vitrais do Brasil, fundado pelo artesão alemão Conrado Sorgenicht, em 1889. A Casa Conrado foi a responsável por transformar a obra de Benedito Calixto, feita especialmente para a Bolsa do Café, em pinturas sobre vidro, explica Juliana. São três telas unidas, ricas em detalhes, retratando momentos distintos da história do Brasil na visão de Calixto.

 

“No centro, está a imagem de uma deusa que representaria a Mãe do Ouro. Ela entrega o metal   para que sereias o escondessem no fundo do rio. A ideia era proteger a riqueza para que não fosse parar nas mãos dos bandeirantes. Exalta ainda a natureza, mostrando a fauna e a flora no período colonial”.

 

À esquerda da tela, o destaque fica para o período imperial. “Vemos o predomínio da agricultura, destacando os vários produtos que o País produzia. Temos o açúcar que na época era escrito com dois esses e Ceres, a deusa romana da agricultura”.

 

Já na terceira parte, a referência é a República. “Comércio e a indústria nascendo. A vinda das pessoas para os grandes centros e o Porto de Santos mais desenvolvido. Ao Centro, Deus Mercúrio –   da indústria e do comércio –   e uma mulher de verde amarelo, representando a Pátria”.

 

Há ainda mais três telas de Calixto, o tríptico, retratando o crescimento e ascensão da Cidade. Tem a Fundação da Vila de Santos – 1545, resgatando o momento em que Santos deixa de ser um povoado e é elevado à condição de Vila, tendo Braz Cubas à frente.

 

A segunda tela retrata o Porto de Santos em 1822, com as pequenas embarcações para exportação de açúcar, poucas ruas e igrejas, as aves da fauna brasileira e os brasões do Brasil Colônia e do Império.

 

“A terceira apresenta o Porto de Santos um século depois, em 1922, e a gente pode perceber uma Cidade já bastante urbanizada e como o café ajudou nesse movimento. Há os armazéns. Os navios podem atracar no cais – o que não ocorria antes. E as casas se expandindo em direção à praia”, ressalta Juliana.

 

No primeiro módulo, no primeiro andar, o visitante vai conhecer a exposição intitulada Da Planta à Xícara, apresentando todas as etapas que o grão passa até ser degustado pelo brasileiro. Há desde mostras de pés de café plantados no País a máquinas para beneficiamento, objetos utilizados para a moagem e torrefação, até chegar a hora do produto ser embalado.

 

Nesse percurso, é possível se deparar com muitas curiosidades como um espaço onde são apresentados vários tipos de grãos e a classificação de acordo com graus de defeitos e impurezas. A classificação vai de 2 a 8. “O tipo 2 é o gourmet, que é o melhor café. Geralmente vai para exportação. Ele só pode ter, em uma mostra de 300 gramas, quatro pontos de defeitos ou impurezas. Já o tipo 8, mais comum no País, na mesma mostra de 300 gramas, pode ter mais de 360 pontos de defeito ou impurezas”, explica Juliana.

 

No segundo módulo, está a linha do tempo, contando a descoberta do café, na região da Etiópia, na África, por volta de 545 d.C, e todo o caminho percorrido por ele até chegar à América e fazer uma longa parada no Brasil, mudando os rumos da nossa história.

 

“O café chegou em 1727 na Guiana Francesa trazido por Francisco de Melo Palheta. Ele conseguiu mudas e veio para o Pará. Começou a plantação, mas o clima era quente e o café não se desenvolveu. Somente depois o cultivo seguiu para as regiões Sudeste e Sul”.

 

Há ainda o terceiro módulo, com a exposição Praça de Santos. Nele, estão registros de objetos e fotos de profissionais que atuavam para manter o ouro verde em expansão. “No quarto módulo, temos a exposição Artes e Ofícios, com todas as técnicas utilizadas para a construção do edifício”.

 

As mulheres também estão em destaque, embora na época a realidade fosse outra. Aqui o feminino entra em cena. “Muitas vezes, essas mulheres ficaram invisíveis. Mas elas ajudaram muito na história do café. Eram escravas, imigrantes, operárias, fazendeiras viúvas e até artistas”.

 

Para encerrar, vale dar uma espiada nos objetos que remontam à comunicação na época em que a Bolsa do Café funcionava a pleno vapor. Há aparelhos de telégrafos, telefones de vários tipos, radioamador, telex, aparelhos de fax, entre outros itens.

 

A Cafeteria do Museu é parada obrigatória depois de conhecer em detalhes a história de uma das bebidas preferidas do brasileiro e do produto que deu fama ao País no cenário mundial.

 

Localizada no andar térreo, turistas e moradores de Santos e da região podem apreciar desde o café tradicional a uma diversidade de opções que incluem cafés de várias regiões produtoras.

 

Há ainda edições especiais, versões geladas ou drinques, além de raridades como o Jacu Bird Coffee, feito com grãos retirados das fezes do jacu. O pássaro engole o grão inteiro. No estômago, o café absorve ácidos e enzimas que garantem baixa acidez e doçura média à bebida.

 

Horário de funcionamento até abril

  • De terça a sexta, das 9h às 18h
  • Segunda e domingo, das 10h às 18h

 

Atenção: A bilheteria fecha todos os dias às 17h. O Museu não abrirá nas segundas dos dias 18 e 25/4.

 

INGRESSO

Custa R$ 10,00 e meia-entrada, R$ 5,00.

 

VISITAS MONITORADAS

Terças, quartas e quintas, ao meio-dia para grupos de até 10 pessoas. Não é preciso agendamento.

 

Grupos com número maior de visitantes devem fazer o agendamento pelo site www.museudocafe.org.br.   O atendimento é às terças, quartas e quintas, às 10h, 14h e 16h. Cada turma é de, no máximo, 20 pessoas.

 

Aos finais de semana, as visitas monitoradas são às 10h, 11h, 15h e 16h.

 

O Museu do Café fica na Rua XV de Novembro, 95, Centro Histórico de Santos.


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