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Cargas de trigo paradas no Porto de Santos foram liberadas por fiscais da Agricultura, diz indústria


Fonte: Estadão (10 de janeiro de 2022 )
Fila no Porto de Santos na quarta-feira, 5. Auditores estão barrando o escoamento de vários produtos. Foto: Fernanda Luz/Estadão – 5/1/2022

 

As três cargas de trigo argentino que estavam paradas no Porto de Santos aguardando vistoria de fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura foram liberadas na tarde de ontem, informou a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) ao Estadão/Broadcast Agro.

 

Segundo a entidade, todos os processos que estavam pendentes no ministério envolvendo trigo foram aprovados. A associação estima que cerca de 100 mil toneladas estavam paradas no porto aguardando liberação para consumo no País. O produto trazido em três navios foi importado por três moinhos paulistas.

 

A normalização da operação ocorre em meio à operação “tartaruga” de fiscais federais agropecuários que se mobilizam por melhores salários. Desde dezembro, estes auditores passaram a ser mais rigorosos nos procedimentos, o que atrasa análises e dificulta despachos.

 

O deferimento da licença de importação, cedido pela pasta, estava sendo aguardado há duas semanas pelos importadores.

A preocupação agora é com a vistoria da Receita Federal, já que os auditores atuam em operação-padrão desde o dia 23 de dezembro, conforme uma fonte do setor.

 

Executivo de um moinho de São Paulo, que importou parte da carga, explica que o ministério deferiu a licença de importação do cereal que estava descarregado em silos alfandegários. O processo agora segue para a Receita Federal.

 

Assim, a liberação para o uso e comercialização do cereal dos silos ainda depende do aval dos auditores da Receita Federal. “Acredito que não haverá demora. Ainda está no tempo correto”, afirmou o executivo.

 

Atrasos nas fronteiras

A operação-padrão dos auditores da Receita Federal tem atrasado a liberação de mercadorias em parte dos portos e das fronteiras. Ontem, mais de 800 caminhões estavam parados na fronteira do Brasil com a Venezuela, em Pacaraima (RR), esperando a liberação pela Receita Federal.

 

O movimento começou após o presidente Bolsonaro anunciar em dezembro que faria uma reestruturação das carreiras policiais ligadas ao Ministério da Justiça, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. O governo chegou a reservar R$ 1,7 bilhão no Orçamento de 2022 para atender apenas as categorias de segurança que são base de apoio do seu governo.

 

A operação-padrão também prejudica a liberação de combustível importado no Porto de Santos. Milhares de litros de combustíveis se acumulam nos tanques do terminal, no litoral de São Paulo. O porto paulista é a principal porta de entrada de gasolina e óleo diesel no País.

 

Desde o dia 28 de dezembro, os produtos não estão sendo escoados porque os auditores não autorizam a comercialização.


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