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Café brasileiro tem demorado 4 meses para chegar nos EUA e problemas vão além da crise na logística marítima


Fonte: Noticias Agrícolas (7 de janeiro de 2022 )
Portos como o de Los Angeles têm visto filas de embarcações esperando para descarregar — Foto: Reuters

 

O café brasileiro que antes levava no máximo 35 dias para chegar até os Estados Unidos, está demorando, pelo menos, quatro vezes mais para chegar ao destino final. A crise logística já conhecida pelo setor, ganha ainda mais obstáculos com uma crise trabalhista nos Estados Unidos que vem afetando também a logística interna e entrega dos cafés nos armazéns.

 

Segundo Guto Rizental, trader da NuCoffee e que atua no escritório da empresa em território americano, o cenário é complexo, sem perspectiva de melhora no longo prazo. “A realidade é muito complicada, um fato que nunca tinha visto. O impacto no mercado americano é em todos os setores. Não tem como receber café, não tem como receber outras mercadorias e os problemas não devem se resolver, segundo especialistas, em menos de dois anos”, comenta.

 

Os problemas nos Estados Unidos chamam ainda mais atenção do setor, já que o país é o principal parceiro comercial do Brasil e maior consumidor mundial da bebida. Mas da fronteira para dentro, Guto explica que o cenário é ainda mais crítico e vai muito além da expressiva valorização no custo do frete marítimo e falta de espaço nos navios.

 

De acordo com o trader, a pandemia da Covid-19 impulsionou uma crise trabalhista que atinge todos os setores nos Estados Unidos. Depois de lidar com os atrasos nas entregas, há também falta de mão de obra para descarregar, assim como falta de caminhões para levar a mercadoria até os armazéns.

 

“Tem esse problema de conteineres, o importador acha que o café está chegando, mas na verdade o navio está parado no mar, é transportado para outros portos. E, além disso, quando chega não descarrega a mercadoria, acaba ficando tudo parado. Está lotado de navios parados no mar por aqui”, acrescenta.

 

Explica ainda que existe atualmente uma mobilização trabalhista muito grande nos Estados Unidos, os trabalhadores já não aceitam mais o valor da hora que é paga e isso gera os gargalos citados. Do outro lado da cadeia, Guto afirma que as empresas exportadoras já têm conhecimento desse problema e antes se conseguia comprar esse frete até o armazém na chegada da mercadoria, mas hoje quase não oferecem mais esse serviço.

 

No início da pandemia, há quase dois anos, a maior incerteza para o setor cafeeiro era em relação ao consumo da bebida mundo afora. Nos Estados Unidos e em outros polos consumidores, os números foram positivos apesar das restrições observadas mundo afora. Atualmente, é inverno no Hemisfério Norte, o que na teoria deve impulsionar ainda mais o consumo de café por lá. A condição logística, seja ela interna ou externa, preocupa a cada dia, principalmente porque não há expectativa de melhora.

 

Márcio Martins, especialista em logística na NuCoffee, destaca que a carência de navios deve continuar pelos próximos dois ou três anos. O mercado tem conhecimento de que novos navios ficam prontos dentro do prazo estimado, mas a empresa compradora de boa parte desses contêineres é responsável pela logística marítima no Oriente, o que não aliviaria o caos para o setor exportador do Brasil, por exemplo.

 

Vale lembrar que também há dois anos, muitos contêineres que estavam parados nos portos nos Estados Unidos foram destinados para descarte, já que a “estadia” por dia tinha custo significativo e o cenário era de incerteza na retomada da economia global. “O estresse é muito grande, não conseguimos acompanhar a programação de embarque. Aqui é muito mais importador do que exportador e não tem como visualizar como o mercado vai cumprir as necessidades de novos navios”, afirma Martins.

 

NO BRASIL, SETOR EXPORTADOR SEGUE DRIBLANDO OBSTÁCULOS PARA ATENDER FORTE DEMANDA 

Desde que os problemas logísticos começaram a afetar o setor cafeeiro, o Brasil passou a buscar por alternativas para buscar por soluções para problemas que dependem mais dos fatores externos.

 

Os embarques recuaram bastante no último ano e vale lembrar que refletem além da crise no setor exportador, mas produção de bienalidade baixa do Brasil.

 

Os números do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que apesar do desafio toda a cadeia vem buscando por soluções. Em relação às entregas para os Estados Unidos, os dados preliminares do Cecafé sinalizam recuo de 6,4% em 2021.

 

“No que refere aos aspectos logísticos, de fato, os portos americanos da costa oeste continuam sendo um grande desafio para as exportações de café. Para exemplificar, no final da primeira quinzena de dezembro de 2021, havia cerca de 101 embarcações aguardando janela para atracar em Los Angeles e Long Beach, com uma espera média de quase 21 dias para entrar nos portos”, afirma Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé.

 

Já com relação ao consumo, Heron destaca que o cenário continua sendo positivo, apesar do avanço de contaminação com a ômicron. “Não vejo como grande obstáculo para a demanda. Tal afirmativa se baseia na comparação dos volumes de cafés embarcados para os norte-americanos entre os anos de 2019 e 2020, que registrou o aumento de 3,3%, em pleno período de elevado índice de contaminação pela Covid-19, passando de 7,88 milhões de sacas para 8,14 milhões de sacas”, acrescenta.

 

Entre as alternativas encontrada pelo Brasil está o embarque via break bulk, ou seja em big bags, movimentação que ganhou destaque nas últimas semanas. Os embarques foi uma das formas encontradas pela Cooxupé. Antes do problema logístico se acentuar, a expectativa da Cooxupé era embarcar 7,2 milhões de sacas de 60 kg, das quais 6,5 milhões de sacas seriam de exportação, estimativas que caíram agora para embarque de 5,8 milhões de sacas, sendo 4,8 milhões de sacas ao mercado externo.

 

A Minasul, que exporta atualmente para mais de 40 países, viu os embarques atingirem apenas 85% da capacidade da cooperativa no ano de 2021. De acordo com a trader Caroline Nery confirma que um dos maiores desafios foi a entrega para os Estados Unidos e para o Canadá. “Além de todos os tópicos mencionados, alguns portos estão fechados e outros não têm capacidade de receber toda demanda do cliente”, afirma.

 

Com relação aos demais clientes da cooperativa, Nery destaca que apesar do avanço da contanimação com a Covid-19, até o momento não há maiores dificuldades em exportar para Coreia, Japão e Europa. “Dezembro foi um mês onde a Minasul conseguiu superar as expectativas em termos de exportação, estamos trabalhando para entregar nossos cafés dentro do prazo”, acrescenta.

 

PROBLEMAS LOGÍSTICOS E PREÇO EM ALTA FORÇA CONSUMO DOS ESTOQUES CERTIFICADOS

Os estoques certificados na ICE seguem registrando queda. Segundo os dados levantados pela Pharos Consultoria, até esta quarta-feira (5), a ICE contava com 1 milhão e 535 mil sacas de 60kg de café arábica. O número representa uma queda de 57.825 mil sacas nas últimas semanas.

 

ICE CAFÉ 05012021

 

De acordo com analistas Haroldo Bonfá, o volume é baixo, mas trata-se de uma realidade já esperada pelo setor diante dos gargalos logísticos e a elevação contínua dos preços na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). “Com essa alta já era esperado esse recuo. O comprador prefere pagar pelo café já está por lá do que pagar os preços atuais e ainda tem esse problema logístico”, afirma.

 

O levantamento da Pharos mostra ainda que depois de 9 meses, Honduras voltou a ser o principal fornecedor de café na ICE, o que segundo o analista também já era esperado. “O Brasil não é um país que tem tradição em fornecer café para a ICE, mas aproveitou muito bem as boas oportunidades que surgiram. O que valorizou não só o Brasil em si, mas muito o trabalho do nosso produtor”, acrescenta.

 

Origem estoques


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