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México deixará de exportar petróleo a partir de 2023


Fonte: Valor Econômico (3 de janeiro de 2022 )

O México planeja deixar de exportar petróleo em 2023 como parte da estratégia do governo de Andrés Manuel López Obrador de alcançar a autossuficiência na produção interna de combustíveis.

 

A estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) deve reduzir para menos da metade suas exportações em 2022 e prevê suprimi-las totalmente em 2023, anunciou ontem seu executivo-chefe, Octavio Romero. O plano se baseia no fortalecimento da capacidade de refino da estatal.

 

As exportações de petróleo do México, estimadas hoje em mais de um milhão de barris por dia, cairão para 435 mil no ano que vem. “Esperamos que, até 2023, 100% do petróleo mexicano seja refinado para uso em nosso país”, acrescentou Romero.

 

A autossuficiência é uma promessa feita por López Obrador na campanha eleitoral de 2018. Mas analistas avaliam como pouco provável que as refinarias do México alcancem a capacidade necessária para atender à demanda interna dentro desse prazo.

 

O coordenador de energia do Instituto Mexicano de Competitividade, Oscar Ocampo, afirmou duvidar que o plano de expansão de refino chegue a este objetivo antes dos três anos que restam do mandato de López Obrador. Ele exemplifica com o caso específico da refinaria Dos Bocas, que está sendo construída em Tabasco e é primordial para o plano de autossuficiência. “É altamente improvável que esteja concluída antes do fim do mandato do atual governo”, disse.

 

Ocampo acrescenta que as atenções deveriam ser voltadas para a situação financeira e operacional da Pemex, que tem apresentado números negativos nos últimos anos – acumulando US$ 113 bilhões em dívidas, o que a coloca como uma das petroleiras mais endividadas do mundo.

 

Além da Dos Bocas, a Pemex conta com a incorporação da Deer Park, refinaria no Texas, ao seu sistema de refino. A companhia mexicana se comprometeu a adquirir a participação de 50% da Shell Oil Company na joint venture da refinaria de Deer Park, e o governo do México espera que a transação seja concluída em janeiro.

O México é um exportador de petróleo bruto, mas importa a maior parte da gasolina e do gás natural que consome. Nos primeiros 11 meses deste ano, o país teve um déficit na comercialização de petróleo de US$ 22,4 bilhões.

 

A Pemex estima que com a aquisição da Deer Park será possível no próximo ano levar a geração do sistema de refino mexicano para 1,5 milhão de barris por dia, o que representaria mais do dobro dos 714 mil barris que foram processados neste ano, disse Romero.

 

As medidas promovidas por López Obrador se opõem a mudanças feitas por seu antecessor, Enrique Peña Nieto, que abriram as estatais de petróleo e eletricidade a um maior investimento, incluindo os primeiros contratos privados de exploração e produção de petróleo em quase oito décadas.

 

“Os mexicanos não têm capacidade de refino, não foram capazes de aumentar sua produção de combustível e o número de acidentes aumentou tremendamente nos últimos anos”, disse John Padilla, diretor da consultoria de energia IPD Latin America. “Não se abandona a exportação de petróleo a menos que ocorra uma queda significativa da produção, e isso teria consequências importantes para os detentores de títulos da Pemex. Caso isso ocorra, o México precisará absorver grande parte das dívidas da estatal.”

 

Além disso, o problema fiscal se aprofundaria ainda mais se o México deixar de exportar petróleo sem ter um plano para compensar a perda de ingresso de divisas, alertou a diretora de análise econômica do banco mexicano Base, Gabriela Siller Pagaza. “Se as essas exportações não existissem, o déficit comercial do México acumulado de 2021 seria de US$ 12,08 bilhões, o que pressionaria a peso”, acrescentou.

 

“A promessa de autossuficiência é impossível por uma razão simples: não temos capacidade suficiente de refino”, disse Rosanety Barrios, ex-funcionária do Ministério de Energia de Peña Nieto.


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