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Custo do frete do transporte aéreo de carga bate recorde


Fonte: Valor Econômico (14 de dezembro de 2021 )

O custo do transporte aéreo de carga atingiu níveis recorde ao redor do mundo, com as empresas tentando atender o aumento da demanda no período que antecede o Natal.

 

Nos últimos três meses, os preços quase dobraram nas principais rotas de frete aéreo que ligam centros manufatureiros da China aos consumidores dos Estados Unidos e Europa. Ao mesmo tempo, o setor industrial luta para conseguir aeronaves suficientes para atender a demanda.

 

Os preços nas rotas que vão de Xangai até a América do Norte chegaram a US$ 14 o quilo pela primeira vez na semana passada, acima do recorde anterior de US$ 12, alcançado quando a pandemia afetou pela primeira vez as cadeias de abastecimento no começo de 2020.

 

Houve aumentos semelhantes de Hong Kong para a Europa e EUA, e nas rotas transatlânticas entre Frankfurt e América do Norte, segundo o índice Baltic Exchange Airfreight e a TAC Freight, provedores de dados sobre transporte de carga.

 

“Todo mundo sabe que se quiser algo nas prateleiras antes do Natal, terá de usar o frete aéreo”, disse Yngve Ruud, diretor de frete aéreo global da Kuehne+Nagel, uma das maiores despachantes de fretes do mundo. 

 

 

As empresas têm transportado produtos acabados, como produtos de moda e produtos eletrônicos de consumo, por via aérea, mas também componentes que incluem autopeças e semicondutores. Também há uma corrida para solicitar testes e equipamentos de proteção individual contra a covid-19 para a Europa, para o enfrentamento da variante ômicron do coronavírus, segundo informam executivos do setor.

 

As cadeias de abastecimento sempre estiveram mais ocupadas no quarto trimestre por causa das promoções da Black Friday e das vendas de Natal, mas o aumento sazonal da demanda em 2021 acontece no momento em que o setor industrial se encontra sob imensa pressão.

 

As empresas se voltaram para o transporte aéreo de carga depois do caos que se abateu sobre a indústria naval, que enfrenta falta de contêineres e gargalos nos portos.

 

Metade das cargas aéreas normalmente é transportada em jatos de passageiros, mas muitas companhias aéreas paralisaram suas atividades durante a pandemia e, quando voltaram a voar, passaram a percorrer rotas de lazer, e não as que ligam grandes centros comerciais. A variante ômicron também ameaça interromper o tráfego de passageiros.

 

Algumas companhias aéreas passaram a dar prioridade ao transporte de cargas, fretando jatos para FedEx e DHL, resolvendo parte do problema. Mesmo assim, o setor ainda está 13% abaixo da capacidade de 2019, segundo Marco Bloemen, chefe de consultoria de carga da Seabury Consulting, um braço da Accenture.

 

O déficit acontece no momento em que a demanda aumentou 6%, levando a uma defasagem de quase 20% entre a oferta e a demanda, segundo Bloemen.

 

Mesmo a retomada das viagens transatlânticas não ajudou, porque as aeronaves de passageiros das companhias, que estavam transportando carga, voltaram a transportar passageiros. Além disso, a capacidade de armazenamento foi limitada porque os viajantes a lazer, que tendem a despachar várias malas, voltaram a circular mais rapidamente do que os viajantes a trabalho, segundo disse Ruud.

 

Os preços entre Frankfurt e a América do Norte aumentaram de US$ 3,50 para US$ 5,40 por quilo desde que o governo Biden anunciou que iria reabrir suas fronteiras aos visitantes internacionais.

 

O aeroporto de East Midlands, um grande centro de transporte de carga do Reino Unido, espera manejar 470.000 toneladas de produtos neste ano, em comparação a 370.000 antes da pandemia.

 

“As empresas que dependiam do espaço de carga dos jatos de passageiros para transportar produtos deverão continuar usando serviços de frete aéreo dedicados… até que as rotas transatlânticas de passageiros retornem aos níveis pré-pandemia”, disse Clare James, diretora-gerente do aeroporto East Midlands.

 

Com as cadeias de abastecimento sob pressão, o impacto acabará sendo sentido pelos consumidores, segundo afirma Bharat Ahir, presidente executivo da consultoria 28one, especializada em cadeias de abastecimento. “Há dois impactos claros: a disponibilidade será menor e o que você conseguir será mais caro”, disse ele.

 

(Tradução de Mario Zamarian)

 

Transporte de cargas — Foto: stock.xchng

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