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Importadores temem por aumento de imposto em híbridos e elétricos


Fonte: Valor Econômico (7 de dezembro de 2021 )

A disponibilidade de carros no Brasil anda tão abaixo da demanda que o empresário José Luiz Gandini, importador da marca Kia, mal consegue ver os veículos que chegam da Coreia. “Basta o navio encostar e o carro já vai embora”, diz. Não bastassem a escassez mundial de componentes, os cada vez mais elevados preços do frete e a alta do dólar, os importadores têm, agora, mais uma preocupação: a possibilidade de o governo elevar o Imposto de Importação de modelos híbridos e elétricos, que se transformaram numa especialidade das marcas sem fábricas no Brasil.

 

Hoje, o Imposto de Importação de modelos híbridos e elétricos vai de 0% a 4%, dependendo do nível de emissões e de economia de combustível. As alíquotas vigentes expiram no dia 31. O governo ainda não se manifestou a respeito. Nos bastidores, os importadores já ouviram integrantes da equipe econômica defenderem a elevação das alíquotas para 2% a 7%.

 

“Em ano eleitoral, vai saber a quanto o dólar pode chegar”, diz Gandini, presidente da Kia Motors no Brasil

 

O país não produz, hoje, nenhum carro 100% elétrico e apenas uma empresa, a Toyota, fabrica dois modelos híbridos. Os que defendem a elevação do imposto estariam se apoiando nessa produção local de híbridos para excluir a categoria da lista de exceções da Tarifa Externa Comum do Mercosul.

 

Se nada for feito – seja para manter ou elevar o tributo – o Imposto de Importação de híbridos e elétricos automaticamente subirá para 35%. E essa é a aflição dos importadores, principalmente os que dependem de produtos que vêm de países distantes. Desde que se tornou o importador da marca Kia, em 1993, Gandini costumava esperar, em média, 32 dias para um navio chegar da Ásia. O último lote que ele encomendou levou 96 dias.

 

Não é apenas a possibilidade de o Imposto de Importação subir que pode encarecer os carros que vêm do exterior. Frete e contêineres estão muito mais caros. Gandini depende deles para trazer da Coreia as peças utilizadas na montagem do caminhão Bongo, no Uruguai, numa fábrica que pertence à Nordex, uma montadora local e parceira do grupo brasileiro.

 

“Eu costumava pagar US$ 1,8 mil por um contêiner que traz peças para montar 5,5 caminhões. No último paguei US$ 3,8 mil e o melhor orçamento que encontrei para 2022 foi US$ 14 mil”, destaca o empresário.

 

A demanda por veículos importados mantem-se aquecida, sobretudo, pelas novidades na linha de elétricos e híbridos. Dados da Abeifa, a associação do setor, mostram aumento de 16,8% nas vendas de importados em novembro na comparação com o mesmo mês do ano passado.

 

Em geral, os importadores se especializaram em carros eletrificados não apenas porque atuam em segmentos de luxo e também porque as fábricas de onde saem a maioria desses veículos estão programadas para parar de produzir carros a combustão por volta de 2030 a 2035.

 

Com as novidades em híbridos e elétricos, Gandini faz planos para mais do que dobrar as vendas, passando de 5,5 mil em 2021 para 12 mil em 2022. Ele se programa para que os novos lançamentos sejam praticamente todos híbridos. É claro que esses planos estão condicionados à oferta de produtos e ao impacto do aumento de custos nos preços. E, como ele bem aponta, lembrando que estamos falando de um ano eleitoral: “Vai saber a quanto o dólar pode chegar…”

 

No Brasil, a indústria automobilística continua com problemas de abastecimento de componentes, principalmente semicondutores, um obstáculo que tende a se alastrar ao longo de 2022.

 

Ao divulgar seu balanço mensal, ontem, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) considerou o momento atual como “a maior crise de oferta da história do setor”.

 

A escassez de peças continua a provocar forte impacto no desempenho do setor. O mês passado, considerado o pior novembro dos últimos 16 anos, foram licenciados 173 mil veículos, o que representou uma queda de 23,1% na comparação com o mesmo mês de 2020.

 

O resultado ficou muito aquém para um mês historicamente aquecido. Em novembro de 2019 fora licenciados no país 242 mil veículos. Ao longo desses dois anos, a média diária de licenciamentos no mesmo mês caiu de 12,1 mil para 8,6 mil unidades.

 

O ritmo de produção continua prejudicado. Em novembro foram produzidas 206 mil unidades, 13,5% menos que no mesmo mês do ano passado. Foi o pior resultado para o mês desde a crise de demanda de 2015. Também pela falta de componentes, o resultado das exportações foi fraco. Foram embarcadas 28 mil unidades, queda de 36,3% na em relação a novembro de 2020.

 

Segundo a Anfavea, há muitos carros incompletos nos pátios das fábricas, à espera de itens eletrônicos. Apesar de a oferta estar muito abaixo da demanda, os volumes de produção e de venda interna acumulados no ano estão maiores do que no mesmo período de 2020.

 

Até novembro, o Brasil produziu 2,03 milhões de veículos. Isso representou aumento de 12,9% na comparação com os 11 meses de 2020. Já a quantidade de veículos licenciados alcançou 1,91 milhão, avanço de 5,4% em relação a igual período do ano passado.

 

O segmento de caminhões enfrenta menos problemas e a indústria tira proveito do mercado aquecido. Em novembro, a média diária de licenciamentos de caminhões ficou em 524 unidades, 15% acima das médias de novembro dos dois anos anteriores.


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