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Setor externo aponta contribuição negativa no ano


Fonte: Valor Econômico (3 de dezembro de 2021 )

Com queda na margem maior nas exportações do que nas importações, o setor externo contribuiu negativamente para o PIB de julho a setembro de 2021, efeito que deve se manter no fechamento do ano. Para 2022, o cenário é ainda nebuloso, com perspectiva de queda de demanda de minério de ferro pela China e, na importação, a pressão que se mostra desatrelada da absorção doméstica pode persistir pelo menos até os primeiros meses do ano que vem.

 

Segundo o economista Livio Ribeiro, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), o setor externo tirou no terceiro trimestre três pontos percentuais do PIB. Para 2021, calcula, o efeito deve ser negativo em um ponto percentual.

 

Segundo os dados do IBGE, as importações recuaram 8,3% no terceiro trimestre contra os três meses anteriores, na série com ajuste sazonal. As exportações recuaram mais, em 9,8%. Na comparação com igual trimestre do ano anterior, há crescimento, com alta de 20,6% das importações e de 4% nas exportações.

 

Numa dinâmica parecida com a comparação interanual, o que se espera, aponta Ribeiro, é que a importação termine o ano rodando também mais fortemente do que os embarques. Pelas projeções atuais do Ibre, diz ele, as exportações devem subir 7,5% em 2021 contra o ano passado enquanto as importações devem crescer 11,5%.

 

Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a dinâmica do terceiro trimestre se explica em boa parte pelo embarque de grãos. Com a quebra de safra do milho, houve menos embarques do grão acompanhada de importação para abastecimento do mercado doméstico. Já a soja teve boa parte do embarque antecipada para os dois primeiros trimestres do ano, com exportadores querendo aproveitar câmbio favorável e ainda na incerteza dos impactos da pandemia. Como os valores exportados têm sido puxados consideravelmente no decorrer do ano por preços enquanto os volumes foram importantes na importação, diz ele, o setor externo deve encerrar 2021 com contribuição negativa.

 

No futuro de curto prazo, diz Ribeiro, a perspectiva é de desaceleração das exportações brasileiras no último trimestre do ano. Isso deve atingir volumes embarcados de minério de ferro, como resultado da demanda menor da China, em razão de questões regulatórias e de reestruturação do setor siderúrgico. Esses efeitos, diz, não devem se restringir a este ano. “O início de 2022 vai carregar uma dinâmica mais negativa do que imaginávamos nas exportações porque a despeito do nível de câmbio mais depreciado, todos os sinais globais são de diminuição de demanda.”

 

Nas importações, destaca ele, há uma pressão “por fora “ em termos de volume e preços devido a eventos pontuais que têm levado a uma evolução descolada da absorção doméstica. O resultado da balança comercial de novembro, com déficit de US$ 1,3 bilhão, reflete isso. Atípico para o mês, o saldo negativo, foi muito influenciado pela importação de combustíveis, gás natural, fertilizantes e medicamentos. O balanço de riscos, diz Ribeiro, traz importações em volumes e preços que deverão ser relativamente mais fortes no último trimestre deste ano em função dessa dinâmica mais particular.

 

O Ibre projeta para 2022 alta de 1,5% nas importações e de 2% nas exportações. Com isso o setor externo deve ter efeito neutro no PIB, com viés negativo, diz Ribeiro.


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