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Mais carga para os operadores, mas há pressão de custos


Fonte: Valor Econômico (29 de outubro de 2021 )

Mesmo com um cenário econômico e sanitário adverso, os operadores logísticos registram recuperação do volume de carga transportada neste ano. No entanto, os empresários não estão satisfeitos. “Os volumes aumentaram, mas as margens de lucro continuam pressionadas devido à alta da inflação e aos diversos aumentos de custo em toda a cadeia”, diz Paulo Sarti, diretor-presidente da Penske Logistics, empresa americana que atua na área de transporte, logística e gestão da cadeia de suprimentos. “É impossível prever se o setor conseguirá repassar em suas tarifas o impacto dos aumentos de custo do diesel, por exemplo. Só neste ano foram 12 reajustes e quase 50% de aumento. “É impossível prever se o setor conseguirá repassar em suas tarifas o impacto dos aumentos de custo do diesel, por exemplo. Só neste ano foram 12 reajustes e quase 50% de aumento.”

 

Segundo Sarti, a Penske contabiliza aumento de volume de transporte de cargas em segmentos como automotivo, eletrônicos e consumo, que foram afetados em 2020. E registra um número recorde de propostas apresentadas e em desenvolvimento para esta época do ano, o que leva a projetar resultados melhores do que no ano passado. “Mas o que preocupa é a inflação e o desbalanceamento na cadeia de custos logísticos.”

 

Algumas empresas sentem mais do que outras a pressão dos custos, não conseguindo fazer os repasses ou reduzir as despesas mesmo com o aumento dos volumes transportados. “Os custos e a pandemia afetaram os resultados da FM Logistic no ano fiscal que se encerrou em 31 de março de 2021”, afirma Ronaldo Fernandes da Silva, presidente da empresa francesa no Brasil. “Registramos um faturamento global de 1,38 bilhão de euros, queda de 3,6%, afetada principalmente pela desaceleração econômica, que impactou nossos negócios em 73 milhões de euros.”

 

A partir do segundo semestre de 2020, a situação se tornou mais favorável e a empresa registrou crescimento de 1,5%. “Em uma economia turbulenta, a FM Logistic revelou-se resiliente. A prova é que assinamos 207 milhões de euros em novos contratos entre abril de 2020 e março de 2021, a maior parte relacionada aos serviços de omnichannel e e-commerce”.

 

As perspectivas para os próximos meses se mantêm positivas, diz Marcella Cunha, diretora-executiva da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol), que congrega 30 dos maiores operadores logísticos do país. É um negócio atraente, que alcança um faturamento bruto em torno de R$100,8 bilhões anuais, segundo pesquisa realizada num universo de 275 empresas. De 2018 para 2020, o setor registrou uma alta no faturamento médio por empresa de 21%.

 

As vendas on-line, que tiveram forte aumento durante a pandemia, são protagonistas da transformação da cadeia logística no país, afirma Cunha. “As vendas on-line estão consolidadas e devem manter o constante crescimento.” Em 2020, o faturamento do e-commerce cresceu 41%. No primeiro semestre de 2021, houve um avanço de 1% ante igual período do ano anterior, com o faturamento chegando a R$ 53,4 bilhões, segundo a Webshoppers (Ebit/Nielsen&Bexs Banco).

 

O volume do e-commerce aumentou, assim como a atuação dos operadores logísticos. “Antes da pandemia, estimamos que algo em torno de 25% dos operadores atendiam ao comércio eletrônico. Hoje, esse percentual praticamente dobrou desde 2020”, diz Cunha. O agronegócio foi outro nicho importante para os operadores logísticos, segundo a Abol, exigindo aumento da capacidade logística para atender produções recordes no país e vendas ao exterior.

 

A Copersucar, uma das maiores comercializadoras de açúcar e etanol do país, transportou na safra 2020/2021 cerca de 5,4 milhões de toneladas por trens e caminhões, diz Leandro Camporez, gerente de logística. Os caminhões foram responsáveis pelo transporte de mais de dois milhões de toneladas de açúcar, com mais de 50 mil viagens realizadas, entre as usinas associadas e os terminais portuários, para exportação e para os clientes no mercado interno. O transporte rodoviário é terceirizado com mais de 30 empresas parceiras.

 

Para muitos operadores, o momento é de reconfiguração das cadeias de suprimento e dos serviços logísticos. “Para minimizar as rupturas provocadas pela pandemia, as empresas clientes estão buscando novas alternativas e fornecedores para ganhar agilidade e flexibilidade nas suas cadeias logísticas”, diz Plínio Pereira, vice-presidente de operações da alemã DHL Supply Chain.

 

Modais com menor capacidade de carga, como o aéreo ou os com sérios desafios como o transporte marítimo internacional, estão recebendo mais investimentos e atenção por parte das empresas, segundo Pereira.“Nesse sentido, o posicionamento de armazéns próximos aos grandes centros, a criação de pontos estratégicos de transbordo de carga, o uso de sistemas tecnológicos mais robustos e a busca de uma maior qualidade na entrega ao consumidor final são tendências fortes no mercado e que vêm alavancando nossos negócios”, afirma Pereira.

 

Segundo ele, mesmo com o cenário instável, a operadora cresce em faturamento, novos clientes, tamanho da equipe – passou de 11 mil pessoas antes da pandemia para quase 20 mil colaboradores –, infraestrutura e frota. “No início de 2022, vamos inaugurar um novo centro de distribuição em Extrema, sul de Minas Gerais.”

 

A diversificação do portfólio de serviços logísticos e ações para ganho de escala fazem parte do planejamento estratégico de longo prazo para permitir mitigar alguns efeitos da pandemia e as pressões sobre os custos, aponta Ramon Perez de Alcaraz, CEO da JSL, uma das maiores operadoras do país, que atua também em cinco países da América do Sul, com cerca de 25 mil colaboradores, mais de 16,8 mil ativos operacionais e mais de 55 mil caminhoneiros cadastrados.

 

Entre setembro de 2020 e julho deste ano, a JSL ampliou sua atuação e oferta de serviços com a aquisição de cinco empresas – TPC, Marvel, Rodomeu, Transmoreno e Fadel. Somadas, a JSL adiciona, em números anualizados, R$ 1,7 bilhão à receita bruta, aumentando de R$ 3,4 bilhões para R$ 5,1 bilhões, mais 50%. “Isso nos dá resiliência e proteção ante as oscilações de mercado”, diz Alcaraz.

 

Ele diz que a empresa cresce em setores como alimentos e bebidas, que respondem por 22% da receita total. Entre os serviços, além de atuação no transporte de cargas, com participação de 38%, armazenagem (14%), serviços dedicados (37%), a JSL amplia a atuação em distribuição urbana, atualmente com participação de 11% na receita total. O relacionamento de longo prazo com mais de 1,3 mil clientes tem sido fundamental para o equilíbrio dos resultados. “Isso tem garantido a possibilidade de renegociação de contratos e um repasse dos custos dentro de um modelo justo para toda a cadeia de valor.”

 

Além de investir em tecnologia, automação e soluções digitais, a Sequoia é outra empresa que aposta na estratégia de fusões e aquisições para gerar maior eficiência em suas operações. “Buscamos entrar em novos segmentos de atuação, como o mercado de pequeno e médio varejista, que tem alto potencial de crescimento nos próximos anos”, diz Fernando Stucchi, CFO e IRO da Sequoia.

 

Nos dois últimos anos, a Sequoia incorporou a TexLog, Now Log Logística, TA-Transportadora Americana, Direcional Transportes, e Prime. Historicamente, segundo Stucchi, os investimentos da operadora têm sido direcionados à expansão e automação dos centros de distribuição, hubs e filiais. Desde que fez seu IPO (estreia na bolsa de valores), há um ano, a empresa adquiriu 22 novos sorters (máquinas de separação), com reflexo positivo na eficiência operacional, ampliação de capilaridade e malha atendida, e nos processos de armazenagem.

 

“Nosso objetivo é ampliar a presença em nível nacional, com expansão do número de cidades atendidas, oferecendo soluções inovadoras com alto nível de serviço”, diz Stucchi. Também fundamental na reconfiguração das cadeias logísticas, o ESG –sigla em inglês para “environmental, social and governance” (ambiental, social e governança, em português) – avança nas operadoras logísticas.

 

Na DHL, a principal iniciativa é a eletrificação da frota de veículos. A empresa conta com mais de cem veículos elétricos no Brasil e planeja dobrar este número até 2022, informa Pereira. Além disso, inaugurou em 2019 o primeiro centro de distribuição com uma usina solar na cobertura, que gera a energia consumida no local. As iniciativas estão em linha com o novo plano de ESG da matriz alemã, Deutsche Post DHL Group, que prevê investimentos de 7 bilhões de euros nos próximos dez anos visando reduzir as emissões de CO2 globalmente. O plano prevê, entre outras ações, eletrificar até 60% da frota e buscar a utilização de combustíveis alternativos.

 

Na JSL, os princípios de sustentabilidade ESG estão no centro da estratégia há tempos, segundo Alcaraz. A companhia assinou o Pacto Global em 2014, aderiu como empresa independente em 2020 para reforçar o compromisso com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e criou um comitê de sustentabilidade “para aumentar a profundidade e o foco no ecossistema da cadeias logística.” Estão em estudos medidas que ofereçam melhores opções para redução das emissões de carbono e estruturação de ações para aumento da segurança no trabalho. Além disso, pretende oferecer programas de qualificação profissional aos caminhoneiros.


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