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Entrevista: Santos Brasil quer virar “portfólio company” e arrematar mais ativos


Fonte: Mercado News (10 de setembro de 2021 )

A operadora portuária de contêineres Santos Brasil (STBP3) pretende se transformar daqui em diante em uma “portfólio company”, gerindo ativos de qualidade e com vantagens competitivas, declarou o diretor econômico-financeiro e de Relações com Investidores, Daniel Pedreira Dorea. “Já nos enxergamos como um ‘pure container player’ e, agora, começamos a escrever um novo capítulo dessa história, dentro desse conceito de gestão de portfólio”, disse o executivo.

 

A empresa, que em abril deste ano arrematou 3 terminais em leilões promovidos pelo Ministério da Infraestrutura, no Porto de Itaqui (MA), admite que continua focada em oportunidades de ampliação de seus ativos, inclusive por meio de participação em novos leilões do setor e/ou M&A (fusões e aquisições).

 

Olhando à frente, a Santos Brasil avalia que o segundo semestre de 2021 deve continuar forte, com volumes crescentes, um mix de carga balanceado e preços mais equitativos. Além disso, espera que as importações continuem crescendo com a recuperação da economia doméstica. E para 2022? Ainda otimistas, almejam iniciar a operação de 2 dos 3 terminais arrematados e preveem que o resultado continuará ascendente.

 

A seguir, leia a entrevista completa:

Mercado News – Poderia descrever a empresa para apresentá-la aos nossos leitores?

Daniel Pedreira Dorea – A Santos Brasil é uma holding de ativos portuários e logísticos, listada no Novo Mercado da B3, com faturamento superior a R$ 1,5 bilhão e market cap [capitalização de mercado] da ordem de R$ 7 bilhões. Atua nacionalmente por meio 10 terminais portuários estrategicamente localizados – sendo 3 de contêineres (Tecon Santos em SP, Tecon Imbituba em SC e Tecon Vila do Conde no PA), 1 de veículos em Santos (SP), 3 de carga geral (1 em Imbituba e 2 arrendamentos temporários em Santos, na margem direita do porto), e 3 de granéis líquidos recém arrematados em Itaqui (MA). Além disso, para ampliar a oferta de serviços e integrar a cadeia logística de nossos clientes, temos a Santos Brasil Logística, que oferece soluções completas do porto ao e-commerce aos nossos mais de 9.400 clientes.

 

Além de integrar o Novo Mercado da B3, o segmento do mais elevado padrão de governança corporativa do mercado de capitais brasileiro, é signatária do Pacto Global, da ONU, que mobiliza empresas para o avanço relacionado à sustentabilidade e faz parte do índice S&P/B3 ESG.

 

Ao longo de seus 23 anos, a Santos Brasil se destaca pela excelência na prestação de serviços portuários e de logística, elevados investimentos em infraestrutura, equipamentos, tecnologia e inovação, tendo investido mais de R$ 5 bilhões a valor presente, e com mais um importante ciclo de investimentos à frente para reforçar as suas vantagens competitivas e ampliar o seu portfólio de ativos.

 

Mercado News – A respeito da possível privatização do porto de Santos, como isso pode afetar a Santos Brasil?

Daniel Pedreira Dorea – O Brasil tem um histórico bem-sucedido de privatizações, então é razoável crer que também a iniciativa privada prestaria um bom serviço enquanto concessionário de autoridades portuárias, que são essenciais aos usuários dos portos, como dragagem. O modelo de concessão da SPA [Santos Port Authority] ainda está sendo analisado, porém o que consideramos essencial é assegurar a segurança jurídica dos atuais arrendamentos, sem qualquer risco de ruptura dos termos, direitos e obrigações já contratadas. Para que os arrendatários continuem investindo na infraestrutura portuária é necessário que haja estabilidade e previsibilidade na relação com a autoridade portuária, seja ela pública ou privada, então é crucial que a segurança jurídica seja um valor inabalável.

 

De qualquer forma, os estudos ainda estão sendo feitos e deverá haver um amplo debate com os diversos stakeholders. A informação que temos é que o governo deve abrir o modelo de desestatização do Porto de Santos para consulta pública no segundo semestre deste ano e a expectativa do governo é que o leilão possa acontecer ainda em 2022.

 

Mercado News – Como tem sido a busca da empresa por maior eficiência e soluções tecnológicas?

Daniel Pedreira Dorea – Somos muito focados em inovação para sermos o player mais eficiente e produtivo do setor. Só nos últimos 3 anos a empresa investiu mais de R$ 420 milhões na ampliação e modernização do Tecon Santos. Esse valor vai ultrapassar os R$ 500 milhões até o fim de 2021. Além das obras civis, que devem ser concluídas neste ano, temos investido em sistemas e tecnologias de ponta que nos dão ganho de produtividade, além de buscarmos melhoria contínua a partir de ferramentas como lean manufactoring, 6 Sigma, A3, kaizen. Além disso, usamos muitos algoritmos com inteligência artificial para melhor planejar e controlar a operação, garantindo um padrão de excelência em qualquer unidade operada pela Santos Brasil.

 

Mercado News – Como a Santos Brasil enxerga essa maior diversidade de modais no Brasil, com avanço de hidrovia e ferrovia, reduzindo a dependência do modal rodoviário? Há oportunidades de negócios?

Daniel Pedreira Dorea – Os países mais desenvolvidos em termos de infraestrutura logística operam sob diversos modais, sem dependência de um único modal de transporte. E, no caso do Brasil, um País de dimensão continental, com características naturais singulares (como grandes rios navegáveis, por exemplo), faz todo sentido econômico a expansão de hidrovias e ferrovias para transportar volumes elevados por longas distâncias, o que inclusive é mais seguro e sustentável. O nosso foco por ora está em ativos portuários e logísticos, porém, se pensarmos bem, os nossos terminais estão conectados a múltiplos modais, porque recebemos navios, trens e caminhões para retirar as cargas movimentadas e armazenadas pela Santos Brasil.

 

Mercado News – O que vem sendo destaque no ano em termos de produtos tanto em importações quanto em exportações? E quais as perspectivas?

Daniel Pedreira Dorea – No fluxo de importação, o destaque são os setores de autopeças, produtos químicos, fármacos e bens de consumo em geral, como vestuário e eletrônicos. Já as exportações via contêineres os principais itens são açúcar, café, carnes e aves congeladas.

 

As perspectivas são de que o mix de carga continue equilibrado entre exportação e importação, com chances das importações continuarem crescendo com a recuperação da economia doméstica.

 

Mercado News – A empresa tem algum movimento de fusão ou aquisição no radar?

Daniel Pedreira Dorea – A empresa está capitalizada e, inclusive, fez um follow-on em setembro de 2020, quando captou cerca de R$ 800 milhões na Bolsa. O objetivo é de justamente expandir os negócios da companhia no setor portuário e, também, reforçar a presença da Santos Brasil Logística, oferecendo serviços logísticos integrados, como entreposto aduaneiro, distribuição de bens e produtos, cross-docking, picking, packing, dentre outros. Em abril deste ano, nos sagramos vitoriosos em 3 leilões promovidos pelo Ministério da Infraestrutura, quando arrematamos 3 terminais destinados à movimentação de granéis líquidos no Porto de Itaqui (MA) e onde investiremos algo da ordem de R$ 600 milhões.

 

Além disso, continuamos estudando e analisando a nossa participação em outros leilões portuários, assim como não descartamos oportunidades de M&A nos segmentos de atuação da companhia. A Santos Brasil continuará crescendo organicamente, porém, inorganicamente (M&A), enxergamos alguns ativos selecionados que nos permitiriam acelerar a expansão do nosso portfólio a partir da alocação desse capital excedente.

 

Mercado News – A empresa está conversando com a Rumo para algum tipo de união de operações portuárias, joint venture?

Daniel Pedreira Dorea – Não temos nada vinculante com relação à Rumo. Nenhum evento novo em adição ao comunicado ao mercado divulgado em 01.07.2021.

 

Mercado News – Qual o principal objetivo da empresa em 2021 e 2022? Qual será a meta daqui para frente? 

Daniel Pedreira Dorea – Em 2021, o nosso principal objetivo era entregar um crescimento forte, de elevado incremento no resultado financeiro e recomposição de margens. Fazendo um balanço dos primeiros 6 meses do ano, conseguimos entregar o que nos propusemos, toada que deve continuar pelos próximos 6 meses. Para 2022, acreditamos que organicamente o resultado continuará ascendente, inclusive almejamos já iniciar a operação de 2 dos 3 terminais de granéis líquidos em Itaqui (MA), arrematados em abril. Além disso, continuaremos focados em oportunidades de ampliação do nosso portfólio de ativos, inclusive por meio de participação em novos leilões do setor e/ou M&A.

 

Mercado News – Como você enxerga a atuação da empresa no País daqui a 5 anos?

Daniel Pedreira Dorea – A nossa visão é de transformar a Santos Brasil numa “portfólio company” do setor portuário, gerindo ativos de qualidade, com claras vantagens competitivas, em qualquer segmento portuário e logístico. Já nos enxergamos como um “pure container player” e, agora, começamos a escrever um novo capítulo dessa história, dentro desse conceito de gestão de portfólio. Temos um time altamente capacitado e motivado, uma reconhecida excelência operacional e acesso a capital. Temos que ser disciplinados na alocação desse capital, selecionando bons ativos, a fim de criar mais valor para os nossos investidores e demais stakeholders.

 

Mercado News – O Tecon Santos recentemente bateu recorde de movimentação, como vocês enxergam o segundo semestre com a retomada econômica mais forte?

Daniel Pedreira Dorea – O segundo semestre de 2021 deve continuar forte, com volumes crescentes, um mix de carga balanceado, inclusive com um bom fluxo de importação, e preços mais equitativos. O impacto é positivo para a companhia, inclusive já refletido no guidance divulgado ao mercado, que aponta para um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) entre R$ 530 e R$ 580 milhões para o exercício em curso.

 

Mercado News – O que representa para a Santos Brasil o novo acordo comercial com a Maersk no Tecon Santos?

Daniel Pedreira Dorea – Para nós, representa a continuidade de uma parceria comercial sólida, de décadas, com um cliente que estimamos bastante. Espero que continue por muitos anos mais. Em abril, quando renovamos o contrato com a Maersk por mais 2 anos, alcançamos um patamar contratual mais equilibrado, com uma remuneração mais equânime frente à qualidade do serviço prestado, cuja recomposição de preço permitirá que a empresa continue investindo e ampliando o nível de serviço ofertado.


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