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Atos de caminhoneiros perdem fôlego e bloqueios terminam


Fonte: Valor Econômico (10 de setembro de 2021 )
Depois de reunião com Bolsonaro, caminhoneiros atacam Supremo e pressionam por encontro com Rodrigo Pacheco — Foto: Sandro Pereira/Fotoarena/Agência O Globo

 

Os protestos de caminhoneiros perderam força e, até a noite de ontem, não havia mais bloqueios em rodovias federais. Lideranças da categoria se reuniram ontem com o presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, e desde então foram registradas apenas manifestações em dez Estados e atos isolados em outros quatro Estados.

 

Segundo dados do Ministério da Integração divulgados às 20h30, a região Sul concentrou mais da metade dos protestos. Até a noite de ontem, foram registradas manifestações em Rondônia, Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins.

 

Insuflados pelos ataques do presidente da República a ministros do Supremo Tribunal Federal, lideranças de caminhoneiros se reuniram por cerca de três horas com Bolsonaro, depois de articularem por dois dias seguidos bloqueios em rodovias, e afirmaram que o alvo dos protestos é o STF.

 

Aliados de Bolsonaro, os caminhoneiros pressionaram por um encontro com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e ameaçaram fazer novas manifestações caso não sejam recebidos pelo senador.

 

Depois da reunião com Bolsonaro, as lideranças afirmaram que não receberam do presidente o pedido para que cessassem as paralisações e bloqueios em rodovias de diversos Estados e na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, e os deputados Carla Zambelli (PSL-SP) e Vitor Hugo (PSL-GO) participaram da conversa. Após o encontro, as lideranças afirmaram que os protestos não estão relacionados com o preço dos combustíveis e reforçaram o apoio ao presidente.

 

Um dos caminhoneiros, Francisco Dalmora Burgadt, se identificou como “Chico Caminhoneiro” e foi candidato a vereador em Canoinhas (SC), em 2020. “Estamos aguardando ser recebidos pelo senador Rodrigo Pacheco. Até que isso seja realizado, estaremos mobilizados.”

 

Questionado sobre qual é a pauta, Burgadt disse que “é uma coisa que está sendo elaborada”, mas afirmou que o preço dos combustíveis não está entre as reivindicações. “Não, não temos nada com relação a preço do combustível neste momento”, disse o caminhoneiro à imprensa.

 

Na noite de quarta-feira, no primeiro dia dos protestos, Bolsonaro divulgou um áudio pedindo aos caminhoneiros que desfizessem os bloqueios. A gravação foi recebida com desconfiança pelas lideranças, que não acreditaram na veracidade. O ministro da Infraestrutura gravou um vídeo confirmando que a declaração era mesmo de Bolsonaro e fez um apelo pelo fim dos protestos nas rodovias, para não prejudicar a economia. No encontro de ontem, no entanto, os caminhoneiros disseram que Bolsonaro não repetiu o apelo.

 

Outro caminhoneiro a falar com a imprensa foi Cleomar José Immich, de Sinop (MT), que reforçou que a pauta da categoria “é o STF” e insistiu em um encontro com o presidente do Senado.

 

“A nossa pauta nunca foi com o presidente. A nossa pauta sempre foi STF via Senado. O Senado teria a obrigação de atender e tentar resolver a nossa questão. A insatisfação do povo brasileiro com o Judiciário, seria isso”, afirmou.

 

Immich queixou-se que o Executivo foi único poder que lhes “abriu as portas e recebeu”. “Nossa pauta é contra o STF. Queremos que todas as forças, todos os poderes políticos trabalhem dentro da Constituição”, afirmou.

 

Em Brasília, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que negociou a retirada “pacífica” dos manifestantes que estacionaram caminhões na Esplanada dos Ministérios.

 

“Estamos tentando fazer tudo através do convencimento”, disse. Segundo Ibaneis, “vários caminhões” que estavam no local “foram multados várias vezes”.

 

Segundo a Secretaria de Segurança do DF, o policiamento na Esplanada está reforçado desde domingo, quando aconteceram os atos de 7 de setembro. Na segunda-feira, porém, a Polícia Militar cedeu e os manifestantes invadiram o local.

 

O movimento causou tensão no STF, que temeu que o prédio da Corte fosse atacado. Após o 7 de setembro, cerca de 200 pessoas e dezenas de caminhões continuaram no local. Na quarta-feira, houve tensão com a possibilidade de invasão do Congresso e do Supremo. Segundo um integrante da equipe de segurança da Corte, a pauta dos manifestantes mobilizados na Esplanada não é factível, o que dificulta a negociação: eles pedem a destituição de todos os ministros do STF e o voto impresso.

 

Com os bloqueios nas rodovias em apoio a Bolsonaro e contra o STF, a avaliação do Supremo é a de que não há clima político para julgar as ações sobre o tabelamento do frete.

 

O presidente do tribunal, ministro Luiz Fux, tem dito a interlocutores que vê no Supremo uma tendência a decidir a favor do mercado, ou seja, contra o preço mínimo do frete – cenário que poderia gerar mais revolta na categoria, especialmente em meio a um contexto político beligerante no país.

 

Para Fux, relator das três ações sobre o tabelamento do frete, o mais prudente, em nome da estabilidade institucional, é deixar os processos em banho-maria até que o momento seja mais propício para esse tipo de discussão. O julgamento chegou a ser marcado para fevereiro de 2020, mas foi retirado de pauta para uma última tentativa de consenso.

 

O ministro designou uma audiência de conciliação entre governo, caminhoneiros e empresários, que foi adiada em razão da pandemia. No despacho, Fux diz que uma nova data seria designada oportunamente, mas isso não ocorreu.

 

Com a demora, associações têm pedido para que a mediação seja deixada de lado e o caso vá a julgamento. A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) escreveu ao STF dizendo que a nova rodada de negociações é desnecessária.


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