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“Concessionário privado precisará de todas oportunidades possíveis”, avalia Biral


Fonte: SINDAPORT (31 de agosto de 2021 )
Fernando Biral. Foto: Divulgação

 

O diretor-presidente da Santos Port Authority (SPA), Fernando Biral, disse que, após os próximos leilões, Santos estará praticamente com 100% de ocupação. Durante a Santos Export, ele ressaltou que o desafio atual é como desenvolver a área do fundo do canal do maior porto da América Latina, que deverá ser passada, provavelmente, ao futuro concessionário após a desestatização.

 

“O concessionário privado fazendo planejamento precisará de todas oportunidades possíveis. Temos motivos de ser otimistas de que a expansão do canal será bem feita porque o concessionário privado terá interesse de desenvolver áreas, remunerando capital”, analisou, no painel ‘PDZ e clusterização do Porto de Santos’. O modelo a ser divulgado, segundo Biral, deverá apresentar a necessidade de novos investimentos a fim de evitar o estrangulamento da capacidade no porto. “Quando a capacidade se aproximar de determinado nível, o concessionário terá que materializar uma nova área de forma não haver estrangulamento. O planejamento terá que ser muito bem feito”, acrescentou.

 

Biral disse que a clusterização no atual desenho do plano de desenvolvimento e zoneamento (PDZ) representou um avanço. Ele acredita que a atividade no mundo caminha para ter autoridades portuárias privadas, a exemplo do Porto de Mundra, na Índia — um porto privado multipropósito que, em 20 anos, já movimenta mais de 200 milhões de toneladas. “Podemos ter convivência com o privado. O setor portuário nasceu de tradição estatal, mas temos formas inteligentes de fazer contrato das atividades”, avaliou.

 

Para Biral, Santos caminha para um ecossistema portuário com a figura do landlord, como desenvolvedor das áreas e gestor da infraestrutura, e protagonismo cada vez maior do capital privado. Ele acredita que a verticalização da carga obriga a repensar toda a questão de interesses. O presidente da SPA entende que o porto não pode ser um entrave para cadeias verticalizadas e que esse ecossistema precisará de mais interação entre privado, dono da carga, terminais, governo e agência reguladora.

 

O ex-diretor da Antaq e conselheiro nacional do Brasil Export, Mário Povia, considerou que o movimento para desestatização, do ponto de vista fático, e não ideológico, parece ser o melhor modelo de governança atualmente para a autoridade portuária, diante de tantos controles. Ele disse que os portos organizados concorrem com terminais privados, mas com desigualdade de condição. “É remota a possibilidade de legislação que coloque empresas públicas em condições de ir ao mercado em igualdade de competição [com privados]”, analisou.

 

O engenheiro, economista e consultor da Katalysis, Frederico Bussinger, considera que, historicamente, é difícil prever qual será o nível de crescimento do porto. Ele destacou que a movimentação portuária cresceu durante a pandemia com o superciclo de commodities. Bussinger disse que, para pensar no futuro do Porto de Santos, é preciso reconhecer que é um porto de, no mínimo, três municípios. Ele observa que, ao longo do tempo, a poligonal foi diminuindo e hoje ela é menos da metade da área do estuário como um todo. Para o consultor, o porto cada vez mais gera informação e tecnologia, o que faz pensar e planejar o porto, por meio de um conjunto de fluxos e capacidade do porto. “Nossos planos não dão resposta para isso. Nossos portos tratam em geral do fluxo de cargas pelo lado da demanda, algumas vezes pelo lado da oferta e ficamos nisso”, disse.

 

Bussinger vê como questão-chave para o Porto de Santos resolver a articulação porto-ferrovia, o que passa pela ferradura e pela renovação do contrato da MRS. Ele disse que o PDZ já era limitado porque tratava da poligonal e só abordava a intermodalidade pelo lado da demanda. Ele defende que o PDZ deve estabelecer as soluções de como executar para ser um plano efetivo, o que passa por tecnologia, capacidade industrial e produtiva, capital humano, capacidade de articular serviços e governança. “Com a poligonal diminuindo como aconteceu progressivamente nos últimos 25 anos, no meu entendimento, o PDZ perdeu sentido”, afirmou Bussinger.

 

Ele apontou a necessidade do plano mestre para se pensar no complexo portuário. Bussinger sugeriu esquecer o PDZ e tocar exclusivamente o plano mestre. “O plano mestre é a oportunidade que a comunidade portuária tem de pactuar entre atores. Esse plano mestre precisa refletir o impacto entre comunidade portuária e stakeholders da Baixada Santista”, afirmou.

 

O diretor técnico da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, acredita na eficiência da gestão privada. Para Resende, o Brasil precisa caminhar na direção da parceria entre setor público e privado, e não de confronto. “O futuro de Santos é o que queremos para o Brasil. Na hora de deixar de seguir e liderar, procuramos mirar exemplos externos, sem reconhecer nossas realidades. O complexo portuário tem limitação física, que não adianta lutarmos contra ela”, analisou.

 

Fonte: Portos e Navios


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