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Painel debate melhorias nos acessos para impulsionar competitividade do Porto


Fonte: Santaportal (25 de agosto de 2021 )
Foto: Yasmin Braga/Santa Cecília TV

 

O último painel do Santos Export 2021 destacou a necessidade de investimentos nos acessos rodoviários, ferroviários e aquaviários para modernizar e aumentar a competitividade do Porto de Santos. O debate contou com a apresentação de Flávio da Rocha Costa, conselheiro do Santos Export, e a moderação de Angelino Caputo, conselheiro nacional do Brasil Export.

 

Caputo chamou os debatedores para falar sobre as melhorias que precisam ser feitas para a modernização do Porto. “A carga precisa chegar e sair do Porto com rapidez e eficiência, mas o que vai permitir isso são os acessos, ferroviário, rodoviário e aquaviário. Os investimentos são necessários, mas também precisamos de melhoria nos processos”, afirmou.

 

Na sequência, os debatedores Cláudio Loureiro, diretor-executivo do Centronave; Fernando Paes, diretor-executivo da Agência Nacional de Transportes Ferroviários e Rui Klein, diretor de concessões rodoviárias do Grupo EcoRodovias.

 

Loureiro destacou que um aumento de dragagem para receber navios de maior porte é fundamental, porém essa melhoria precisa ser acompanhada de outros investimentos em infraestrutura. “Podemos ter um ganho de produtividade explorando bem todos os ativos. Podemos aumentar o calado, com uma profundidade e qualidade melhores dos canais de acesso. Podemos ter um canal perfeito, mas de nada adianta se tivermos um acesso ferroviário ou rodoviário ruim. Se não melhorarmos em todos os modais, a nossa produção pode escorrer entre os dedos. O Porto vai passar por uma concessão de 35 anos, que não é nenhuma brincadeira. Precisamos trabalhar muito nos acessos aquaviários, mas não podemos esquecer da importância de melhorias nos acessos terrestres”, disse.

 

Fernando Paes, por sua vez, mostrou otimismo sobre a adequação da malha ferroviário ao avanço do Porto, que deve passar por um processo de desestatização até o ano que vem. “O setor ferroviário nunca teve um momento tão virtuoso quanto agora. As empresas estão investindo, estamos preparados para viabilizar os acessos ferroviários aos portos, principalmente ao de Santos. Hoje o transporte ferroviário já tem papel significativo no transporte de grãos, com mais de 90% da soja chegando por esse modal. O nosso grande desafio está no transporte de contêineres pelas ferrovias”, comentou.

 

Já Rui Klein falou sobre as propostas de mobilidade urbana para o Porto. Ele falou sobre os projetos para a construção de uma terceira pista da Rodovia dos Imigrantes e a ligação seca entre Santos e Guarujá.

 

“A ligação seca está em pauta. Apresentamos um projeto ao ministro da Infraestrutura (Tarcísio Gomes Freitas) e para a SPA, que estão procurando essa solução. Tivemos muitos avanços, mas entendemos que a questão do transporte de cargas é fundamental. Por isso, a terceira pista da Imigrantes, com essa ligação Planalto-Baixada, poderia desafogar outros gargalos. A questão da ligação seca entre Santos e Guarujá também está sendo debatida, é uma discussão que está sendo amadurecida. Não tenho dúvidas de que são projetos que vão garantir o crescimento do Porto de Santos durante décadas”, concluiu.

 

No primeiro dia do Santos Export, que aconteceu em Guarujá, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou que a privatização do Porto de Santos deve atrair R$ 16 bilhões em investimentos nos próximos anos. Para o ministro, a desestatização vai resolver problemas históricos, como o acesso com dragagem de afundamento.

 

“O porto passa a ser extremamente competitivo, e ele tem tudo para se tornar não só o maior da América Latina, mas também do hemisfério sul”.

 

Além do aumento da competitividade, a previsão é que esses investimentos também sejam destinados ao aprofundamento do calado, serviço de dragagem e à ligação seca de Santos e Guarujá.

 

O Porto de Santos conta com 55 terminais portuários, sendo seis já privatizados. O cronograma prevê que a desestatização do porto comece ainda este ano.

 

“A gente deve concluir os estudos agora no mês de setembro, para que a gente possa abrir a consulta pública em outubro. Janeiro ou fevereiro do ano que vem a gente conclui a primeira consulta, abre uma outra consulta. Depois, lá para meados do ano, a gente vai ter o processo aprovado pelo Tribunal de Contas, publicar o edital, e o leilão esperado para o final do ano, entre outubro e novembro do ano que vem”, disse o secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni.

 

Preocupação com a área urbana pós desestatização
O secretário também falou sobre os projetos para a expansão do Porto de Santos. De acordo com ele, existe espaço para isso sem prejudicar a área urbana da cidade.

 

“Nós temos que investir em tecnologia, equipamento, aumento de capacidade na área existente do porto. Então, quando a gente vai falar de canal de acesso, que é o principal ativo do porto organizado, a gente tem que falar de um aprofundamento do canal para que a gente possa recepcionar embarcações de maior calado, de maior capacidade, e com isso a gente ganha capacidade mesmo sem expandir áreas”.

 

Piloni afirma ainda que, além disso, tem a previsão de áreas de expansão do porto, principalmente na Ilha de Bagres e no Largo do Caneu.

 

“A gente está falando de algo em torno de 6 milhões de metros quadrados, de área ainda passiva de expansão do porto. E isso é importante porque, em um contrato de 35 anos, nós temos que pensar também que pode haver a necessidade dessas expansões”.

 

O presidente da Santos Port Authority (SPA), Fernando Biral, reforçou a disputa intensa nos leilões portuários.

 

“Nós estamos planejando sete leilões portuários, são as últimas áreas daqui de Santos, então a gente vai ter uma intensa disputa. Temos a Fips (Ferrovia Interna do Porto de Santos), que deve entrar em funcionamento e vai injetar R$ 1,8 bilhão de investimentos em acessos rodo-ferroviários. Estamos preparando a empresa também para estar completamente pronta para a desestatização, completamente saneada. A ideia é continuar batendo recordes, continuar movimentando cada vez mais, e estamos muito confiantes nisso”.

 

Sobre a questão dos trabalhadores, Biral reforçou que não haverá grandes mudanças. “Todos os funcionários serão transferidos para a autoridade portuária privada. A companhia permanece a mesma, mesmo CNPJ, então eles continuam trabalhando normalmente. Agora, os trabalhadores do OGMO, eles hoje prestam serviço para os terminais, e isso não vai mudar em nada”.

 

Por fim, o diretor de Assuntos Portuários do Sistema Santa Cecília de Comunicação, Casemiro Tércio, ressaltou a importância de discutir esse marco para o Porto de Santos.

 

“Tem sido um espaço de discussão sobre os temas, principalmente de desestatização do Porto de Santos, os riscos envolvidos, as preocupações dos operadores portuários, de toda a comunidade portuária. E como essa comunidade pode contribuir para melhorar o processo e modelar essa desestatização”.


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