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Maersk terá navios a metanol no transporte de contêineres


Fonte: Valor Econômico (25 de agosto de 2021 )

A Maersk está dando seu maior passo até agora para reduzir as emissões de carbono no setor de transporte marítimo, com uma encomenda de oito embarcações capazes de levar 16 mil contêineres cada, que podem usar tanto o combustível tradicional quanto o metanol “verde”.

 

É a primeira encomenda em seis anos do grupo dinamarquês, maior linha de transporte de contêineres do mundo. Apesar da alta nos preços dos fretes, a Maersk destacou que os novos navios serão usados para substituir antigos e não para ampliar a capacidade de transporte da empresa.

 

A Maersk espera receber os oito navios da Hyundai Heavy Industries, a partir do início de 2024, com opção de outros quatro no ano seguinte, o que a torna a primeira empresa de transporte marítimo de contêineres a encomendar embarcações neutras em carbono de grande porte, capazes de navegar da China à Europa, e atravessar o Pacífico. Em fevereiro, a empresa já havia encomendado um navio neutro em carbono, mas de menor tamanho. Cada embarcação custa cerca de US$ 175 milhões, cerca de 10% a 15% a mais do que um navio tradicional.

 

O metanol neutro em carbono custa o dobro do que o combustível tradicional, mas executivos da Maersk acreditam que clientes como a Amazon e a H&M estão dispostas a pagar mais pelo transporte verde. “Estamos gastando nosso dinheiro no que prometemos. Realmente nos sentimos seguros o suficiente com a tecnologia existente para encomendar esta série de navios”, disse Henriette Hallberg Thygesen, chefe de frota e marcas estratégicas da Maersk, ao “Financial Times”.

 

A empresa havia anunciado em 2018 que precisava de navios neutros em carbono em 2030 para atingir sua meta de neutralidade na emissão até 2050, levando em conta o ciclo de vida de cada navio, de 20 a 25 anos.

 

Nos últimos anos, houve grandes avanços tecnológicos nos estaleiros e, agora, o grupo dinamarquês pretende encomendar apenas navios bicombustíveis ou exclusivamente movidos tecnologias de combustíveis verdes, inclusive as embarcações com capacidade para mais de 20 mil contêineres.

 

Henriette disse que o maior desafio é garantir um fornecimento de metanol verde suficiente para as embarcações. “Precisamos de uma elevação significativa na produção. Realmente sentimos que tem sido muito [um cenário] de o ovo ou a galinha. Então, achamos que fazendo este anúncio podemos quebrar esse ciclo”, acrescentou.

 

A Maersk não fazia encomendas de embarcações grandes desde 2015, quando saiu da crise financeira e comprou alguns dos maiores navios feitos no mundo, embora tenha exercido opção para comprar mais dois navios em 2017.

 

Outras empresas do setor vêm se apressando para fazer encomendas, diante da disparada do preço dos fretes e da falta de embarcações para atender a grande demanda observada depois dos lockdowns pela covid-19 em 2020, embora a construção possa levar vários anos.

 

“Todos adoraríamos ter mais capacidade hoje, para que pudéssemos aliviar parte do golpe que os clientes estão sentindo. Mas isso não se soluciona encomendando navios no curto prazo”, disse Henriette.

 

Ela acrescentou que a Maersk tem a “clara ambição” de que os novos navios funcionem unicamente com metanol verde, o que permitiria substituir a emissão de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono por ano, mas que optaram pela tecnologia bicombustível como “mitigação de risco”.

 

“As embarcações durarão de 20 a 25 anos. Ainda não sabemos qual será a tecnologia que predominará”, disse. Alguns críticos argumentam que o metanol verde faz pouco sentido porque, em vez de permitir o sequestro dos gases causadores do efeito estufa, consiste em que o gás carbônico seja primeiro absorvido na produção e, depois, emitido novamente quando queimado.

 

Na semana passada, a Maersk informou que o metanol verde para a embarcação menor virá de fontes renováveis e de CO2 biogênico, ou seja, de fontes naturais.


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