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Surto de covid-19 já afeta comércio exterior da China


Fonte: Valor Econômico (9 de agosto de 2021 )

O novo surto de covid-19 na China já está afetando o comércio exterior do país. As exportações e importações chinesas perderam impulso em julho, o que aponta para um enfraquecimento do consumo e da produção industrial. E esse impacto deve se agravar nos próximos meses.

 

As exportações chinesas aumentaram 19,3% em julho, em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados no sábado. Isso ficou abaixo da expectativa de analistas. E bem abaixo da expansão de junho, que havia sido de 32,2%.

 

Já as importações chinesas subiram 28,1% em julho, também abaixo das projeções de economistas e da expansão de 36,7% registrada em junho. Nos últimos meses, vem caindo a demanda por minério de ferro, um insumo fundamental da siderurgia.

 

Apesar de ainda sinalizarem crescimento, esses dados se comparam com alguns dos piores meses do ano passado, quando a epidemia de covid-19 reduziu bruscamente o comércio internacional em todo o mundo. Ou seja, a base de comparação é baixa.

 

A China vinha registrando uma retomada mais forte de seu comércio exterior nos últimos meses, impulsionada principalmente pela melhora na demanda do Ocidente, onde a reabertura das economias gerou uma forte aumento do consumo. A demanda interna chinesa está se recuperando mais lentamente.

 

A economia chinesa vinha numa recuperação muito forte após o abalo da pandemia, no começo do ano passado. O país tinha conseguido controlar a disseminação da doença e sair mais cedo da crise econômica causada pela covid-19.

 

Mas um novo surto de que começou em julho vem causando problemas de produção e de logística na China, o que está afetando a economia como um todo.

 

Esse surto está sendo causado pela variante delta, mais transmissível, que conseguiu superar o rígido sistema de controle chinês.

 

Para enfrentar esse surto, que atingiu dezenas de cidades e prejudicou a produção de fábricas e o funcionamento de portos importantes no país, o governo adorou uma série de medidas de restrição. Colocou milhões de pessoas em lockdowns nas áreas mais afetadas, paralisou a atividade de empresas, restringiu fortemente o transporte de e para essas regiões, ampliou as retrições para o deslocamento de pessoas e fez testagem em massa.

 

Os dados de novos casos são baixos ainda, se comparados a outros países, mas bem acima do que a política de tolerância zero da China vinha conseguindo registrar. Ontem o governo relatou 96 casos sintomáticos (a medida usada pelo país, que conta separadamente os casos assintomáticos), contra 107 casos do dia anterior. Mas no começo de junho, o número de casos diários estava abaixo de 20. E chama a atenção no surto atual a abrangência.

 

Enchentes e episódios de mau tempo sazonais também afetaram, no mês passado, a produção industrial de algumas regiões, como a China central.

 

“A pandemia também se agravou em outros países em desenvolvimento da Ásia, o que pode ter levado a um remanejamento do comércio em direção à China. Mas os indicadores de tendências econômicas sugerem que as exportações poderão perder força nos próximos meses”, disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management.

 

Surtos de casos de covid-19 nas províncias do leste e do sul da China, os principais polos exportadores do país, comprometeram a produção industrial.

 

Ao lado dos obstáculos impostos pelos esforços para conter a propagação da variante delta, os exportadores chinesas também enfrentaram dificuldades com os problemas atuais de escassez mundial de semicondutores, gargalos de logística e a alta dos custos de matérias-primas e do frete.

 

“Embora as encomendas estejam se recuperando, o segundo semestre do ano terá muitas incertezas, como qual será a evolução da epidemia e do custo das matérias-primas. E, ao mesmo tempo, a capacidade de produção no exterior está aumentando lentamente”, disse um diretor de vendas de produtos para exportação de Suzhou.

 

O nível de atividade industrial da China cresceu a um ritmo mais lento em julho devido à alta dos custos das matérias-primas, à manutenção de equipamentos e a condições climáticas extremas.

 

A China teve superávit comercial de US$ 56,58 bilhões em julho, acima da projeção de US$ 51,54 bilhões e do saldo de US$ 51,53 bilhões contabilizado de junho.

 

A economia chinesa está em via de crescer mais de 8% neste ano, mas analistas dizem que a demanda represada pela covid-19 alcançou um pico e preveem que as taxas de crescimento começam a perder força.


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