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Melhores do ESG: hidrovias, portos e ferrovias investem na agenda verde


Fonte: EXAME (6 de maio de 2021 )
Vista aérea do Porto de Santos: desafio de reduzir o uso de diesel, fonte de 80% da matriz energética das atividades portuárias (Germano Lüders/Exame)

 

As ações em ESG estimulam a implementação de medidas na direção da inovação e da melhoria do gerenciamento de risco. Dessa forma, os investimentos na área oferecem proteção contra perdas, ainda mais em momentos de crise.

 

Mais ainda: gerir as companhias tendo no horizonte um cenário de baixo carbono aumenta a qualidade do desempenho financeiro, desde que as ações estejam integradas à estratégia da companhia.

 

Essas são as principais conclusões a que chegou um estudo da Universidade de Nova York divulgado em fevereiro. Resultado da análise de 1.141 pesquisas, publicadas entre 2015 e 2020, o trabalho foi citado por Fabricio Soler, professor coordenador do curso compliance ambiental e ESG da Trevisan Escola de Negócios, na abertura do painel Modais sustentáveis: tornando o deslocamento mais eficiente, nesta quarta-feira, 5, no terceiro dia de Melhores do ESG: Repensando o valor de tudo, evento 100% online e gratuito promovido pela EXAME ao longo dos meses de maio e junho.

 

O professor moderou o debate, do qual participaram João Alberto Abreu, diretor-presidente da Rumo, Fabio Schettino, CEO da Hidrovias do Brasil, e Fernando Biral, CEO da Santos Port Authority. Os três executivos apresentaram suas principais ações no campo de responsabilidade social e ambiental e governança.

 

“A hidrovia é um modal mais limpo e ambientalmente responsável”, lembrou Fabio Schettino. “Temos no Brasil 42.000 quilômetros de rios navegáveis. A hidrovia é dez vezes menos poluente e consome menos combustível do que a rodovia”.

 

Além disso, alegou, cada comboio empurrado por um empurrador tira 1.500 caminhões da estrada. “O caminhão tem um papel fundamental na capilaridade, na distribuição. O que é uma distorção é um caminhão percorrer 3.000 quilômetros com 40 toneladas, principalmente carga de baixo valor agregado. Temos o agronegócio e a mineração mais eficiente do mundo, mas a logística ainda pode ganhar efetividade”.

 

Gestão ambiental

Do ponto de vista da gestão do Porto de Santos, afirmou Fernando Biral, o uso do modal marítimo tem, de fato, maior eficiência energética. “Mas não vamos nos acomodar. Estamos trabalhando na deseletrificação do cais. O diesel ainda representa 80% de nossa matriz energética. Queremos poder desligar os motores a combustão enquanto estamos fazendo as operações de embarque e desembarque”.

 

Como lembrou Biral, “Nossa matéria-prima é o estuário, é a natureza que nos oferece nossas condições de trabalho. O mínimo que podemos fazer é cuidar do meio ambiente”.

 

Por sua vez, João Alberto Abreu apresentou estatísticas: “O Brasil tem 30.000 quilômetros de ferrovias. São cinco concessões, que respondem por 15% do modal brasileiro. Transportamos aproximadamente 60 milhões de toneladas por ano”.

 

E deixou claro que a Rumo tem estratégias claras de ESG, medidas com rigor. “ESG é uma filosofia que tem de fazer parte das estratégias, dos processos de decisão das empresas. É a única forma de continuar gerando valor no longo prazo.”

 

A companhia reduziu as emissões em 10%. “Temos a meta de, até 2025, termos o rastreamento de toda as nossas cargas. É uma agenda muito forte para nós, assim como o trabalho voltado para a segurança”.

 

A agenda ambiental também entrou na estrutura de capital da empresa. “Ano passado emitimos um green bond de 500 milhões de dólares, que precisam ser investidos em equipamentos e obras que tragam redução de emissão e de impacto ambiental. Mais recentemente emitimos uma debênture cujo custo é reduzido na medida em que metas ambientais são cumpridas”.

 

Comprometimento

Fernando Biral informou que o Porto de Santos elaborou um relatório de sustentabilidade pela primeira vez. “Também recuperamos a sustentabilidade financeira da companhia e redesenhamos projetos de infraestrutura”, comentou.

 

Os três concordaram sobre a importância da multimodalidade, focada em processos de maior eficiência e menor emissão de gases causadores de efeito estufa. “Precisamos da multimodalidade, é ela que traz eficiência. Como balancear essa equação é fundamental”, afirmou, por exemplo, Fabio Schettino.

 

“Temos um absoluto rigor e compromisso com esses temas. Já passou da hora”, finalizou ele, “de as empresas saírem da retórica, olharem para que direção estão caminhando, quais compromissos estão assumindo”.


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