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Aplicativo de fretes da Bunge cresce e se torna uma empresa


Fonte: Valor Econômico (6 de maio de 2021 )
Maciel, da Vector: “ineficiência é o inimigo comum de embarcadores e motoristas” — Foto: Divulgação

Pouco mais de um ano depois ser lançado pela Bunge para digitalizar a contratação de fretes rodoviários da multinacional americana no Brasil, o aplicativo Vector está se transformando em uma empresa independente.

 

Em uma joint venture com a Target, companhia de origem argentina e operações na Argentina, no Brasil e nos EUA com foco em soluções de logística e tecnologia, a Bunge apresentará a nova Vector hoje ao mercado.

 

A empresa parte de uma base já elevada. Como aplicativo de fretes da Bunge, que movimenta cerca de 25 milhões de toneladas de grãos por ano no Brasil, viabilizou 557 mil viagens e o pagamento de R$ 2,6 bilhões desde que foi criado, no início de 2020.

 

Segundo a múlti americana, o aplicativo que virou empresa já responde por 97% de sua movimentação de cargas por rodovias no Brasil, com um cadastro formado por cerca de 48 mil caminhoneiros e transportadoras.

 

“Já pensávamos em uma plataforma aberta nesse mercado desde o lançamento do Vector. Estamos liderando um movimento de transformação digital, e como uma andorinha só a Bunge não faria verão”, afirmou Makoto Yokoo, diretor de logística da múlti no Brasil, ao Valor.

 

Mas tudo indica que uma andorinha chinesa já vai se unir à base de clientes Vector. Segundo Javier Maciel, CEO da nova empresa, o contrato com a estatal chinesa de agronegócios Cofco já foi fechado e a operação está em fase de integração de sistemas.

 

O Valor não conseguiu contato com a Cofco International ontem, mas a trading de grãos é uma das que mais crescem no Brasil. Segundo estimativas, ela origina e transporta para os portos do país pelo menos 10 milhões de toneladas de soja e milho por safra agrícola, e a crescente demanda chinesa a privilegia.

 

“Do ponto de vista do motorista, é preciso que tenhamos outros usuários. Trata-se de uma mudança de perspectiva. Nesse mercado, o embarcador costuma achar que o vilão é o motorista, e vice-versa. Mas o vilão é o tempo que o caminhão fica parado, e a ineficiência é o inimigo comum”, diz Maciel.

 

Como a Vector integra caminhoneiros e clientes, agiliza carregamentos e desembarques e permite um aproveitamento melhor de fretes de retorno – tudo de forma digital – o CEO, egresso da Target, acredita que o número de motoristas cadastrados, quase todos munidos de smartphones e com agendas muito mais organizadas do que se pensa, tem grande potencial de crescimento.

 

Ainda conforme Maciel, a ideia é que plataforma também vá além do agro. “Queremos participar de qualquer operação de transporte que tenha no frete rodoviário um peso importante”.

 

Assim, além da diversificação de cargas do agronegócio e de mercadorias de outros setores da economia, novas rotas também tendem a começar a ser mais comuns no sistema da Vector. No caso dos grãos, os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) e os terminais do chamado “Arco Norte” dominam o escoamento, e a intenção é ampliar o leque.

 

O plano de negócios da Vector prevê outros grandes embarcadores como sócios, não apenas a Bunge. Um dos obstáculos para essa expansão, contudo, é o fato de que, para participar da Vector, os embarcadores terem que integrar seus sistemas à plataforma da nova empresa. Essa integração é um dos diferenciais da empresa e os dados estarão protegidos, mas existe uma resistência natural em algumas companhias que terá que ser quebrada para que o conceito ganhe força.

 

Outra questão é que a concorrência nesse mercado está cada vez mais acirrada, com outros aplicativos de fretes à disposição dos caminhoneiros brasileiros. Superados esses desafios e uma vez consolidada no Brasil, a Vector partirá para outros países.


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