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Brasil ganha mercado com vacinação nos países árabes


Fonte: Estadão (3 de maio de 2021 )
Projeção é de que exportações do agro brasileiro para os países árabes fiquem até 5% maiores este ano – Foto: Ivan Bueno/Appa

 

A vacinação em massa contra a covid-19 em países do Oriente Médio, com a reabertura da economia local, começa a trazer benefícios ao agronegócio brasileiro. Após um crescimento de menos de 2% nos embarques para a Liga Árabe em todo o ano passado, no primeiro trimestre de 2021 o incremento das vendas chega a 8,7% ante igual período de 2020, para US$ 1,78 bilhão. Tamer Mansour, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, destaca que Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita, principalmente, foram agressivos nas compras de vacinas. Também fizeram controle na entrada no país e ampla testagem da população. Isso levou a uma reação do setor de food service, o mais afetado no início da pandemia, e à retomada de eventos esportivos e de negócios. “A vacinação mostra resultado imediato no incremento das relações entre esses países e o mundo”, diz Mansour. Ele prevê exportações do agro brasileiro aos países árabes até 5% maiores neste ano.

 

Em alta

Os embarques de grãos do Brasil para os árabes mais que dobraram no primeiro trimestre, puxados por demanda para ração, compras para garantir suprimento e consolidação de hubs regionais de exportação aos mercados próximos. Segundo Mansour, as exportações de soja cresceram 148%, e as de milho, 133%. Até itens não tradicionais para aquele mercado, como algodão, viram seu espaço aumentar de janeiro a março.

 

Recuperação

Para carnes de frango e bovina, a Câmara ainda vê resultado na exportação semelhante ao de 2020, de US$ 2,94 bilhões. Mas Mansour acredita que os embarques têm potencial de superar os do ano passado. Além do aquecimento do consumo com a recuperação da economia, o plano de nacionalização da produção vai demorar “mais do que o esperado” em virtude de a importação ser a opção mais barata no momento.

 

Diversifica

A entidade também prevê para este ano os primeiros embarques de carne de ovinos brasileira à Arábia Saudita, aos Emirados Árabes e ao Bahrein. “Tem procura e o plano nacional de criação e abates de ovinos está mais modernizado e adaptado às questões sanitárias e regulamentares desses países”, diz Mansour. Outro foco é estimular a venda de produtos alimentícios de maior valor agregado, aproveitando a tradição do País na produção halal (própria para o consumo muçulmano).

 

Precaução

A indústria de etanol de milho do Brasil foi determinante para que as vendas da Novozymes saltassem 21% na América Latina no 1º trimestre. A empresa é líder mundial em soluções biológicas e enzimas para produzir o biocombustível. Maximiliano D’Alessio, diretor de operações da Novozymes BioAg, diz que a demanda por enzimas acompanhou a ampliação da capacidade produtiva das usinas. Além disso, avalia, as empresas podem estar estocando insumo para garantir oferta de etanol em caso de restrições logísticas pela pandemia. “Não lembro de resultado como este nos últimos oito trimestres”, afirma.

 

Novo rumo

A América Latina, junto com a Ásia-Pacífico, sustentou o crescimento global de 3% da empresa no trimestre, segundo D’Alessio. Em 2020, a região contribuiu com 9% da receita da Novozymes, de US$ 2 bilhões. D’Alessio afirma que também influencia o resultado a estratégia mais focada na área comercial e não só em tecnologia, implementada pela CEO, Ester Baiget, quando chegou à companhia em fevereiro de 2020. Em 2021, o objetivo é manter crescimento global de 2% a 6% e, na América Latina, avançar dois dígitos.

 

Temos banana

As exportações do grupo Leiria, líder nacional em comercialização de banana prata, dispararam neste ano. Estados Unidos, Catar, Portugal e Espanha, que em todo o ano passado importaram 3,7 mil quilos, já compraram de janeiro a abril 22,1 mil quilos. O volume despachado ao exterior deve aumentar mais com a esperada abertura dos mercados dos Emirados Árabes, Rússia, Itália e França. Vanessa Correia, diretora do grupo, credita o resultado à retomada da economia global, problemas no plantio em outros países e controle “rigoroso” do processo produtivo. “Seguimos todas as regras internacionais”, garante.

 

Gringa

No ano passado, as exportações de banana prata contribuíram com 10% do faturamento do grupo. Neste ano, a previsão é de que essa fatia suba para 40%. O Leiria já conta com a certificação HACCP (análise de perigos e pontos críticos) e trabalha para obter mais duas: ISO 22000, sobre gestão de segurança de alimentos, e Kosher, que assegura produtos adequados à dieta judaica ortodoxa.

 

Responde

Com mais consumidores olhando a origem do alimento, o paranaense Genesis Group viu crescer a demanda por seus serviços, que vão de inspeções e análises a certificações e rastreabilidade na cadeia do agronegócio. A empresa prevê inspecionar mais de 75 milhões de toneladas de grãos até o fim do ano, ante 70 milhões de toneladas em 2020, diz Nelson Bechara, CEO do Genesis. Em faturamento, deve crescer 15%, para cerca de R$ 200 milhões.

 

Sem demora

Para oferecer serviços mais automatizados e inteligentes, o Genesis se aliou às agtechs (startups do setor agro). Na semana passada, inaugurou o Mitra, centro de inovação dentro do hub AgTech Garage, de Piracicaba (SP). Duas soluções digitais vindas dessa parceria devem estar no mercado ainda no primeiro semestre. Outra no segundo, conta Bechara. Juntas, as tecnologias demandaram mais de R$ 2 milhões em investimento, dos R$ 5 milhões previstos para inovação este ano.


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