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Ao comprar soja dos EUA, China ‘arrefece’ guerra comercial e dá resposta ao Brasil, diz analista


Fonte: Jornal do Brasil (23 de abril de 2021 )
Plantação de soja em área do município de Alto Paraíso, em Goiás – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

As importações de soja do Brasil foram as menores desde janeiro de 2017. Por outro lado, os chineses importaram 7,18 milhões de toneladas de soja dos EUA em março, alta de 320% frente ao mesmo mês do ano anterior.

 

O professor de Relações Internacionais, Diego Pautasso, especialista em países do Brics, atribuiu o crescimento da importação de soja dos EUA a uma tentativa do governo chinês de tentar esfriar a guerra comercial entre os dois países, e também de dar uma resposta a algumas iniciativas da política externa brasileira.

 

“Os litígios da diplomacia brasileira em face da China poderiam se desdobrar em uma solução de dois problemas simultâneos por parte da diplomacia chinesa. Ou seja, dar uma resposta aos desencontros da política externa brasileira e, simultaneamente, arrefecer a guerra comercial, desviando parte das importações das commodities brasileiras para o mercado americano. É isso um pouco o que está acontecendo”, afirmou, em entrevista à agência de notícias Sputnik Brasil.

 

Um dos fatores para a diminuição de importação da soja brasileira teria sido motivado por fortes chuvas que atrasaram alguns embarques do produto.

 

“É muito provável que os fatores climáticos estejam atuando nesse caso dos embarques da soja brasileira. No entanto, é preciso pensar na estratégia chinesa de diversificar suas importações e, ao mesmo tempo, garantir a sua segurança no suprimento de alimentos e recursos naturais necessários ao seu processo de industrialização”, declarou Pautasso.

 

Processadores chineses importam a oleaginosa para fazer o esmagamento e produção de farelo de soja para ração e fabricação de óleo de cozinha.

 

Pautasso defende que o “Brasil tenha uma política exterior compatível com a sua estatura e com a importância da China”.

 

“Em nenhum momento o Brasil esteve tão desacertado, tão desencontrado em relação às suas escolhas internacionais. Inclusive, a queda do último chanceler, uma figura que certamente não vai deixar saudades aos quadros do Itamaraty é um pouco revelador da falta de um pensamento estratégico. O Brasil confrontou e litigiou com seus principais parceiros comerciais”, disse.

 

A China foi alvo de críticas e comentários duros durante a gestão do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Logo antes de ser demitido, no fim de março, Araújo postou em uma rede social que não teria cedido a um pedido da senadora Kátia Abreu (PP-TO), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, para “acenar ao lobby chinês em relação ao leilão do 5G”.

 

Logo após assumir o lugar de Araújo, o chanceler atual, Carlos França, ligou para o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, para falar sobre cooperação entre os países na fabricação de vacinas em uma tentativa de reaproximação entre o Brasil e a nação asiática.

 

Para o analista, o Brasil poderia o usar o apoio chinês para atrair investimentos em infraestrutura, por exemplo.

 

“A China já é um grande investidor no país. O Brasil tem uma gigantesca carência em infraestrutura e precisa urgentemente retomar o seu processo de industrialização. Investimentos estrangeiros enquadrados em um projeto nacional de desenvolvimento podem ser uma alavanca para impulsionar aqueles setores que o Brasil já tem um certo know-how”, completou. (com agência Sputnik Brasil)


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