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Executivos incluem o trabalho voluntário na agenda da pandemia


Fonte: Valor Econômico (19 de abril de 2021 )
Flávio Valiati, do Zoom, é fundador de projeto que conecta executivos a jovens que querem saber como se inserir no mercado — Foto: Claudio Belli/Valor

Do conforto e privilégio do home office, executivos brasileiros abrem espaço na agenda para se envolver em projetos sociais durante a pandemia e trazem à tona a reflexão de que não é preciso esperar uma carreira bem-sucedida terminar para retribuir à sociedade. Ainda mais durante uma crise sanitária, econômica e social. “Com a pandemia, o voluntariado deixou de ser uma agenda adicional e virou premente. O senso de urgência mudou – a necessidade de fazer algo, como pessoa e como executivo”, disse Ricardo Porto, vice-presidente senior comercial e supply chain e CEO no Peru da Nexa.

 

Engajando-se em programas de suas organizações, que foram adaptados para o on-line, ou tocando iniciativas próprias, quatro executivos e dois gestores ouvidos pelo Valor contam o que aprenderam com a experiência e qual legado já deixam para 2021. Aos 29 anos, com passagens pela Salesforce e Zendesk, e atualmente liderando a área de educação no Brasil do Zoom, Flávio Valiati defende que executivos não devem esperar para doar tempo, conhecimento e experiência em trabalhos voluntários. “Eu não quero chegar no final da vida e falar: agora é minha hora de ajudar. Quando não tinha dinheiro, doava meu tempo.

 

Quando não tinha experiência, doava meu dinheiro”. Agora, Valiati diz doar 10% de seu salário e parte de seu tempo para viabilizar um projeto de capacitação e mentoria, que conecta executivos a jovens que não sabem como se inserir no mercado de trabalho ou qual profissão seguir. Ele diz que trabalhar em uma empresa que o permite atuar em “duas ou mais frentes” é fator primordial na sua escolha, mas defende que conciliar tudo depende dele. “Performar bem na empresa é a primeira regra de todas”.

 

Fundado por ele há 6 anos, o projeto do executivo “Vamos Subir” já impactou 100 mil jovens. Mas foi na pandemia, ao adaptar os eventos para o on-line, que Valiati diz ter conseguido dobrar a participação dos jovens, atingindo dois mil em um único evento. “Dobramos a capacidade de impactar positivamente com o formato on-line e também tem sido mais fácil de conciliar a agenda dos executivos. Do lado dos executivos, vejo uma vontade maior de ajudar nesse momento”, afirma Valiati, citando que um dos eventos para falar sobre carreira no marketing reuniu CMOs de grandes empresas no Brasil.

 

Sem poder viajar para visitar clientes na pandemia e, em 2020, ir para o home office e ver desde então “o mundo passar diante de sua janela”, Alexandre Luque, diretor comercial da Johnson & Johnson Medical Devices, também “viu uma oportunidade de agir, a despeito da agenda corporativa intensa”. Foi um dos 78 funcionários voluntários do Maratona de Aceleração Social, programa de voluntariado da companhia para oferecer consultoria a ONGs. Com design thinking e metodologia “bem amarrada” pela empresa, coordenou um grupo que formatou ideias para trazer financiamento ao Projeto Quixote, que viu os recursos caírem no meio da crise, segundo o executivo. As reuniões, 100% on-line, foram encaixadas em sua agenda – seguindo uma premissa da própria empresa de estimular esse tipo de ação dentro da jornada de trabalho. “Além do sentimento de prazer de contribuir e de retribuir, consegui trabalhar com gente das três divisões da companhia, todos muito engajados no mesmo projeto. E com a premissa de que, neste tipo de trabalho, não há hierarquia. Todas as contribuições têm o mesmo peso.

 

E isso abastece a cultura interna”. Como líder, Luque diz que quer aplicar essa sensação forte de engajamento em um mesmo propósito, que o voluntariado traz, para todas as ações do dia a dia profissional.

 

Essa é a sensação que Marcelle Paiva, COO da Oracle Brasil, cultiva desde criança, quando acompanhava sua família em doações na cidade de sua mãe: Pindaré-Mirim, no Maranhão. Seu envolvimento com voluntariado permaneceu à medida em que ascendia na carreira, quando percebeu que poderia usar seu conhecimento de marketing para promover festas de aniversários mensais em entidades sociais. Mas ela confessa que às vezes a carreira exige demais – e o envolvimento voluntário diminui. Na pandemia, porém, disse ter conciliado uma promoção, os dois filhos em casa, e uma agenda intensa, com a mentoria on-line a duas jovens atendidas pela Gerando Falcões. Há três meses, reúne-se individualmente com elas toda semana às 20h. “Com o tempo, fui aprendendo que o ato de doar – tempo ou conhecimento – é trabalho também. Como líder, precisamos dar exemplo, de servir ao outro – dentro e fora da empresa. Mas a gente aprende muito: a ter mais empatia, exercita a escuta ativa, conhece pessoas que não conheceríamos e interagirmos com o estagiário que também faz voluntariado”. A executiva também aprendeu que ações voluntárias funcionam on-line – e, com a mentoria, conseguiu “entrar na casa” das duas jovens, ensiná-las a usar o LinkedIn, falar de carreira e criar um vínculo até mais próximo do que teria em um encontro único e presencial.

 

De sua casa em Lima, no Peru, Ricardo Porto, o CEO da Nexa, passou a telefonar diariamente para pessoas de comunidades onde a mineradora atua e para funcionários. O suporte dos líderes próximo ao público externo e interno foi uma das iniciativas do programa de voluntariado da empresa em 2020 (que envolveu 1,5 mil funcionários, realizou 103 ações e contabilizou 10 mil horas na operação do Brasil e Peru). Porto diz que as ligações, além de “tirarem os executivos da bolha em que podem viver entre colegas e na sua cidade”, também deram insights para o que as pessoas estavam mais precisando diante da crise e do medo da contaminação. “E daí partimos para ação, sendo muitas delas emergenciais. Distribuímos tablets a jovens que não tinham como assistir aula em casa, doamos cestas básicas, e criamos centros de controle epidemiológico junto ao poder público nas regiões onde atuamos”. A experiência no Peru foi replicada na segunda onda da covid-19 no Brasil, diz. Para 2021, Porto diz que continuará com as ligações voluntárias mas, agora, o foco é dar suporte psicológico. “As pessoas estão saturadas da pandemia e muita gente sofrendo com perdas de familiares”.

 

Ao revisar os programas nos quais aportaria recursos, tempo e conhecimento de seus funcionários na pandemia, a Dow também abriu margem para novas ações emergenciais. “Realocamos verba da cidadania corporativa e fizemos uma campanha interna com funcionários para doarmos 2,5 mil cestas básicas considerando um cenário onde há milhões de pessoas passando fome no país”, diz Helena Alonso, de comunicação corporativa para o Brasil. Em 2020, 167 funcionários da companhia participaram de ações voluntários que totalizaram um investimento total de R$ 3 milhões da empresa. Lilian Silveira, líder administrativo da Dow em Santos Dumont (Minas Gerais) e voluntária ativa da empresa desde 2015 diz que o voluntariado on-line não tivesse o mesmo impacto. “Mas as ações funcionaram bem e descobrimos benefícios como economia em custo de deslocamento, tempo das pessoas e possibilidade de alcançar um maior volume de pessoas”.

 

O que mudou, diz Lilian, foi uma agenda mais enxuta nas ações, considerando que “os funcionários já estavam sobrecarregados por conta da pandemia”. A Dow oferece a possibilidade de o trabalho ser feito no expediente e Lilian incluiu no seu a articulação de um projeto para refletir sobre diversidade, acolhimento e minorias no mercado de trabalho com 1000 adolescentes de escolas de Santos Dumont. Para 2021, o projeto vai ser replicado. “É preciso ter foco para realizar todas essas ações, mas a principal qualidade que um voluntário precisa ter é persistência e não desistir no meio do caminho se estiver difícil de viabilizá-lo”.


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