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Mapa discute o uso de irradiação em alimentos no Brasil como opção para evitar desperdícios


Fonte: Grupo Cultivar (12 de abril de 2021 )
Processo destrói microorganismos, bactérias, vírus ou insetos presentes nos alimentos. – Foto: Divulgação Mapa

 

Destruir microrganismos causadores de doenças, prolongar o prazo de validade dos produtos, retardar o amadurecimento e brotação, esterilizar alimentos, tudo com segurança e sem o uso de produtos químicos. Essas são algumas vantagens do uso de irradiação na agricultura e pecuária. A implementação dessa tecnologia no Brasil foi debatida em evento online nesta quinta-feira (08/04), realizado pela empresa pública Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (Amazul), vinculada à Marinha do Brasil.

 

O assessor da Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), Luiz Eduardo Rangel, participou do evento e destacou que a agropecuária brasileira, considerada uma das mais tecnológicas do mundo, discute estratégias para produção a partir dessa tecnologia, ainda pouco utilizada no país.

 

“O Brasil é muito bem visto internacionalmente pela qualidade de seus produtos e com a técnica da irradiação temos a oportunidade de galgar esses mercados com maior competitividade, sustentabilidade baseado em políticas públicas”, disse. Hoje, o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas, mas apenas o 23º maior exportador, desempenho que pode crescer com o uso da irradiação.

 

Rangel destaca a irradiação de alimentos como uma importante aliada para a redução de perdas de produtos. Atualmente, o desperdício de alimentos no mundo é estimado em 30% do que é produzido, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Apenas ¼ do que Estados Unidos e Europa descartam seria suficiente para alimentar as 800 milhões de pessoas que ainda passam fome no mundo.

 

Ele lembrou que ainda há muito desconhecimento sobre a tecnologia, o que muitas vezes gera preconceito. Por isso, uma das ações do governo federal é traçar estratégias para melhor comunicar aos brasileiros sobre as vantagens do uso da tecnologia.

 

“A ampliação da viabilidade de uma tecnologia já comprovada pela ciência é fundamental, não existem empecilhos legais para o uso da técnica no Brasil, sendo um assunto pacificado ao redor do mundo. É preciso, agora, comunicar de forma estratégica essa solução para a sociedade”, declarou.

 

O Mapa também persegue um plano de negócios para oferecer ao mercado ações como o levantamento sobre o mercado internacional de produtos irradiados, planos de marketing e divulgação da tecnologia do irradiador multipropósito, fatores a serem considerados para a instalação e funcionamento sustentável e viabilidade do negócio com utilização prioritária em produtos agropecuários, em especial frutas e hortaliças.

 

Para avaliar o uso de irradiadores multipropósitos no Brasil para fomento dessa tecnologia em produtos agropecuários foi instituído um Grupo de Trabalho Técnico, conforme Portaria nº 66, publicada em 6 de abril.

 

Pesquisa
A eficiência da utilização da irradiação em alimentos é comprovada pela Embrapa, que iniciou as pesquisas com a tecnologia na década de 1980. O uso de radiação ionizante é ainda uma opção com menor impacto ambiental, já que não deixa resíduos.

 

Segundo dados da FAO, os alimentos irradiados mantêm suas propriedades nutricionais e organolépticas, além de não apresentarem qualquer risco toxicológico, radiológico ou microbiológico para o consumo humano.

 

Estados Unidos, China, índia, Japão, Reino Unido, Argentina, Chile, Peru e parte da União Europeia utilizam a irradiação em especiarias, tubérculos, grãos, frutas, carne suína, frango, pescado, frutos do mar, ervas medicinais. Mais de 60 países comercializam produtos com o uso de irradiação.

 

A Amazul deverá desenvolver projeto de engenharia e realizar o dimensionamento dos equipamentos, o licenciamento radiológico e a contratação da empresa responsável pela construção, montagem e comissionamento dos equipamentos, bem como a fiscalização do empreendimento, até a entrega final ao usuário final. O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), órgão ligado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), responsável pela introdução da tecnologia no país, dará o apoio técnico ao projeto.


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