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Copersucar acerta a compra de fatia da Cargill na Alvean


Fonte: Valor Econômico (31 de março de 2021 )
Luis Roberto Pogetti: aquisição fortalece a Copersucar no mercado global — Foto: Claudio Belli/Valor

A Copersucar assinou ontem o contrato de compra das ações da Cargill na trading Alvean, tornando-se, assim, a única acionista na companhia, que lidera com folga o comércio mundial de açúcar. Já submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a transação depende agora da aprovação do órgão para ser concluída.

 

As empresas não informaram o valor da compra da participação da Cargill, dona de metade da trading. Segundo apurou o Valor, a Copersucar fará o pagamento com recursos de seu próprio caixa.

 

Com a troca de controle, o conselho de administração da Alvean também deverá mudar. A Copersucar pretende, após a conclusão da compra, buscar um conselheiro independente para o colegiado – e, segundo rumores de mercado, cogita reduzir para três o número de cadeiras do conselho. Atualmente, o colegiado tem três representantes da Copersucar – Luis Roberto Pogetti, que preside o conselho, João Teixeira e Tomas Manzano, presidente e diretor financeiro da companhia, respectivamente – e mais três representantes da Cargill.

 

Em nota, Pogetti disse que, com a compra das ações da Cargill, a Copersucar “fortalece ainda mais o seu posicionamento estratégico no mercado mundial de açúcar, diante da necessidade de expansão de oferta do produto, e reforça o seu portfólio”.

 

A Alvean movimentou 12 milhões de toneladas de açúcar nesta safra 2020/21, superando os 20% de participação no mercado internacional. Se considerados os preços médios do açúcar demerara na bolsa de Nova York na atual temporada, a comercialização desse volume indica uma receita próxima de US$ 3,5 bilhões. No ciclo passado, a trading faturou US$ 2,9 bilhões e movimentou 10 milhões de toneladas.

 

De acordo com uma fonte próxima da companhia, a Copersucar deverá inicialmente consolidar sua posição como nova dona da Alvean e pretende dar sequência aos planos de crescimento da trading. A intenção da Copersucar, segundo essa fonte, não será a de incorporar a empresa, mas a de mantê-la como um negócio separado, até porque a marca se consolidou nos últimos anos.

 

Não é segredo, porém, que a Copersucar gosta de ter parceiros nos negócios em que atua. Conforme apurou o Valor, a companhia não descarta uma nova parceria para a Alvean. Mas, mesmo que essa seja a decisão, qualquer movimento nesse sentido, além de não ser imediato, só deverá ocorrer se representar ganho de valor para a operação.

 

O casamento entre Cargill e Copersucar começou em 2014. Antes, as duas rivalizavam no comércio internacional de açúcar, disputando a liderança. As negociações para o fim da sociedade tornaram-se públicas em janeiro.

 

A Copersucar tem outras histórias de parceria além da recém-encerrada com a multinacional americana. Quando entrou no mercado de etanol dos Estados Unidos, a companhia começou comprando participação acionária na Eco-Energy, e só assumiu o controle total da companhia anos depois. No terminal de Paulínia, a Copersucar hoje divide o controle do terminal de etanol com a petroleira BP.

 

Apesar de não ter mais a Cargill como acionista, a Alvean continuará utilizando o serviço da mesa de fretes que a multinacional oferece por meio de contratos normais de mercado, assim como a trading continuará utilizando os serviços logísticos da Copersucar.

 

A transação ocorre em um momento favorável para as empresas do mercado de açúcar, com uma oferta ajustada à demanda. Apesar das novas ondas de infecção pelo novo coronavírus no Brasil e em vários países, a pandemia vem afetando pouco a demanda global pela commodity, que se posiciona em alguns mercados, sobretudo os emergentes, como uma alternativa barata de calorias.

 

O momento é ainda mais favorável aos exportadores brasileiros, que estão sendo beneficiados pelo câmbio, já que o real se desvalorizou mais em relação ao dólar do que as moedas de seus concorrentes no mercado de açúcar. Com isso, os produtores do país têm garantido mais competitividade no mercado global.


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