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Acidente em Suez acelera mudanças nas cadeias globais, diz Maersk


Fonte: Valor Econômico (30 de março de 2021 )
O navio Ever Given navega pelo Canal de Suez, no Egito, acompanhado por rebocadores, após ser desencalhado — Foto: Suez Canal Authority via AP

 

O bloqueio do Canal de Suez, que acabou ontem, deverá acelerar um mudança global das cadeias de fornecimento “just-in-time”, diz Soren Skou, presidente executivo da Moller- Maersk, o maior operadora mundial de navios de transporte de contêineres.

 

Segundo ele, as empresas já vinham mudando suas cadeias de fornecimento por causa da pandemia de covid-19, afastando-se de fornecedores únicos e repensando sua dependência do “just-in-time” – sistema em que os componentes são entregues às fábricas só quando elas precisam deles.

 

Em vez disso, as empresas estão partindo para as cadeias “just-in-case”, mantendo estoques maiores para evitar serem pegas desprevenidas por interrupções na cadeia.

 

“Estamos caminhando para uma cadeia de fornecimento ‘just-in-case’, e não apenas ‘just-in-time’. Esse incidente [no Canal de Suez] fará as pessoas pensarem mais em suas cadeias de fornecimento”, acrescentou Skou.

 

O Ever Given, o navio que bloqueou o canal por uma semana, é um dos maiores do mundo, capaz de transportar 20 mil contêineres. Ontem, equipes de resgate conseguiram desencalhar o navio, desbloqueando uma das mais importantes rotas comerciais do mundo.

 

A Maersk possui dezenas de navios entre os centenas que tiveram suas viagens atrasadas pelo bloqueio do canal de Suez e redirecionou 15 deles para contornar a África, acrescentando cerca de 10 dias às suas viagens.

 

O grupo dinamarquês é uma empresa líder do comércio mundial, responsável por um quinto transporte marítimo de cargas do mundo, atuando para muitas das maiores companhias do planeta, como H&M, Nike e Unilever.

 

Muitas empresas estão repensando os seus sistemas de fornecimento depois que os “lockdowns” causados pela pandemia levaram a interrupções nas cadeias de fornecimento “just-in-time”, quando elas subitamente não puderam receber certos componentes.

 

“O quanto você quer ser ‘just-in-time’? É ótimo quando isso funciona, mas quando não funciona você perde vendas. Não há economia de custos com o ‘just-in-time’ que consiga compensar o lado negativo de perder vendas”, disse Skou.

 

Ele acrescentou que as empresas também estão buscando não depender mais de um único fornecedor. “Claramente vemos nossos clientes afirmando que precisamos ter vários fornecedores para garantir que um pequeno sub-fornecedor não acabe nos fechando.”

 

Muitos analistas concordam que fabricantes e varejistas estão migrando para um modelo “just-in-case”, mas apontam para o fardo de manter estoques extras em setores mais atingidos pela pandemia. “Se a covid fez algo, foi drenar caixa”, diz Paul Adams, diretor da consultoria Vendigital.

 

Os preços dos fretes subiram nos últimos meses, com as empresas em todo o mundo buscando reforçar seus estoques, após terem sido surpreendidas pela força da recuperação da demanda por bens no fim de 2020. Skou diz que isso continuará nos próximos meses.

 

“Os varejistas pararam de comprar no segundo trimestre de 2020 e agora estão tentando refazer os estoques ao mesmo tempo em que há uma demanda muito forte. O ciclo de reposição de estoques prosseguirá por um tempo”, afirmou.

 

Skou disse que o preço do frete deve subir mais devido ao congestionamento em Suez. David Kertens, analista da Jefferies, diz que empresas de transporte de contêiner ganharam mais dinheiro nos três primeiros meses de 2021 do que em todo o ano passado.


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