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Novas profissões olham para o potencial da economia prateada


Fonte: Valor Econômico (29 de março de 2021 )
A arquiteta Flavia Ranieri dá consultoria sobre a adaptação de casas para idosos — Foto: Divulgação

 

Um novo estudo da Fundação Dom Cabral (FDC), do projeto FDC Longevidade, com apoio técnico da Hype50+, aponta as dez profissões do futuro ligadas ao fenômeno da longevidade. Algumas já são realidade hoje, como cuidadores de idosos e geriatras, mas tendem a ter um aumento de demanda nos próximos anos. Outras começam a ganhar espaço ou tendem a se desenvolver, como conselheiros de aposentadorias, curadores de memórias pessoais e especialistas em adaptação de casas.

 

A economia prateada -em alusão aos cabelos grisalhos da terceira idade – oferece oportunidades de ocupações diversificadas tanto em relação à área de formação – saúde, economia, arquitetura – quanto ao nível de instrução – alguns exigem curso superior e outros não.

 

O potencial deste mercado é claro pelos números envolvidos. No Brasil, as pessoas com mais de 60 anos já ultrapassam em número as crianças. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, no fim de 2020, o país tinha quase 39 milhões de pessoas com mais de 60 anos (18,4% da população) e 35,2 milhões até 13 anos de idade (16,6%). E a parcela de idosos tende a crescer. “É fato que existe um mercado consumidor crescente com o aumento da expectativa de vida, mas quem quiser trabalhar nessa área deve entender como a longevidade muda a trajetória da sociedade. Na verdade, todo mundo precisa entender. A longevidade é uma causa”, diz a coordenadora do FDC Longevidade Michelle Queiroz Coelho.

 

 

Para enxergar as oportunidades no mercado de trabalho ligado à longevidade, afirma ela, é preciso que o profissional enfrente os próprios preconceitos. São diferentes termos – ageísmo, idadismo, etarismo ou velhofobia – para o mesmo fenômeno: opiniões negativas ou desconfiança em relação à velhice. “A pauta do ageísmo tanto impede as pessoas como dificulta que os próprios trabalhadores vejam como legítimas as opções profissionais ligadas à longevidade. Há oportunidades, mas é preciso entender o contexto social da longevidade”, diz.

 

O cuidador de idosos é a ocupação mais lembrada quando se fala desse mercado. Para além do profissional em si, há diversos negócios que podem ser impulsionados, desde a formação até a criação de empresas que reúnam esses profissionais e ofereçam a prestação desses serviços. Geriatria e gerontologia também aparecem entre as ocupações promissoras no “TrendBook Sociedade” – terceira edição do mapeamento feito pelo projeto FDC Longevidade, com patrocínio da Unimed-BH. Outras profissões citadas são terapeuta ocupacional, cuidador remoto – que trabalha em plataformas on-line – e consultor de bem-estar para idosos.

 

A formação em biomedicina é a origem para outra atividade promissora: a do bioinformacionista. É o profissional que combina as informações genéticas com a metodologia clínica para desenvolver medicamentos personalizados para doenças genéticas. Já o conselheiro de aposentadoria tem atribuições que vão além das sugestões de investimento: ele também apoia questões como escolha de plano de saúde, de carreira e programação do tempo.

 

Também há potencial, segundo o estudo, para especialista em adaptação de casas – de forma a torná-las mais seguras para o idoso – e também para curador de memórias pessoais – atividade que envolve desde a investigação de notícias e biografias para pessoas que perderam a memória até a criação de biografias, perfis póstumos, histórias de famílias e empresas.

 

“Reunimos no estudo essas dez profissões mais promissoras ligadas aos maduros, mas no fundo todas as profissões precisam olhar para a longevidade e para a inclusão das pessoas 60+. Todas as áreas de trabalho têm que se adaptar, desde quem faz roupa até quem faz um trabalho super tecnológico e projeta as cidades inteligentes”, explica Layla Vallias, cofundadora da Hype50+ e especialista em economia prateada.

 

Este mercado é uma alternativa inclusive para os profissionais mais velhos, destaca. “Quem é 60+ sente as dores no dia a dia e pode encontrar um leque enorme de novas carreiras. Há oportunidades em diferentes recortes dentro do envelhecimento, é um mercado amplo”, diz.

 

A arquiteta Flavia Ranieri é um exemplo de quem já se encontrou neste mercado. A partir de um tombo da mãe em casa há alguns anos, começou a buscar soluções para tornar a residência dos pais mais seguras, mas viu que o mercado era restrito a produtos e serviços ligados a hospitais e doenças e pouco dedicados ao envelhecimento ativo.

 

A partir daí, fez um curso de gerontologia – era a única aluna fora da área de saúde – e hoje trabalha com projetos de arquitetura para quem quer adaptar a casa, empreendimentos residenciais para este público e instituições de longa permanência. Recentemente, criou uma startup para consultorias on-line de adaptações mais simples e imediatas para a gerontologia e geriatria e criou um curso para arquitetos sobre o conceito de geroarquitetura.

“Antigamente, as adaptações das casas eram restritas ao uso de cadeiras de rodas e de barras de apoio no banheiro. Só que a geroarquitetura vai além. Há muito que pode ser feito para tornar a casa segura e adaptada e permitir que o longevo continue a fazer o que gosta”, explica ela.


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