SOPESP NOTÍCIAS

Home   /   Eventos   /   Aposta dos agricultores na digitalização cresceu mais no Brasil do que nos EUA na pandemia

Aposta dos agricultores na digitalização cresceu mais no Brasil do que nos EUA na pandemia


Fonte: Valor Econômico (26 de março de 2021 )

A pandemia do novo coronavírus não só manteve os produtores rurais do Brasil particularmente interessados em digitalizar seus negócios, mas fez com que esse apetite, ampliado para mais elos da cadeia, aumentasse mais que em outros países, como os EUA.

 

É o que aponta o estudo “A Cabeça do Agricultor Brasileiro na Era Digital Pulso 2021”, divulgado pela consultoria McKinsey. Realizado a partir de informações coletadas com 560 produtores de regiões e portes variados e dedicados a diferentes culturas, o trabalho também mostra que gargalos como custos e conectividade, continuam a evitar que a disseminação de tecnologias no campo seja mais acelerada (ver infográfico).

“Não esperávamos esse aumento maior do interesse dos agricultores brasileiros pela digitalização do que nos EUA e na Europa. Aqui, quase dois terços dos fazendeiros já preferem canais online. E essa é uma tendência para todos os produtos, commoditizados ou não”, afirmou Nelson Ferreira, sócio sênior da McKinsey, ao Valor.

Em relação a mapeamento divulgado pela consultoria em maio do ano passado, o novo aponta um aumento de 10 pontos percentuais no número de agricultores que preferem canais online para compras para suas propriedades, para 46%. Nos EUA e na Europa o avanço foi de 7 pontos, para 31% e 22%, respectivamente. No caso dos produtores brasileiros de algodão, o percentual saltou de 45% para 66%.

 

E essa preferência, realçou Ferreira, não é apenas para mapear preços de itens como insumos ou maquinários, como era normal no início do processo de digitalização. “Cerca de 50% dos agricultores já preferem usar os canais online em toda a sua jornada de compras. Ou seja, a multicanalidade chegou para ficar”.

 

É claro que é a necessidade que tem impelido um número cada vez maior de produtores rurais para o mundo digital, uma vez que as medidas de restrição impostas pela pandemia não têm permitido que o “olho no olho” prevaleça. Mas essa necessidade existe no mundo todo, e a principal diferença dos brasileiros em relação a produtores de outros países, segundo Ferreira, é sua propensão natural a desafios.

 

Segundo o estudo, essa propensão é maior entre os produtores mais jovens e entre os fazendeiros de maior porte. Cinquenta e três por centro dos agricultores entre 35 e 45 anos têm no digital seu principal canal de compras, e 58% deles demonstram disposição para vender no mínimo 50% da produção online. Os percentuais são ainda maiores entre os mais jovens. Já entre os produtores que têm propriedades com mais de 2,5 mil hectares, de todas as idades, esses percentuais chegam a 73% e 71%.

 

Outros resultados que chamaram a atenção de Nelson Ferreira foram o que apontou que o WhatsApp ainda é, de longe, o principal meio acessado pelos produtores para suas transações digitais e o fato de a digitalização e a agricultura de precisão caminhares juntas. “Os market places ainda têm participação pequena nas transações, mas deverão ganhar espaço. E quanto à agricultura de precisão, os problemas ainda são os investimentos, considerados elevados, e a falta de conectividade no campo”.

 

Agilizados pelos meios digitais, o barter (troca de insumos pela produção agrícola) é uma opção de comercialização de 39% dos produtores que participaram do estudo da McKinsey, e também chamou a atenção de Ferreira a grande disposição dos fazendeiros de experimentar novos serviços financeiros online.

 

O trabalho da consultoria apontou, finalmente, que com plantio direto, rotação de culturas e controle biológico das plantações disseminados — mas ainda deixando a desejar no que se refere a sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta —, o campo brasileiro conta com práticas sustentáveis, mas a monetização do crédito de carbono ainda é incipiente, “E 66% dos produtores afirmaram ter muito interesse nesse mercado, o que mostra que o potencial é grande”, conclui Ferreira.


Mais lidas


    A desestatização do Porto de Santos deve ser concluída até o fim de 2022, de acordo com o secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários no Ministério da Infraestrutura, Diogo Piloni, durante o III Congresso de Direito Marítimo e Portuário. De acordo com ele, a consulta pública deve ser aberta até o fim […]

Leia Mais

Os assistidos pelo Instituto Portus de Seguridade Social, o fundo de pensão dos portuários, obtiveram importante vitória na Justiça. O juiz José Alonso Beltrame Júnior, da 10ª Vara Cível de Santos, concedeu liminar em que determina a suspensão do aumento na contribuição dos participantes da ativa e aposentados.   A ação civil pública foi promovida […]

Leia Mais

Através de um investimento de 100 milhões de euros, a Tesla irá entregar os dois primeiros navios porta-contêinereselétricos à Holandesa Port-Liner, em Agosto.   Após a entrega, a Tesla entregará ainda mais seis navios com mais de 110 metros de comprimento, com capacidade para 270 contentores, que funcionarão com quatro caixas de bateria que lhes […]

Leia Mais

Por causa da curvatura da Terra, a distância na qual um navio pode ser visto no horizonte depende da altura do observador.   Para um observador no chão com o nível dos olhos em h = 7 pés (2 m), o horizonte está a uma distância de 5,5 km (3 milhas), cada milha marítima igual a 1.852 […]

Leia Mais