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Companhias mantêm planos de investimento, apesar de pandemia


Fonte: Valor Econômico (17 de março de 2021 )
André Rodrigues, diretor-financeiro da WEG: “O plano está focado no aumento da capacidade no mercado externo” — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

 

A maior parte das empresas com ações em bolsa que divulgou até agora os investimentos para 2021 pretende aumentá-los em relação ao ano passado e a piora da pandemia da covid-19 no país nas últimas semanas não levou a uma revisão desses planos, pelo menos até o momento.

 

A conclusão é de um levantamento feito pelo Valor com dados de companhias de capital aberto que publicaram seus resultados até quarta-feira. Entre elas estão gigantes da indústria como Petrobras e Suzano, a mineradora Vale, concessionárias de serviços públicos e grandes redes do varejo, como Lojas Renner.

 

As informações foram obtidas nos relatórios da administração que acompanham as demonstrações financeiras, nos releases de resultados e nos chamados formulários de referência que as companhias enviam periodicamente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As empresas também foram procuradas para comentar os números. Cinco executivos conversaram com o Valor e sete responderam por e-mail.

 

De um total de 87 companhias, 20 apresentaram projeções de investimento para 2021, uma informação facultativa. Dessa amostra menor, 85% têm intenção de investir mais neste ano.

 

 

Uma parte significativa, principalmente redes de varejo, pretende realocar os recursos que deixaram de ser investidos em 2020. Contribui para os planos mais ambiciosos o fato de haver agora um horizonte de vacinação. “Com tudo que aprendemos no ano passado, nos sentimos mais fortes e preparados para as adversidades”, disse ao Valor Alvaro Azevedo, diretor-financeiro e de relações com investidores da Lojas Renner.

 

A varejista de moda, que reduziu em 28% os investimentos em 2020, ante 2019, pretende mais do que dobrar o valor neste ano, para R$ 1,1 bilhão. Segundo Azevedo, mais da metade terá como destino as áreas de tecnologia e logística – incluindo a construção de um centro de distribuição em São Paulo.

 

A ideia é impulsionar o segmento on-line, que cresceu no ano passado com mais gente fazendo compras de casa. O restante do valor será usado para a inauguração de até 55 lojas das bandeiras Renner, Camicado, Youcom e Ashua. A previsão de aberturas é cinco vezes maior que o que feito em 2020.

 

A Cia. Hering, outra varejista de vestuário, pretende neste ano realizar o “maior investimento da história”. O valor previsto é de R$ 131 milhões, 180% maior que o de 2020, do quais R$ 8 milhões congelados no plano do ano passado. A maior parte irá para projetos de tecnologia, segundo Thiago Hering, diretor de negócios. A empresa também vai modernizar o parque industrial e reformar e ampliar lojas. “Nós continuamos confiantes no plano para este ano, que deve refletir o protagonismo que empresa quer ter”, diz Hering.

 

No CCR, que administra rodovias, aeroportos e metrôs, cerca de R$ 500 milhões em investimentos foram postergados para o exercício atual. Com a pandemia, a empresa manteve os gastos essenciais direcionados à segurança e ao atendimento dos clientes, mas tomou medidas para proteção de caixa. Com isso, os investimentos totais caíram 13%, ante 2019. Para 2021, a expectativa é um aumento de 27%, para R$ 1,88 bilhão.

 

A Tupy, que fabrica peças para motores, estabeleceu como meta para este ano o investimento de R$ 250 milhões, depois de postergar cerca de R$ 100 milhões no ano passado. O valor previsto é 83% maior que o realizado em 2020 e deve ser usado em projetos de usinagem e sistemas de informação.

 

Retomar obras que foram paralisadas por causa das medidas de distanciamento social está nos projetos da fabricante de equipamentos WEG, entre elas a construção de uma fábrica de motores de baixa tensão na Índia. A meta para 2021 é de investimentos de R$ 1,1 bilhão, praticamente o dobro do que foi realizado em 2020. “O plano está focado no aumento da capacidade no mercado externo”, disse o diretor-financeiro e de relações com investidores, André Rodrigues. No mercado interno, destino de 40% do planejado, a ideia é modernizar o parque fabril.

 

O adiamento de projetos, em consequência da crise sanitária, foi motivo para o aumento de 34,5% no investimento previsto pela Vale, para R$ 30,74 bilhões (US$ 5,8 bilhões). Segundo a mineradora, o avanço também reflete fatores como a maior intensidade de investimentos nas usinas de filtragem de rejeitos, nos projetos Sistema Norte e Serra Sul e em projetos de energia solar.

 

Em algumas empresas, as mazelas da novo coronavírus tiveram impacto menor na decisão orçamentária. O aumento dos investimentos em quase 90%, para R$ 1,5 bilhão, da siderúrgica Usiminas já era esperado mesmo antes da pandemia, devido ao cronograma da reforma do alto-forno 3. “Esse é um projeto que vem desde 2019, tomou velocidade em 2020, mas com os maiores desembolsos previstos para 2021 e 2022”, diz o diretor-financeiro, Alberto Ono.

 

No início de 2020, a Usiminas projetava investimentos de R$ 1 bilhão. Com a chegada da pandemia, o número foi reduzido a R$ 600 milhões. “Quando a situação começou a melhorar, no decorrer do ano, decidimos voltar uma parte do investimento e encerramos 2020 com R$ 800 milhões”, disse Ono. “O que não foi investido não será concentrado em 2021, mas distribuído nos próximos anos.”

 

Setores como o de serviços públicos também costumam ser mais resilientes em momentos de crise. A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) já planejava aumentar o ritmo dos investimentos, segundo Carlos Eduardo de Castro, diretor-presidente, depois da aprovação do marco legal do saneamento e para compensar o déficit de anos anteriores. O plano é investir R$ 1,3 bilhão neste ano, 170% mais que em 2020, em projetos no sistema de abastecimento de água no norte do Estado e de saneamento na região da Zona da Mata. “Em 2020 aumentamos o volume de projetos e dos investimentos, mas o realizado acabou ficando abaixo do previsto por causa da pandemia, das fortes chuvas e pela maior economia obtida nos processos de licitação, devido ao aumento da concorrência”, disse.

 

Entre as empresas que apresentaram projeções para 2021, nove disseram ao Valor que, por ora, o recrudescimento da pandemia não teve efeito sobre os planos. São elas: Renner, Hering, WEG, Usiminas, Copasa, Petrobras, TIM, Aura Minerals e Ultrapar.

 

Segundo a Petrobras, o plano estratégico – que prevê aumento de 27,5% nos investimentos neste ano, para R$ 53 bilhões (US$ 10 bilhões) – já considera os efeitos da covid-19 “num cenário de preços do petróleo do tipo Brent no patamar de US$ 35 o barril”, diz nota enviada pela empresa.

 

A empresa de telefonia TIM está confiante no seu plano para este ano, de R$ 4,4 bilhões. “As telecomunicações, justamente por causa da pandemia, ganharam um espaço ainda maior no dia a dia, com a conectividade passando a ser indispensável justamente por regras eventualmente mais rígidas de distanciamento social”, afirmou a empresa em nota.

 

A Aura Minerals não planeja alteração do cronograma, “uma vez que protocolos rígidos foram implementados ao longo da pandemia”. A expectativa da mineradora é dobrar o investimento, para R$ 551,2 milhões (US$ 104 milhões).

 

A Ultrapar, que atribui o aumento de 27% na projeção, para R$ 1,89 bilhão, à retomada do crescimento da economia brasileira, diz que tudo “segue conforme planejado”. A empresa prevê expansões na Ipiranga, na Ultracargo e Ultragaz, assim como manutenção, renovação, tecnologia e segurança.


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