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Mulheres lideram ações para maior eficiência em portos e terminais e mostram compromisso de liderar pelo exemplo e criar mais oportunidades de inclusão


Fonte: Fórum Brasil Export (12 de março de 2021 )

 

O Conselho Feminino do Brasil Export promoveu nesta terça-feira, 9 de março, o segundo webinário da Semana da Mulher. Foi um encontro repleto de empatia, inspiração e grandes histórias de trajetória profissional. Participaram da iniciativa Mayhara Chaves, presidente da Associação Brasileira de Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), diretora-presidente da Companhia Docas do Ceará e presidente do Conselho Feminino, Patricia Dutra Lascosque, Superintendente Institucional de Logística da Suzano e Presidente do Conselho Diretor da Associação de Terminais Privados (ATP), Ana Paula Calhau, diretora de Gestão Comercial e Desenvolvimento da Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), e Gilmara Temóteo, diretora-presidente do Porto de Cabedelo.

 

Elas falaram sobre os desafios da gestão de portos públicos e de terminais privados no Brasil. Entre os assuntos abordados destacaram-se a identificação de políticas públicas para aumentar a competitividade das operações, a busca pelo aprendizado contínuo para acompanhar as mudanças normativas e avanços tecnológicos e a necessidade de aprimorar o diálogo para viabilizar parcerias entre as esferas pública e privada. Também foram debatidas formas de proporcionar mais oportunidades para que mulheres ocupem cargos operacionais, de gestão e “no topo da pirâmide”.

 

A moderação ficou a cargo de Fernanda Pires, superintendente de Comunicação Corporativa da Santos Port Authority. Ela resumiu o espírito de todos que participaram do webinário: “Tenho certeza que mudamos o mundo pelo exemplo e me sinto inspirada e revigorada em poder moderar esse debate”.

 

Ana Paula Calhau iniciou enfatizando os desafios enfrentados por gestores de portos e terminais desde o início da pandemia de Covid-19 e o bom trabalho que resultou na continuidade das operações portuárias e no pleno abastecimento do País. Ela ressaltou o papel dos gestores em participar da criação de políticas públicas para o desenvolvimento da economia nacional e de informar ao mercado externo as vantagens competitivas e qualidades dos produtos e serviços oferecidos pelo Brasil.

 

A política de manter diálogo permanente com todo o setor implantada na Codeba foi outro fator destacado por Ana Paula, que também fez observações sobre o potencial de desenvolvimento do Porto de Aratu no sentido de proporcionar maior competitividade à indústria petroquímica. A Companhia recebeu recentemente holofotes em caráter nacional após o anúncio de que um plano de desestatização será elaborado até o próximo ano. Sobre sua trajetória profissional, a diretora da Codeba contou que desde criança conviveu em ambientes muito masculinizados e que foi atleta de natação na juventude, experiência a qual atribuiu o aprendizado sobre trabalhar em equipe e ser competitiva.

 

“Apesar de estar há tantos anos nessa estrada, a gestão de portos continua sendo uma atividade desafiadora”, confidenciou Gilmara Temóteo. Ela emendou indicando a necessidade de acompanhar as mudanças normativas, tecnológicas e econômicas para que o gestor alcance o desempenho exigido por este ramo tão competitivo. “É uma atividade apaixonante e que convida a estar o tempo todo inovando”.

 

Entre os principais desafios gerados pela função que ocupa, a presidente do Porto de Cabedelo destacou a atração de investimentos privados, a criação de um ambiente que propicie modernização das operações, transparência na gestão pública, destravar e desburocratizar processos. Gilmara disse que a comunidade portuária local está vencendo gargalos históricos de infraestrutura com parcerias entre as esferas públicas e privadas e que esse sucesso também deve ser atribuído à equipe administrativa do Porto, com 50% dos cargos ocupados por mulheres, incluindo a chefia de gabinete e a gerência financeira.

 

Presidente do Conselho Feminino, Mayhara Chaves disse estar muito feliz com a iniciativa pois sua história profissional está conectada a todas as demais participantes. Contou detalhes de sua infância e confidenciou ter um histórico masculinizado pelo fato de seu pai ter trabalhado como caminhoneiro e como proprietário de oficina mecânica. “Eu vivia embaixo de carro quando criança. Assim, sempre quis ser engenheira, não tive dúvida alguma”. Mayhara relatou que sofreu muita resistência por ser mulher e, especialmente, jovem quando ocupou cargos públicos de relevância e que a forma de contornar a desconfiança foi transmitir segurança e propriedade do que falava.

 

Ter uma equipe competente, ressaltou a presidente da Docas do Ceará, é o principal fator para um bom desempenho. Ela usou o crescimento dos indicadores da Companhia de 2019 para 2020 (EBITDA +254,35%, receitas +13,49% e movimentação de cargas +12%) para justificar o bom trabalho realizado pela direção. São índices, observou Mayhara, inimagináveis para uma Companhia que não conseguia pagar as próprias contas, inclusive de energia, em um passado recente. Ela concluiu reforçando a importância do Conselho Feminino divulgar suas ações e mostrar a jovens mulheres que é possível almejar cargos de gestão no setor de infraestrutura, um ambiente outrora exclusivamente masculino.

 

Membro de conselhos de grandes associações, tendo exercido papel fundamental para implantação de boas práticas no setor logístico e ocupante de cargo de alta relevância em uma empresa do porte da Suzano, Patricia Lascosque tem uma história inspiradora. Ela detalhou os obstáculos para fazer com que a produção de celulose chegue de forma eficiente aos portos, a complexidade para atender à emaranhada legislação relativa ao segmento, os longos processos de obtenção de licenças necessárias para as operações e a determinação para vencer as amarras que ainda existem nos portos brasileiros, afinal a Suzano opera em terminais públicos e também privados, como o Portocel, onde iniciou sua trajetória como Gerente de Planejamento.

 

A Suzano exporta celulose e papel para mais de 80 países e, por isso, administra frota de caminhões, terminais privados e ativos ferroviários. Segundo Patricia, a corporação exige de seus profissionais uma atuação dentro da lei e de acordo com as exigências dos órgãos reguladores. Sobre os desafios enfrentados por ser mulher, ela alertou ainda existir muito preconceito “disfarçado e desapercebido” no ambiente de infraestrutura. “A gente não pode errar. Mulher não pode errar. E quando é mais incisiva ouve piada que está precisando de homem na vida. São muitos os estereótipos com que temos que tomar cuidado, afinal lideramos pelo exemplo”. Patricia concluiu assegurando a importância de criar mecanismos que viabilizem maior diversidade em associações e na iniciativa privada e disse ter o compromisso de sempre analisar pelo menos 50% de currículos de pessoas negras, indígenas e de mulheres quando há concorrência por uma vaga de trabalho.


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