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Preço da celulose na China pode chegar a nível recorde


Fonte: Valor Econômico (10 de março de 2021 )
Rafael Barcellos, analista do Santander: Ciclo de alta da celulose pode ser mais longo que o esperado e entrar em 2022 — Foto: Silvia Zamboni/Valor

Menos de um ano depois de terem tocado a mínima histórica, os preços da celulose de fibra curta caminham para alcançar níveis recorde na China, suportados pela demanda aquecida, estoques limitados ao longo do sistema, frete mais caro e pela substituição da fibra longa, matéria-prima mais cara cuja oferta a partir de fábricas no Hemisfério Norte segue limitada. Somente em março, os aumentos aplicados pelos produtores, em todas as regiões, vão de US$ 90 a US$ 120 por tonelada.

 

Com reajustes mensais, a escalada da celulose em 2021 desencadeou a revisão, para cima, das expectativas de preço. Na avaliação de analistas que acompanham a indústria, o bom momento deve perdurar ao menos até meados deste ano. Para o analista Rafael Barcellos, do Santander, o ciclo de alta pode ser ainda mais prolongado e, diante da relação entre oferta e demanda deficitária projetada para este ano, pode se estender até 2022.

 

“Acreditamos que a demanda mais forte, estoques inferiores e o dólar mais fraco podem sustentar a celulose em níveis mais elevados de preço. Além disso, a ausência de novas capacidades nos próximos trimestres pode manter o mercado vulnerável a choques inesperados de oferta”, aponta Barcellos. Em um amplo relatório sobre o setor, o Santander elevou de US$ 520 para US$ 640 por tonelada a estimativa de preços da fibra curta para 2021 e de US$ 555 para US$ 610 por tonelada em 2022.

 

Para a China, diferentes produtores de celulose de eucalipto, entre os quais as brasileiras Suzano e Klabin, anunciaram na última semana de fevereiro reajuste de US$ 120 por tonelada, elevando o preço válido para aquele mercado a partir de março a US$ 720 por tonelada. Na Klabin, segundo o diretor do negócio de celulose, Alexandre Nicolini, o preço líquido anunciado para este mês é de US$ 730 por tonelada.

 

Para Europa e América do Norte, os aumentos anunciados pelos produtores foram de US$ 90 por tonelada e US$ 100 por tonelada, respectivamente, considerando-se os valores que haviam sido reportados para fevereiro. Com esse reajuste, o preço no mercado europeu subiu a US$ 910 em março, e a US$ 1.140 no mercado americano.

 

De acordo com os analistas Marcio Farid, Rodolfo Angele e Lucas F. Yang, do J.P. Morgan, há expectativa de que novos reajustes sejam anunciados para abril, levando a tonelada de fibra longa para a casa dos US$ 1 mil na China. “Se isso se materializar, os preços da fibra curta podem testar altas históricas e subir acima de US$ 800 por tonelada em breve”, escreveram.

 

Na sexta-feira, a Fastmarkets Foex mostrou que o preço da fibra curta avançou US$ 97 no mercado chinês em uma semana, chegando a US$ 714,50 por tonelada – confirmando que o mais recente reajuste está sendo aplicado. Na fibra longa, o aumento foi de US$ 91, para US$ 939,40 por tonelada. Ontem, a consultoria indicou que o preço da fibra curta no mercado europeu subiu US$ 43,80, para US$ 826,74 por tonelada. Na fibra longa, a alta detectada foi de US$ 58,05, para US$ 1.029,85 por tonelada.

 

Para os analistas Daniel Sasson, Ricardo Monegaglia, Edgard Pinto de Souza e Barbara Angerstein, do Itaú BBA, os fatores que resultaram na atual dinâmica de preços devem permanecer no curto prazo, abrindo espaço para novos reajustes. “É importante ressaltar que os fabricantes de papel foram capazes de repassar a maior parte da inflação do custo da fibra, mantendo margens saudáveis”, observaram, em relatório de ontem. Comparando os diferentes preços por região, os analistas avaliam que o aumento deve ser aplicado no mercado europeu já que o spread em relação à cotação na China está bem acima dos níveis normais.

 

Na esteira da revisão dos preços projetados para a celulose e da expectativa para oferta e demanda da matéria-prima, além de ajustes em premissas macroeconômicas, o Santander elevou de neutro (“hold”) para compra a recomendação para as ações de Suzano e subiu em 67% o preço-alvo para as ações da companhia, de R$ 57 para R$ 95 cada. Para a Klabin, o banco manteve recomendação de compra, mas elevou em 12,5% o preço-alvo da unit no fim do ano, para R$ 36.

 

Diante das novas premissas, o Santander projeta agora resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) para a Suzano de R$ 24,6 bilhões em 2021, frente a R$ 16,2 bilhões anteriormente, aumento de 51,4%. No caso da Klabin, a estimativa de Ebitda passou de R$ 5,9 bilhões para R$ 6,8 bilhões.

 

Sobre Suzano, Rafael Barcellos diz que a nova preferida do banco nesse setor na América Latina vai se beneficiar dos preços melhores do que o esperado para a celulose tanto em geração de caixa quanto em desalavancagem financeira, o que permitirá que siga em frente com projetos de expansão. Ao fim do ano, o banco projeta alavancagem de 3 vezes para a companhia e um novo projeto de celulose pode ser avaliado em R$ 6,50 por ação.


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