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Como lidar com a perda do sobrenome corporativo


Fonte: Valor Econômico (4 de março de 2021 )

A sociedade em que vivemos continua muito centrada na busca, individual e coletiva, de modelos focados no sucesso, felicidade, realização, reconhecimento, e autoestima. Desde a infância até a fase adulta somos bombardeados por mensagens, orientações, gurus, educadores, modelos, autoajuda, mentores, filosofias, religiões, heróis, personagens, familiares e outros tantos profissionais que tentam nos conquistar com a oferta de receitas milagrosas. Fórmulas que prometem aumentar nossa autoestima por meio do sucesso e de um modelo de felicidade, como um estado permanente.

 

Exceções no mercado tem sido o destaque que alguns filósofos, historiadores, sociólogos ou antropólogos vem ganhando. Com uma visão e abordagem mais crítica, eles alertam para os riscos desses modelos, aparentemente encantadores, de um mundo fantasioso e artificial. Tanto no nível individual como coletivo.

 

Interessante registrar que com o surgimento da pandemia e o uso intenso de recursos de comunicação virtual esse quadro se ampliou. Especialmente porque houve um crescimento nos índices de depressão, ansiedade, solidão, suicídios e a dificuldade que muitos têm apresentado para lidar com o isolamento.

 

Este panorama colocou no mercado um aumento impressionante das ofertas de autoajuda eletrônica e com novos encantos. Poucos são os que falam da importância e das formas de lidar com o fracasso. Ou até mesmo a compreensão de que tanto o sucesso, como a felicidade, não são estados permanentes, mas sim buscas constantes. E que os mesmos são caracterizados por muitos altos e baixos, ao longo de todo o nosso processo da busca por algum sentido para nossa existência.

 

Um registro interessante que a pandemia desnudou foi a quantidade de pessoas procurando algum espaço de exposição e reconhecimento por meio de ‘lives’ e outras formas para se tornar uma pessoa pública. Uma clara demonstração da dificuldade de conviver com o anonimato. Mas o que desejo destacar nessa crônica é uma constatação que já havia feito desde a década 80, quando iniciei processos de “Pós-Carreira”, ou seja, preparação de altos e médios executivos para lidar com a aposentadoria.

 

Estou me referindo ao ostracismo. Falo da capacidade de lidar com o anonimato, depois de um longo período de destaque no mundo corporativo, encontrando um novo projeto de vida que preserve a autoestima, além de novos sentidos para a vida. E vale registrar que todo esse processo inclui a criação de uma nova ‘identidade’, considerando que uma das perdas mais sentidas é a do ‘sobrenome corporativo’. Principalmente porque, em muitos casos, a pessoa se tornou, apenas um ‘ex’.

 

A nossa sociedade está repleta de exemplos de ostracismo mal resolvidos. Artistas, políticos, esportistas, executivos, empresários, governantes, líderes comunitários ou mundiais e tantos outros atores têm demonstrado muita dificuldade de lidar com a falta de brilho, reconhecimento e visibilidade pública.

 

Da mesma maneira como as pessoas se preparam, ou são educadas para se destacar, necessitam encarar um processo que as prepare para um eventual anonimato e, mais ainda, o ostracismo. E este é um processo que deve ser assumido de forma individual, de preferência enquanto ainda estão com alta visibilidade. Ou já percebendo a queda da sua autoestima.

 

Este alerta cabe ainda mais numa sociedade de consumo onde a cada dia se fala na importância dos “15 minutos de exposição pública”. Não nos faltam instrumentos para este encaminhamento, tais como os fornecidos pela literatura, artes, cinema, teatro e meios de comunicação que estão mais centrados numa visão crítica da nossa sociedade e seus modismos.

 

Fica aqui registrado apenas um alerta sob a forma de provocação. Cabe a cada um realizar as próprias reflexões.


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