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Covid derruba preço de passagem


Fonte: Valor Econômico (3 de março de 2021 )
Pandemia esvaziou os aeroportos: total de passageiros transportados no ano passado caiu 52,5% em relação a 2019 — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo

 

A crise provocada pela covid-19 no setor de viagens levou o preço médio da tarifa aérea em 2020 ao menor patamar desde o início da série histórica da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 2002. O valor médio cobrado pelas companhias aéreas no Brasil foi de R$ 376,29, uma queda de 14,5% sobre os R$ 439,89 de 2019.

 

Segundo especialistas e representantes do setor, a retração foi resultado da forte queda na demanda, na esteira das medidas de isolamento social tomadas para conter a pandemia. A recomposição do preço deve ganhar força apenas com o fortalecimento da campanha de vacinação, que ainda patina no Brasil.

 

Segundo levantamento da Anac, 9% das passagens aéreas foram vendidas, no ano passado, com tarifas abaixo de R$ 100 e 53% com valor inferior a R$ 300. Em 2019, o percentual de bilhetes de menos de R$ 100 representou 5,5% do total, enquanto 44,3% foi inferior a R$ 300.

 

“Só veremos uma recuperação de tíquete médio e da demanda na medida em que a vacinação se tornar um fato massificado”, disse o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz.

 

Ele lembrou que a demanda no mercado interno tem crescido, com ocupação das aeronaves perto de 80% hoje. “Mas o que vemos voltar até agora é o passageiro de lazer, que paga um bilhete menor. O passageiro de negócios ainda não voltou”, disse. A nova onda de contaminação por covid-19, com a volta de medidas de isolamento, tem segurado a retomada.

 

No quarto trimestre, a tarifa aérea doméstica apresentou retração de 8,3% sobre o mesmo período de 2019, vendida por R$ 412,90.

 

Em 2020, a Gol teve o menor valor médio praticado entre as principais empresas do mercado doméstico, de R$ 347,58 – recuo de 16,9% sobre o ano anterior. Em seguida, vieram a Latam, com valor médio de R$ 359,50 e redução de 13,4%, e a Azul, com R$ 436,90, 13,3% menos que um ano antes.

 

Sanovicz destacou ainda que, no lado dos custos, o setor continua em xeque. Hoje o câmbio é a linha no bloco de contas que traz mais desafios, afirmou. A moeda rege cerca de 50% das despesas das aéreas, como manutenção de aeronave, seguro e arrendamento.

 

Na média, a taxa de câmbio no quarto trimestre foi 31,1% superior ao mesmo período de 2019. Ontem, o dólar chegou a tocar os R$ 5,73. O avanço colocou o real como a divisa de pior desempenho do dia.

 

“O querosene de aviação no Brasil segue, em média, 40% mais caro do que o americano ou o europeu. O setor segue com desafios grandes pela frente. Há uma necessidade, uma obrigação, de ser extremamente disciplinado em reduzir custos”, acrescentou.

 

Durante a pandemia, o preço do petróleo caiu e trouxe certo alívio ao setor aéreo. O querosene de aviação, que corresponde a cerca de 30% dos custos e despesas operacionais das companhias, fechou o quarto trimestre de 2020 com preço médio 18,6% inferior ao verificado um ano antes. A retomada da atividade econômica, entretanto, tem sustentado a commodity neste início de ano, puxando junto os preços do combustível.

 

O advogado Ricardo Fenelon, ex-diretor da ANAC e fundador do escritório Fenelon Advogados, explicou que a conta para definir o preço das passagens é bastante complicada e envolve fatores como o petróleo e o dólar. “O cálculo é complexo, mas em 2020 o resultado foi simples. A variável demanda simplesmente sumiu”, disse. O desafio hoje das aéreas é conseguir administrar uma capacidade muito superior à demanda dos clientes. Fenelon observou que enquanto os bilhetes estão mais baratos, o componente custo tem pesado no bolso das empresas.

 

Por causa da pandemia, a oferta de voos no Brasil em abril de 2020 chegou a representar 8% do registrado em igual mês de 2019. No acumulado do ano, em comparação com 2019, a oferta apresentou retração de 47% no mercado doméstico. O total de passageiros transportados caiu 52,5% – menor patamar desde 2006, segundo a Anac.


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