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Agronegócio brasileiro é avaliado por especialistas e um dos focos é o seu papel como fornecedor mundial


Fonte: FIESP (3 de março de 2021 )
O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV Eaesp), Marcos Fava Neves, foi um dos expositores do Cosag e apresentou as perspectivas econômicas no Brasil e no mundo. Fotos: Karin Kahn/Fiesp

 

Em reunião exclusiva, na Fiesp, para os membros do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) nesta segunda-feira, 1º/3, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, apresentou as perspectivas econômicas no Brasil e no mundo.

 

O impacto econômico da segunda onda da Covid-19 foi menor do que a primeira onda até o momento, contudo a renovação do auxílio emergencial deverá usar créditos extraordinários (não sujeitos ao teto de gastos). O governo só pode criá-lo em razão urgente e imprevista. Na pandemia é urgente, mas não é prevista, na avaliação do especialista.

 

Ao se olhar para o dólar, o crescimento global e as commodities ajudam a conter a moeda. Para Mesquita, a inflação sofre pressão temporária neste cenário. Por outro lado, o preço da alimentação subiu, devido à canalização de consumo de bens e alimentos. Segundo Mario, a inflação vai seguir pressionada o ano todo.

 

“O Banco Central vai começar a subir a taxa de juros (Selic) em março, já que a taxa Selic em 2% levaria a inflação acima da meta (3,5%) em 2022. É um ajuste importante para segurar as expectativas, ainda mais que devemos ter outra rodada de auxílio emergencial”, explica o economista.

 

Em relação ao agronegócio, na visão econômica e de longo prazo, segundo o economista-chefe, apesar de um ano de recessão, o setor deve crescer cerca de 2% este ano.

 

Como o Brasil vem se consolidando como fornecedor mundial?

As perspectivas para o agronegócio brasileiro, dentro do cenário mundial, são de oportunidades como fornecedor, principalmente para o biocombustível, segundo levantamento feito pelo professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (Fea-RP/USP) e da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV Eaesp), Marcos Fava Neves, o segundo expositor do Cosag. 

 

De acordo com Neves, existe uma visão mais estratégica para trabalhar o agronegócio diante da economia global, como acontece com os Estados Unidos, onde as importações de produtos agrícolas cresceram 6 bilhões de dólares. A estratégia que o Brasil tem de tomar para beneficiar não só empresas, mas pessoas, é incentivar as cadeias produtivas, como já tem feito neste período, vide o crescimento forte nos últimos anos.

 

Ainda de acordo com a expectativa do expositor, com a soja, por exemplo, o Brasil atinge 50% no mercado mundial, já no algodão, 23% no mercado mundial, em 2021, e talvez possamos chegar nos próximos anos a passar os EUA, quantitativamente. Lembrando que, qualitativamente, o País está no caminho para se posicionar como o algodão mais sustentável do mundo.

 

Outro caso é o milho brasileiro, que alcança 22% das exportações, do ano passado até o momento. Isso representa uma vantagem na importação, diluída em vários países, e contar  também com a retomada da força do etanol de milho com perspectiva de 8 bilhões de litros até 2030, uma expectativa de investimentos. O frango não teve um salto representativo desde 2020, mas o Brasil abriu distância para os Estados Unidos, o que representa uma perspectiva grande de crescimento. A carne bovina brasileira ocupa 25% do mercado mundial com boa distância do segundo país, os EUA.

 

Destaque para o histórico suco de laranja originário do Brasil, que representa quase 80% do mercado mundial. Foi o produto que mais avançou no mercado. O maior crescimento de market share, no ano passado, ficou com o açúcar, perto dos 50% do mercado global, segundo números apresentados por Neves.

 

Perspectiva para os próximos 20 anos

Para Neves, os próximos 20 anos representarão oportunidades, baseado em dados da Food Price Index FAO, que levanta um ponto de atenção sobre o aumento do consumo numa escala contínua, enquanto a produção segue como escada, devido a problemas climáticos e de preço. A FAO mostra que a América Latina e o Caribe devem reforçar sua posição de principal fornecedor mundial de commodities agrícolas, com crescimento médio nas exportações líquidas de 1,7% ao ano, enquanto a América do Norte deve expandir em ritmo mais lento, 1,3% ao ano.

 

A expectativa das “importações de soja, milho, suíno e frango até 2029 são todas favoráveis. E a bioenergia está voltando com força total, na retomada da economia e alta do petróleo. A China, por exemplo, precisa de área e investimento, o que abre espaço para grão e exportação de milho do Brasil”, avaliou.

 

A Índia, com seu problema gravíssimo de poluição, avança no biocombustível, substituindo parte da gasolina por etanol. Na Europa e no Canadá, 15% do combustível são renováveis, segundo informou o professor, que acredita que o novo governo norte-americano deve ser mais favorável ao biocombustível, devido à volta dos EUA nas reuniões de mudança climática, as  COPs.

 

O Brasil precisa cada vez mais agir e assumir o cargo de fornecedor sustentável no mundo para ter chances de crescer, na avaliação dele. Esse é o posicionamento proposto como fornecedor sustentável de alimentos, biocombustíveis e outros agro-produtos, que passa por custos, pela busca incessante de diferenciação e pelo cooperativismo, disse Neves, que salienta que falta cooperação no Brasil para avançar no mercado internacional como força única.

 

O acadêmico destaca também que a inteligência do agro está no food service, o prato pronto, que para o exterior é uma grande oportunidade. Entretanto, o processo de agregação de valor não está aberto só para o Brasil, é preciso monitorar a Rússia e a África, assim como tecnologias de impressão de bife em 3D.

 

Energia renovável como forte indicador para o Brasil

A agenda sustentável é definitiva no mundo. O Brasil, dentro desse modelo de fornecedor mundial sustentável, tem o forte indicador de energia renovável em sua matriz energética, sendo o segundo maior produtor do mundo, atrás apenas da Suécia.

 

Neves conclui que o Brasil precisa enfatizar esses indicadores em busca de recursos verdes. Outros índices dizem respeito ao uso de biocombustível na matriz, a emissão per capita baixa de Gases de Efeito Estufa (GEE), a cobertura do território com florestas ou vegetação original, mostras de reflorestamento e desmatamento ilegal, mais a força que tem o Código Florestal brasileiro, como também as inovações e o uso de tecnologias limpas, afirmou, em sua conclusão.


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