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Clima e demanda dão suporte a commodities


Fonte: Valor Econômico (1 de março de 2021 )

 

O bom humor dos mercados em relação a ativos de risco, a demanda ainda firme por alimentos no mercado internacional e adversidades climáticas ajudam a manter as principais commodities agrícolas exportadas pelo Brasil com preços elevados nas bolsas de Chicago e Nova York.

 

Cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega, geralmente os mais negociados, mostram que, em Chicago, soja e milho fecharam fevereiro com altas da ordem de 50% e 40% em relação ao mesmo mês de 2020, respectivamente. Na bolsa de Nova York, na mesma base de comparação, também aparecem com valorizações expressivas açúcar (10%), suco de laranja (15%), café (20%) e algodão (30%).

 

Como já informou o Valor, também estão em ascensão commodities como petróleo e cobre, em um movimento que, para muitos analistas, pode ser considerado o início de um novo “superciclo”. Em relatório divulgado no dia último dia 10, o banco J.P. Morgan indicou que esse superciclo é sustentado pela expectativa de recuperação da economia mundial (desde que domada a pandemia), por políticas monetárias e fiscais mais frouxas, pelo dólar mais fraco e pelo aumento da inflação.

 

Destaque entre os países em recuperação, a China, com seu processo de expansão da produção de carnes suína e de frango, tem sido fundamental para as disparadas de soja e milho, que também encontraram suporte em problemas climáticos na América do Sul e, mais recentemente, também nos Estados Unidos.

 

Segundo o Valor Data, o valor médio dos papéis de segunda posição da soja registrou em fevereiro o nono mês consecutivo de altas e chegou ao maior patamar desde maio de 2014 na bolsa de Chicago. Em relação ao mesmo mês de 2020, o aumento é de mais de 53%, e, na comparação com fevereiro de 2016, o avanço é de cerca de 60%.

 

A trajetória do milho é semelhante: nove meses seguidos de valorizações, para um pico mensal que não se via desde junho de 2013. Na comparação com fevereiro de 2020, a alta do mês passado foi de cerca de 43%. O platô atual é quase 50% superior ao observado no início de 2016.

 

Países como Estados Unidos e Brasil, grandes produtores e exportadores de ambos os grãos, têm sido particularmente beneficiados pelas espirais de valorização. O movimento é um estímulo para ampliações de plantio e para a retomada econômica em grandes regiões produtoras como o Meio-Oeste americano e o Centro-Oeste brasileiro – que conta, de quebra, com o câmbio favorável às exportações.

 

As “soft commodities” negociadas em Nova York registram valorizações menores, mas nem por isso desprezíveis. Contribuem para a alta dos preços a expectativa de recuperação da economia global e problemas climáticos, especialmente no Brasil. Na outra ponta, o risco de a pandemia seguir travando a recuperação da economia limita o avanço das cotações. O ritmo da atividade econômica já se mostrou vital para a manutenção das demandas por produtos como açúcar, café e algodão.

 

No mercado de algodão, a média dos contratos de segunda posição de entrega subiu em fevereiro pelo décimo mês seguido e chegou a seu maior patamar desde junho de 2018. Em relação a fevereiro de 2020, o aumento foi de cerca de 30%, e na comparação com fevereiro de 2016, de 50%.

 

No caso do café, a sequência de altas das cotações médias chegou ao quarto mês seguido, para um nível mais de 20% superior ao de fevereiro do ano passado. No grão, o movimento é de recuperação depois de quedas profundas nos últimos anos, daí porque em relação a fevereiro de 2016 a alta é menor, de cerca de 8%. A curva do açúcar é parecida, com valorizações de pouco menos de 10% em comparação com fevereiro de 2020 e de 20% em relação a fevereiro de 2016.

 

Já o suco de laranja destoa dessa tendência. O produto valorizou-se no início da pandemia por ser associado por consumidores a uma boa proteção contra a covid-19 (não há evidências científicas que confirmem essa “impressão”), e agora os preços estão em fase de acomodação. Mas os patamares atuais são inferiores aos verificados na maior parte da década passada. Em relação a fevereiro de 2016, a queda se aproxima de 15%.


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