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‘Nossa matriz de transporte é desbalanceada’, diz Fabio Schettino, Presidente da Hidrovias do Brasil


Fonte: O Estado de SP (23 de fevereiro de 2021 )
Futuro para Schettino – pandemia deixou aprendizados

 

O ano de 2020 foi desafiador para a economia, mas a Hidrovias do Brasil usou o período para comprovar teses. A empresa de logística integrada, que estreou na B3 em setembro do ano passado movimentando R$ 3,4 bilhões, conseguiu não somente crescer em um ano atípico, mas também provar sua estratégia de se expor em setores que sofrem menos com crises macroeconômicas. “Operamos com agronegócio, grãos, minério de ferro, minério de bauxita e com papel e celulose, que foram muito bem na crise”, diz Fabio Schettino, presidente da Hidrovias do Brasil. A seguir, os principais trechos da entrevista:

 

A Hidrovias reestruturou a dívida, mas sem alterar significativamente o montante original. Em que medida isso vai beneficiar a empresa?

O que nos propusemos a fazer foi uma recompra antecipada dos bonds (títulos) que venciam em 2025. A partir daí, emitimos uma dívida nova. Com essa captação, nós pagamos a recompra, só que em condições mais favoráveis, tanto do ponto de vista de prazo como de custo. Isso é muito favorável para a gestão de caixa da companhia. Para o acionista, é muito bom porque gera valor para a empresa ter uma dívida mais longa e, principalmente, mais barata. Esse movimento nos coloca preparados para o próximo ciclo de crescimento, à medida que geramos muito fluxo de caixa livre.

 

Depois de quase um de pandemia, o que a Hidrovias tira de lição desse período?

Vamos deixar para trás uma série de desafios, mas vamos carregar para o futuro uma série de aprendizados também. Eu digo internamente que não há nada como uma boa crise para provar fundamento. O nosso negócio foi plenamente testado nessa pandemia. A companhia cresceu bastante no ano passado, mesmo sujeita a um ambiente extremamente complexo. De janeiro a setembro, em um período comparado com o mesmo do ano anterior, o faturamento cresceu mais de 50%. Tudo isso em meio a uma situação muito delicada. Isso mostra a resiliência dos fundamentos da companhia.

 

Quais fundamentos?

Os setores que nós operamos são poucos correlacionados com o PIB do Brasil. Operamos com agronegócio, grãos, minério de ferro, minério de bauxita e com papel e celulose, que foram muito bem na crise. A estratégia foi ampliar a exposição em setores que sofrem menos com essas crises macroeconômicas. Por outro lado, são setores onde o País atua como um player global. O Brasil continuou sendo o grande provedor de grãos, de minério e papel e celulose para o mundo, mesmo durante a pandemia. Mas os fundamentos operacionais também são importantes. A companhia tem ativos de primeiríssima qualidade, com um nível de produtividade muito alto. Em situações de crise, isso acaba sendo uma vantagem competitiva.

 

O sr. está otimista com a retomada econômica em 2021?

Estamos extremamente otimistas, porque 2021 é um ano muito promissor para a companhia. O agronegócio, a mineração e o papel e celulose vão continuar crescendo muito. A companhia está com a sua capacidade praticamente toda tomada este ano. Obviamente que um ambiente macroeconômico mais favorável e uma situação de saúde pública mais administrada sempre ajuda.

 

Há expectativa com investimentos do governo em infraestrutura?

Um exemplo concreto é a pavimentação da BR-163, que na sua primeira fase foi pavimentada e trouxe um ganho de competitividade muito grande para o Arco Norte. O próximo passo agora é a concessão da BR-163. Na sequência, esperamos que o governo, que tem dito abertamente que incentiva o projeto, viabilize a (ferrovia) Ferrogrão. No nosso entendimento, isso traria competitividade para o corredor Norte.

 

O que precisa ser feito para aumentar os modais de transporte no País?

O Brasil tem uma matriz de transporte muito desbalanceada e concentrada no caminhão e na rodovia. O caminhão é e sempre vai ser importantíssimo, mas não para longas distâncias. É uma distorção um caminhão rodar com 40 toneladas por 2,5 mil quilômetros. Isso não faz sentido. Quando olhamos as teses ferroviárias e hidroviárias no Brasil, elas visam à mesma coisa: melhorar a matriz de transporte, torná-la mais eficiente e ambientalmente mais amigável.


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