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Se você trabalha enquanto dorme o expediente nunca acaba


Fonte: Valor Econômico (18 de janeiro de 2021 )

Se você é daquelas pessoas que encosta no travesseiro e pega no sono imediatamente pode achar que o que vou dizer aqui é pura bobagem. Já as milhares de pessoas que andam com o sono comprometido durante a pandemia vão concordar comigo: não tem sido fácil se desligar. Alguns estudiosos já arranjaram um nome para isso, estamos sofrendo de “coronosomnia”.

 

Antes da pandemia, 35% da população mundial já havia experimentado algum tipo de distúrbio no sono, segundo a Academia Americana de Medicina do Sono. Os males que esse déficit de sono causam nos profissionais vem sendo estudados há anos, mas parece que agora essa abstinência de sossego está se agravando.

 

Alguém pode dizer que perder o sono é natural de quem envelhece e, não estará totalmente errado, mas essa insônia causada pela preocupação com o trabalho é contemporânea e não tem idade certa para se padecer com ela. Está provado que com menos horas de sono a concentração diminui, a imunidade baixa, o humor piora, a irritabilidade aumenta, se perde agilidade e o trabalho pode ficar comprometido. No entanto, ninguém escolhe ficar acordado para ver aquele filminho de problemas rodando na cabeça no ritmo do tic tac do relógio.

 

Tentar ajudar a humanidade a voltar a dormir tranquila é uma causa que tem motivado um grupo de ativistas do sono. Arianna Huffington é uma delas. Em sua consultoria, a executiva defende que o grande vilão do nosso estresse noturno é o celular. Tirar o aparelho do quarto, segundo ela, pode dar início à recuperação da sua tranquilidade. Mas os pensamentos, aqueles que ficam martelando quando você fecha os olhos, mesmo estando de venda e tapa-ouvido, esses você não pode colocar para fora do quarto.

 

Com a intenção também de ajudar as pessoas a espantarem suas paranóias corporativas, viraram estrelas nessa pandemia os aplicativos que ajudam a dormir e relaxar. São barulhos de fonte, gatinhos, vento, chuva, lareira e até de lavanderia à meia noite. Confesso que essa última modalidade eu acho meio estranha. Provavelmente trata-se da simples tradução de um hábito bem americano em uma adaptação tosca à nossa cultura, mas tudo bem. Há quem se identifique. Tem também aquela voz meio fake, meio celestial, que te guia por becos escuros, praias desertas ou faz a contagem regressiva da sua respiração. Existe um grande esforço tecnológico para te induzir ao sono.

 

São quase 2 mil apps especializados em relaxamento circulando no mundo, que juntos somam mais de 100 milhões de downloads, número que continua a subir vertiginosamente enquanto continuamos reféns da covid-19. Para usá-los, no entanto, é preciso estar com o celular ao lado da cama, com o fone de ouvido ou acionar a TV e, sinceramente, nenhuma dessas opções me parece muito confortável.

 

Trabalhar dormindo é outro problema de quem encerra apenas artificialmente o expediente. O sono chega, mas as tarefas continuam pingando feito a torneira da pia mal fechada. Já conversei com colegas jornalistas que, assim como eu, sonharam com títulos de matérias e acordaram no meio da noite para anotar com medo de esquecê-los. Músicos já me disseram que conseguiram compor dormindo.

 

E há quem prefira ficar acordado apenas por birra. Li recentemente uma matéria da BBC que dizia que jovens chineses, inconformados com o fato de estarem trabalhando 24 por sete, ou seja, quase sem parar, preferiam ficar sem dormir para ter um pouco de vida pessoal, navegar na internet ou simplesmente fazer o que bem entendessem. Como são jovens, essa privação do sono talvez não prejudique seus expedientes no dia seguinte. O que incomoda nesse caso é pensar que o trabalho seja tão invasivo que ficar acordado sem trabalhar possa se tornar um ato de protesto.

 

Enquanto espero voltar a dormir feito um bebê nas minhas férias, experimento uma tática antiga e usada pelos meus tataravós. Escolho o maior livro da estante para me fazer pegar no sono. Este mês, tentei um com 736 páginas, na esperança de que a perspectiva de segurar aquele peso enorme na cama e de ter um longo caminho para chegar até o fim, me ajudasse a adormecer. Que nada, terminei o tal livro. Resoluções de ano novo: tentar novamente o ronca-ronca da lavanderia à meia-noite.


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