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Restrições ameaçam levar Europa a uma nova recessão


Fonte: Valor Econômico (18 de janeiro de 2021 )

As restrições cada vez maiores dos países da zona do euro para enfrentar a pandemia do coronavírus desaceleraram a atividade econômica de forma significativa e alimentam os temores de que o bloco está diante de uma recessão com dois períodos de queda acentuada, de acordo com indicadores alternativos.

 

Os deslocamentos para lojas do varejo e locais de trabalho e de hospedagem, assim como a confiança e os gastos do consumidor, sofreram um impacto negativo nas primeiras semanas de 2021, como mostram indicadores de alta frequência – que oferecem uma avaliação mais atualizada da atividade econômica do que as estatísticas oficiais, embora sejam menos abrangentes e confiáveis.

 

Bert Colijn, economista sênior do banco ING para a zona do euro, disse que os primeiros dados sugerem que desde o início deste ano “a atividade continua com tendência de queda”.

 

Ao contrário do choque profundo e repentino que a zona do euro sofreu em março de 2020, quando a pandemia teve seu primeiro impacto, o novo surto de infecções tem “se arrastado por mais tempo” e causado um “declínio mais lento, mas constante na atividade”, alertou. Isso aumenta “o risco de uma onda represada de falências, se medidas generosas de apoio [do governo e do banco central] não continuarem em vigor”, disse.

 

Como resultado, a expectativa dos economistas é de que a queda estimada da economia na zona do euro nos últimos três meses de 2020 – Oxford Economics e Nomura preveem contração de entre 1,8% e 2,3% – seja seguida por outra queda no primeiro trimestre de 2021 em muitas das principais economias do bloco, inclusive Alemanha e Itália.

 

Isso pode levar a zona do euro à sua segunda recessão, definida como dois trimestres consecutivos de crescimento negativo em menos de dois anos.

 

“Nossa expectativa é de que a economia da zona do euro comece 2021 com uma recessão com dois períodos de queda acentuada, com uma segunda contração trimestral consecutiva do PIB [no primeiro trimestre] praticamente certa, na sequência da extensão e do endurecimento das restrições para enfrentar a covid-19 nas últimas semanas”, afirmou Katharina Utermohl, economista sênior da Allianz para a Europa.

 

A implementação de vacinas é “encorajadora”, disse Chiara Zangarelli, economista da Nomura para a Europa, mas à medida que as quarentenas se prolongam, as perspectivas para o PIB da zona do euro no primeiro trimestre se tornam mais sombrias.

 

Daniela Ordonez, economista da Oxford Economics, alertou que a queda na atividade “pode ser apenas o início de uma nova fase de deterioração da situação de saúde do bloco”, diante do risco de mutações do vírus mais contagiosas ganharem força.

 

A nova escalada no número de casos da doença e o aumento das restrições têm afetado as economias de alguns países que tinham conseguido evitar os piores danos no ano passado.

 

Na Alemanha e na Holanda, as restrições hoje são mais severas do que na primeira fase da pandemia, o que resulta em quedas mais acentuadas no número de deslocamentos para lojas, bares e restaurantes do que em outros países europeus.

 

Os gastos dos consumidores alemães na segunda semana de janeiro foram 25% mais baixos do que no mesmo período do ano passado, de acordo com a Fable Data, que monitora transações bancárias. Segundo a empresa, os gastos caíram na maioria das categorias de consumo, à exceção da de mantimentos.

 

O índice semanal de atividade econômica do Banco Central alemão – um instrumento experimental de medição baseado em indicadores de alta frequência, como poluição, pesquisas do Google e confiança do consumidor – caiu naquela semana pela primeira vez desde o verão europeu.

 

A proporção de consumidores alemães que disseram que agora é um momento ruim para fazer compras importantes aumentou de 16% em dezembro para 20% em meados de janeiro, de acordo com dados da Morning Consult. Esses dados mostram que a confiança do consumidor foi modesta em todas as principais economias da zona do euro nas duas primeiras semanas de janeiro.

 

Um ponto positivo é o setor manufatureiro do bloco. A produção industrial foi surpreendentemente forte no outono europeu, sustentada pelo aumento das exportações. A expectativa, portanto, é de que a produção das fábricas tenha, de certo modo, amortecido a economia no último trimestre do ano passado.

 

Medições mais atualizadas da produção industrial sugerem que essa resiliência continua em 2021. A quilometragem registrada pelos caminhões alemães, um indicador da produção industrial, está acima dos níveis do início de janeiro do ano passado, depois da queda costumeira do Natal.

 

Mas economistas alertaram que o alto nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas pode acabar impactando a produção industrial.

 

“A recuperação no setor manufatureiro da zona do euro vai desacelerar [no primeiro trimestre]”, avaliou Claus Vistesen, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics para a zona do euro.


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