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Executivos brasileiros aprendem a decidir mais rápido


Fonte: Valor Econômico (11 de janeiro de 2021 )

A pandemia vem acelerando as decisões no alto escalão das empresas do país. Dois em cada três dirigentes afirmam que estão decidindo mais rápido e boa parte deles envolvendo outros gestores da companhia nessa dinâmica, que não acontecia antes da crise. O otimismo também surge na liderança, com muitos dirigentes (46,8%) afirmando esperar um faturamento um pouco maior em 2021, uma posição melhor que a concorrência (48,5%) e até uma pequena ampliação no quadro de funcionários (40,7%).

 

Esses dados fazem parte da pesquisa “Realidade e percepções da alta liderança frente à crise” realizada com 230 executivos, ocupando cargos de CEO, vice-presidentes, diretores, superintendentes e outras posições do chamado C-level de empresas, de médio e grande porte do país, entre setembro e outubro de 2020. O estudo, realizado pela Fundação Dom Cabral em parceria com o Page Group, mostra que a dinâmica no comando das organizações foi alterada durante a pandemia e acelerou transformações que já estavam em curso antes.

 

“Antes o planejamento estratégico era feito pensando em 15 anos para frente, então a liderança podia se dar ao luxo de contar só com quem ia executá-lo. Hoje é preciso ter maior interação, nenhum cérebro pode ser desperdiçado”, afirma Ricardo Basaglia, diretor-geral da Page Executive, especializada no recrutamento para o alto escalão. O contexto da pandemia levou à descentralização das decisões, segundo 31,6% dos respondentes que disseram que além disso a decisão estratégica passou a envolver outros membros da liderança. Inclusive, 7% dos dirigentes afirmaram que o processo descentralizado contou com a participação de pessoas que estavam fora da alta liderança.

 

Para o professor e diretor do Centro de Liderança da Fundação Dom Cabral, Paul Ferreira, a crise permitiu, com o maior uso da tecnologia, que muitos CEOs passassem a interagir com pessoas de dois ou três níveis abaixo da organização. “Eles se aproximaram mais das equipes, agora é preciso saber como vão manter isso no médio prazo”, afirma. Ferreira lembra que muitas mudanças durante a covid-19 foram reativas, funcionaram no curto prazo mas não houve uma transformação maior e efetiva na estrutura das companhias. “Vai ser necessário rever papéis porque o número de pessoas que se reporta ao CEO não foi reduzido”, diz.

 

O CEO na pandemia continuou a se envolver com cada elemento do negócio. “Não dá para saber ainda o efeito disso”, diz o professor. O chamado “comando e controle”, no entanto, não sumiu na gestão das empresas do país. Na pesquisa, 37,2% dos dirigentes disseram que as decisões ficaram mais centralizadas neles. “É preciso entender a inteligência de contexto e deixar a decisão para quem vai trazer mais velocidade ao processo”, afirma Basaglia. Nem sempre vai valer a pena envolver todos em uma em uma decisão. Ele lembra que o varejo está em um ritmo de trabalho, por exemplo, diferente do setor de automóveis, que está enfrentando um cenário mais nebuloso.

 

A pesquisa mostra essa diferença de perspectiva dentro da própria organização. Algumas áreas, segundo os executivos, devem contratar mais este ano, como as de operações e supply chain, citada por 54% dos respondentes, vendas (46%), digital (20%) e TI (20%). Segundo 77% dos entrevistados, a transformação que mais se acelerou no ano passado foi a tecnológica. “O que não significa que todos estejam em um mesmo estágio, há quem esteja maduro e quem ainda esteja nas preliminares”, lembra Basaglia.

 

Entre as maiores preocupações dos executivos no gerenciamento da crise atual, de acordo com a pesquisa, estão manter funcionários seguros, a liquidez no curto prazo, a vulnerabilidade dos clientes e a gestão da cadeia de suprimentos. Em relação ao cenário externo, 80% citaram a recessão econômica, 59% a instabilidade na política nacional, 45% a volatilidade cambial, 18% as ameaças ao investimento estrangeiro no Brasil, 15% a entrada de novos competidores, 10% cibersegurança, entre outras.

 

A volta parcial ou total dos profissionais aos escritórios também preocupa os dirigentes e vai requerer deles maior habilidade na gestão de pessoas. “Eles vão ter que deixar o status quo e refletir sobre o que as pessoas acham que será melhor para elas”, afirma Basaglia. Para Ferreira, as empresas ainda estão minimizando o impacto que a nova maneira de trabalhar vai ter daqui para a frente. “Algumas tarefas podem desaparecer ou se tornar remotas, mas é preciso cuidar para não perder a criatividade e a inovação”, diz.

 

Na pesquisa, foram identificados alguns perfis de liderança que surgiram no país em 2020. O “cético”, que espera que a recuperação econômica só aconteça em 2023, que está incerto sobre o futuro de seus produtos e serviços e que centraliza as decisões para ganhar agilidade. O “orientado a pessoas”, que se preocupa com segurança e produtividade, olha para o desenvolvimento de soft skills e para o bem-estar dos funcionários. O “auto-centrado”, que decide sozinho, que geralmente está em empresas menores, e acredita que é normal a flexibilidade diminuir com as incertezas. E por último, existe “o confiante”, que atua em parceria com fornecedores, abre espaço para inovação e incentiva a gestão compartilhada. “Não existe um estilo melhor, tudo depende do contexto”, diz Ferreira.


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