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Indústria de suco de laranja defende acordos bilaterais


Fonte: Valor Econômico (7 de janeiro de 2021 )

 

 

Acordos comerciais estabelecidos pela Coreia do Sul com diferentes parceiros nos últimos anos praticamente fecharam as portas do país asiático para o suco de laranja brasileiro. Com a demanda global pela bebida em queda há mais de uma década, apesar de uma relativa reação em países como os Estados Unidos em meio à pandemia, a perda do mercado sul-coreano é encarada pela indústria exportadora como um alerta sobre a importância de o Brasil também se dedicar a negociações bilaterais para garantir espaço para produtos do setor de agronegócios.

 

Análise da Associação Brasileira dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), que representa as três maiores exportadoras de suco de laranja do país e do mundo (Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company), mostra que, com quase 52 milhões de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 1,6 trilhão em 2019, mais que o dobro que em 2003, a Coreia do Sul é um mercado cobiçado que importou apenas 46 toneladas de suco de laranja concentrado e congelado do Brasil na safra 2019/20 (encerrada em junho do ano passado), ante 33,6 mil em 2002/02 (US$ 28 milhões).

 

Maior exportador de suco de laranja do mundo, responsável por cerca de 80% dos embarques totais, o Brasil exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas equivalentes ao FCOJ em 2019/20 – o país também vende o suco pronto para beber (NFC) -, ou quase US$ 1,8 bilhão. Como acontece há décadas, as vendas foram direcionadas sobretudo à União Europeia, aos Estados Unidos e ao Japão, e avanços expressivos dependem da consolidação das vendas em países como a China e de condições vantajosas para acessar outras fronteiras.

 

É nesse caso que se encaixa a Coreia do Sul. O país estabeleceu, na Organização Mundial do Comércio (OMC), uma tarifa ad valorem de 54% que pode ser cobrada de todos os exportadores, mas acordos celebrados por Seul com EUA e UE – mas não com Brasília – tiraram o Brasil do jogo. Segundo a CitrusBR, o acordo com os EUA foi assinado em 2012, e já no ano seguinte os americanos, com tarifa zero, se tornaram os maiores exportadores de suco de laranja para o mercado sul-coreano.

 

Em 2015, destaca o estudo da entidade, foi firmado o acordo comercial entre Coreia do Sul e UE, e entre 2017 e 2019 o suco europeu, mes sendo a UE um grande bloco importador do produto, conseguiu “roubar” parte do espaço ocupado pelo americano no país asiático (ver infográfico).

 

Paralelamente, outro movimento passou a pressionar as vendas de suco de laranja como um todo na Coreia do Sul: o avanço de sucos de outros sabores. Em 2001, diz a CitrusBR, o FCOJ representou 68% das importações de sucos em geral do país, mas essa participação caiu abaixo de 15% em 2019. Conforme a CitrusBR, no período houve um grande aumento da presença de “bebidas mistas”, misturas de frutas e vegetais, no varejo sul-coreano e em vendas por meio de plataformas online. E esse aumento se deu após acordos comerciais com países como Vietnã, Turquia e Tailândia.

 

“Atualmente”, diz o estudo, “a Coreia do Sul tem 15 acordos de livre comércio com 12 diferentes países e três blocos econômicos. Enquanto o Brasil estiver sujeito a uma tarifa de 54%, será muito difícil, se não impossível, recuperar o mercado sul-coreano”. Daí porque a CitrusBR defende celeridade nas negociações do acordo entre o Mercosul e a Coreia do Sul ou tratativas bilaterais para que o suco de laranja brasileiro volte a ser competitivo.


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