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Nova cepa do coronavírus já saiu da Europa e está em outras partes do mundo


Fonte: Valor Econômico (22 de dezembro de 2020 )

A variante altamente infecciosa do coronavírus que surgiu no sudeste da Inglaterra está se propagando rapidamente para o resto do Reino Unido e já está presente em outras partes do mundo, segundo alerta de cientistas.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que seu Grupo de Desenvolvimento de Trabalho está atuando de perto com as autoridades médicas do Reino Unido para entender como a variante, que está sendo chamada de B.1.1.7, deverá afetar o curso da pandemia. Ela foi detectada na Holanda, Dinamarca e Austrália.

 

Cientistas afirmam que dois aspectos da B.1.1.7 representam motivo de preocupação. Um é o número sem precedentes de mutações que ela carrega. O outro é a velocidade com que ela está suplantando outras cepas do vírus Sars-Cov-2 no sudeste da Inglaterra.

 

Jeffrey Barrett, diretor da Iniciativa Genômica para a Covid do Wellcome Sanger Institute, disse que 23 letras do código genético viral mudaram, das quais 17 podem afetar o comportamento do vírus – em especial ajudando-o a entrar e se propagar nas células humanas.

 

“Essa nova variante é muito preocupante e não é parecida com nada que vimos até agora na pandemia”, afirmou Barrett.

 

Não há evidências até agora de que as mutações estão afetando o curso da doença nas pessoas infectadas com a B.1.1.7 ou a eficácia das vacinas contra a covid-19 que estão em desenvolvimento.

“As taxas de hospitalização aumentaram recentemente [no sudeste da Inglaterra], mas mais ou menos em linha com o aumento do número de casos, o que não aponta para a nova cepa levando a sintomas mais graves”, disse François Balloux, diretor do UCL Genetics Institute de Londres.

“Ficaria muito surpreso se surgisse qualquer evidência de que ela cria sintomas mais graves”, disse Balloux. “Também não se trata de uma cepa capaz de fugir da proteção proporcionada pela imunização causada pelas atuais vacinas ou uma infecção anterior.”

 

Mas Kristian Andersen, diretor da área de genômica de doenças infecciosos do Scripps Research Institute da Califórnia, disse: “Li muitos artigos declarando não haver ‘efeitos sobre a imunidade, vacinas ou características clínicas’. Isso não é correto… A verdade é que não sabemos, mas saberemos nas próximas semanas”.

 

Cientistas dos laboratórios de microbiologia de Porton Down, do Reino Unido, e outras partes do mundo estão trabalhando para entender se e como as mutações afetam a gravidade da doença, a resposta imunológica do organismo e a transmissibilidade viral.

 

A disseminação mais rápida da mutação é ilustrada pelo fato de que, após seu surgimento no município de Kent em 20 de setembro, ela foi responsável por 28% dos contágios em Londres no começo de novembro e por 62% na semana até 9 de dezembro.

 

Modelos de computador sugerem que ela é 70% mais transmissível que outras cepas da Sars-Cov-2 que estão circulando no Reino Unido e eleva o valor “R” – o número médio de pessoas para quem alguém com a covid-19 transmite a doença – em 0,4, o que torna a pandemia muito mais difícil de ser controlada sem medidas rígidas de lockdown.

 

Segundo um estudo divulgado no sábado pelo Covi-19 Genomics Consortium UK, os laboratórios sequenciaram 1.623 genomas virais do Sars-Cov-2 que apresentam a variante B.1.1.7. Este incluem 519 em Londres, 555 em Kent, 545 em outras partes do Reino Unido, incluindo a Escócia e o País de Gales, e quatro em outros países.

 

Testes de covid-19 não detectam as mutações virais. As variantes só podem ser identificadas através de uma leitura de todas as 30 mil letras do código genético de cada amostragem de Sars-Cov-2, com o uso de máquinas especializadas de sequenciamento.

 

Todos os vírus sofrem mutações e a B.1.1.7 não é a primeira variante a causar preocupação. Exemplos incluem a mutação D614G que surgiu no início da pandemia e aumenta moderadamente a transmissibilidade da covid-19. Essa cepa se disseminou a partir da Espanha para o resto da Europa no terceiro trimestre. A mutação Y453F surgiu em visons na Dinamarca mas não se espalhou muito para outros países.

A cepa que agora está causando as maiores preocupações internacionais, além da B.1.1.7, é uma variante diferente detectada na África do Sul e chamada 501.V2. Salim Abdool Karim, que dirige o programa da covid-19 no país, disse na sexta-feira: “Não esperávamos a rapidez com que essa variante se tornou dominante na África do Sul… Estamos descobrindo que entre 80% e 90% dos vírus são essa mutação 501.V2”.

 

Karim disse que a 501.V2 está aumentando a “carga viral” – a quantidade de vírus presente nos pacientes – “o que pode se traduzir em uma eficiência maior na transmissão”. Constatações preliminares no Reino Unido sugerem que a B.1.1.7 está tendo um efeito parecido.


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