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China mantém quase intacto volume exportado ao Brasil


Fonte: Valor Econômico (22 de dezembro de 2020 )

A desvalorização do real, acompanhada do choque duplo da pandemia, contribuiu para a queda de preços médios em dólar e de volumes nas importações brasileiras no decorrer de 2020. O perfil da pauta de importação e a dinâmica da pandemia, porém, diferenciaram os desempenhos dos principais países e blocos fornecedores de bens, com a China mantendo neste ano praticamente intacta a quantidade do que embarcou ao Brasil em 2019.

 

A China reduziu em ritmo menor que a média os preços em dólar em 2020 na comparação com o ano passado. O país asiático praticamente manteve estável a quantidade que vendeu em bens de capital ao Brasil, avançando consideravelmente nos bens de consumo não duráveis. Já os preços médios do que se compra dos Estados Unidos caíram em ritmo parecido com a média das importações, mas o volume caiu praticamente o dobro da taxa, com queda em todas as categorias de uso. Nos bens importados da União Europeia, os volumes também caíram em ritmo mais acelerado que a média, embora em taxa menor que a das compras com origem nos EUA. Também houve queda em todas as categorias de uso.

 

De janeiro a novembro as importações totais brasileiras ficaram em média 7,6% mais baratas em dólar. O volume desembarcado caiu 7,8%. Os bens “made in China” tiveram queda menor de preço, com recuo de 4,6%, e em volume a redução foi de apenas 0,9%. Já os bens vendidos pelos americanos ao Brasil caíram 7,9% em preços e 15% em quantidade. As importações com origem na União Europeia tiveram recuo de 3,1% nos preços e de 10,9% no volume, sempre de janeiro a novembro deste ano em relação a igual período de 2019.

 

A China fornece atualmente cerca de 22% das importações brasileiras, seguida, em termos de país isolado, pelos Estados Unidos, que têm fatia de 16%. Por blocos, o fornecedor mais importante é a União Europeia, com 17%. Os dados de volume e preço foram levantados no âmbito da pesquisa do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV).

 

A dinâmica da pandemia no mundo explica em parte o baixo impacto no volume das importações de produtos chineses, diz a economista Lia Valls, pesquisadora do Ibre/FGV. Como a covid-19 foi detectada inicialmente na China e depois houve a disseminação às demais regiões do globo, o país asiático saiu da crise sanitária antes e conseguiu controlar os novos focos da doença evitando uma segunda onda ou um recrudescimento generalizado do número de casos. Com a estrutura logística restaurada antes, a capacidade de exportação do país foi menos afetada, ainda que tenha enfrentado os efeitos da pandemia na demanda do mercado internacional, afirma ela.

 

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), lembra que a desvalorização do real propicia em geral um renegociação de preços em dólar entre fornecedor e importador. A desvalorização da moeda nacional se acentuou com a pandemia e isso trouxe uma nova negociação de preços. Já os impactos nos volumes, diz ele, estão muito relacionados ao perfil da pauta de importação de cada uma das regiões. A China tende a ser menos afetada, diz, porque, assim como outros países asiáticos, é grande fornecedora para o Brasil de intermediários nas áreas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, bens cuja produção foi menos afetada no país no decorrer deste ano. “Os dados de produção industrial na Zona Franca de Manaus, polo de fabricação desses bens, mostram isso.”

 

Por categorias de uso, tanto China como Estados Unidos e União Europeia são predominantemente fornecedores ao Brasil de bens intermediários. Essa categoria de uso corresponde a 62%, 76% e 58% das importações brasileiras de cada uma das origens, respectivamente. Nesse grupo de produtos, que inclui insumos e matérias-primas utilizadas pelas indústrias, preços e volumes de bens comprados dos chineses também caíram bem menos que a média. Enquanto a importação total de intermediários caiu 8,1% em volume e 9,8% em preços de janeiro a novembro contra iguais meses de 2019, os produtos da categoria que vieram da China caíram 5,9% em preços e somente 1,3% em quantidade. Intermediários importados do Estados Unidos recuaram 14,8% em preços e 11,7% em volume. Já os intermediários origem União Europeia tiveram queda menor de preços em dólar, de 3,8%, mas a quantidade desembarcada caiu 12,9%, sempre de janeiro a novembro em relação a igual período do ano passado.

 

Entre os intermediários de origem americana, diz Lia, possivelmente contribuíram para pressionar para baixo os preços o grupo de petróleo e combustíveis, que corresponde a cerca 25% de tudo o que o Brasil importa dos EUA. O preço do barril de petróleo recuperou-se nos últimos meses, mas ainda está em nível abaixo ao do pré-pandemia, lembra ela.

 

Nas compras “made in China” destaca-se a compra de bens de capital, segundo grupo mais importante nos desembarques originados do país asiático, correspondente a um quarto do valor das importações. Os bens dessa categoria comprados da China avançaram 0,9% em volume e tiveram preços médios em dólar com alta de 1,2%, com variações muito menores que a da importação total de bens de capital do Brasil, cujos preços médios subiram 4%, com quantidade em queda de 7,4%, mantida na comparação de janeiro a novembro em relação a mesmos meses de 2019. A dinâmica de alta de preços e queda de volume aconteceu também nos produtos comprados dos americanos, mas em ritmo bem mais acelerado, com alta de 33,7% nos preços e queda de 31,1% nos volumes. Nos bens de capital com origem na União Europeia, os preços aumentaram 4,2% e o volume caiu 9,6%. Essa categoria representa cerca de 18% do que o Brasil importa dos americanos e do bloco europeu.

 

Novamente é o perfil da pauta de importação que influencia a diferença de comportamento nos bens de capital, diz Castro. Na relação comercial com os Estados Unidos, afirma ele, as aeronaves, suas partes e peças são importante componente em bens de capital, tanto para exportação quanto para importação. Como foi um setor muito afetado pela pandemia, indica, influenciou no comércio entre os dois países. Já a resiliência maior da quantidade de bens de capital importados da China, diz Lia, pode indicar que o país asiático conseguiu manter mercado e talvez até ampliá-lo durante a pandemia.

 

A China também foi a que mais se aproveitou do avanço de 2,6% no volume total importado de bens de consumo não duráveis de janeiro a novembro em relação a mesmos meses de 2019. No mesmo período, o país asiático expandiu em 10,3% a quantidade de bens dessa categoria vendida ao Brasil, a preços médios em dólar 3,5% mais baixos.


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