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Planos ‘verdes’ de recuperação pós-covid podem atenuar mudança climática, diz ONU


Fonte: Valor Econômico (10 de dezembro de 2020 )
— Foto: Pixabay

 

A pandemia de covid-19 tem ao menos dois efeitos opostos sobre a crise climática. De um lado, a queda de 7% nas emissões de gases-estufa, provocada pelo recuo das atividades globais, terá efeito inócuo na mudança do clima. Há, contudo, uma notícia mais otimista: os planos de retomada econômica verdes que a crise sanitária impulsionou podem aproximar as emissões de 2030 aos níveis que são necessários para o aquecimento global ficar limitado em 2°C neste século.

 

Estas são duas mensagens centrais do relatório “Emissions Gap 2020”, que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lançou nesta quarta-feira.

 

A constatação central do relatório é que, apesar da queda das emissões em 2020 com a redução de viagens, menor atividade industrial e menor geração de eletricidade, o mundo continua no caminho de ter um aumento de temperatura superior a 3°C neste século. É uma rota muito perigosa, dizem os cientistas.

 

A oportunidade de reverter este quadro e manter o aumento da temperatura em 2°C está nos planos de reconstrução verde. A queda nas emissões provocada pela covid-19 teria um efeito de reduzir em apenas 0,01°C o aumento da temperatura global até 2050. A recuperação pós-pandemia, porém, poderia cortar até 25% das emissões de gases-estufa previstas para 2030, diz o estudo.

 

Todos os anos, o “Emissions Gap” indica a diferença que existe entre as emissões previstas e os compromissos do Acordo de Paris para conter o aumento da temperatura em 2°C.

 

No ano passado, as emissões totais de gases de efeito estufa, incluindo a mudança no uso do solo, atingiram um novo recorde de 59,1 gigatoneladas de CO2 equivalente (GtCO2e, medida que nivela os efeitos dos vários gases-estufa ao do CO2). As emissões globais cresceram em média 1,4% ao ano desde 2010. Em 2019, ocorreu um aumento ainda mais forte, de 2,6%, em função do carbono lançado com os incêndios florestais.

 

Se os governos incluírem novos compromissos de emissões líquidas zero nas suas metas climáticas (conhecidas pela sigla em inglês NDCs), seguidas por ações enérgicas, o aquecimento poderia ser contido a 1,5°C.

 

O cálculo do relatório diz que as emissões de 2030 poderiam ser de 44 GtCO2e com os planos de reconstrução verde. Este volume indica uma redução muito maior do que a prevista nas NDCs do Acordo de Paris.

 

“Uma recuperação verde pós-pandemia pode reduzir uma grande parte das emissões de gases de efeito estufa e ajudar a frear a mudança climática”, disse Inger Andersen, diretora executiva do Pnuma, em nota à imprensa. “Convoco os governos a apoiar uma recuperação verde na próxima etapa das intervenções fiscais no contexto da covid-19 e a aumentarem significativamente suas ambições climáticas em 2021”.

 

“O ano de 2020 está a caminho de ser um dos mais quentes já registrados. Enquanto isso, incêndios florestais, tempestades e secas continuam a causar estragos”, lembrou ela.

 

Entre as ações necessárias nos planos de reconstrução verde, segundo o Pnuma, deveria constar o apoio a tecnologias e infraestrutura de emissões zero, a redução dos subsídios aos combustíveis fósseis, barrar novas usinas de carvão e promover soluções baseadas na natureza, incluindo a restauração de paisagens em larga escala e o reflorestamento.

 

O relatório indica, contudo, que até agora as ações para a recuperação verde têm sido limitadas. “Cerca de um quarto dos membros do G-20 tem dedicado parte de seus gastos, até 3% do PIB, a medidas de baixo carbono”, diz o estudo. Há muito espaço para avançar nesta direção, segue o Pnuma.

 

Até o momento em que o estudo foi concluído, 126 países haviam adotado, anunciaram ou consideravam se comprometer com metas de emissões líquidas zero até meados do século, o que representa 51% das emissões globais de gases de efeito estufa.

 

“Porém, para permanecerem viáveis e confiáveis, estes compromissos devem ser traduzidos urgentemente em políticas e ações fortes em curto prazo e refletidos nas NDCs”, diz a nota à imprensa. Os níveis de ambição no Acordo de Paris têm de ser triplicados para que o mundo fique em rota de 2°C e aumentados em pelo menos cinco vezes para o caminho de 1,5°C.

 

O relatório do Pnuma deste ano analisou o comportamento dos consumidores e também dos setores de aviação e transporte marítimo que respondem por 5% das emissões globais. “Melhorias na tecnologia e nas operações podem aumentar a eficiência do combustível, mas o aumento projetado da demanda significa que isto não resultará em descarbonização e reduções absolutas de CO2”, diz a nota.

 

O relatório sugere que tanto aviação quanto o transporte marítimo precisam combinar eficiência energética com o abandono dos combustíveis fósseis rapidamente.

 

O documento também ressalta que é preciso mais ação para estimular mudanças no comportamento de consumo do setor privado e dos indivíduos. Os mais ricos têm a maior responsabilidade: as emissões do 1% mais rico da população mundial representam mais do que o dobro das emissões dos 50% mais pobres. Este grupo precisará reduzir sua pegada em 30 vezes para se manter alinhado às metas do Acordo de Paris.

A redução do consumo nestas áreas poderia ser estimulada com a substituição dos voos domésticos de curta distância por viagens de trem, incentivos e infraestrutura para estimular o uso de bicicletas e o compartilhamento de carros, mais eficiência energética nas casas e políticas para reduzir o desperdício de alimentos.


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