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Companhias querem resgatar a saúde mental perdida


Fonte: Valor Econômico (10 de dezembro de 2020 )
Vivian Navarro, gerente de RH da área de bem-estar da Basf, diz que a saúde mental influencia o desempenho e a inovação — Foto: Claudio Belli/Valor

 

A expressão “saúde mental” é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “um estado de bem-estar no qual um indivíduo percebe suas próprias habilidades, pode lidar com os estresses cotidianos e trabalhar produtivamente e é capaz de contribuir para sua comunidade”. Tal estado de espírito foi colocado à prova durante a pandemia. O temor natural à uma doença desconhecida foi associado à mudança brusca do cotidiano. A imposição da quarentena fechou empresas, escolas, impediu atividades de cultura e lazer, distanciou amigos e famílias. Reinvenção foi a palavra de ordem, especialmente no ambiente corporativo, já que o trabalho não parou. O home office passou a ser chamado de “hell’s office” – afinal, ficou difícil conciliar trabalho, filhos, estudo dos filhos, atividades domésticas e relacionamento. Para quem vive só, houve o desafio de vencer a depressão.

 

A demanda pelos serviços da Vittude, startup focada em psicologia e coaching, é um exemplo dessa preocupação coletiva. Com 20 empresas como clientes até o início do ano, a plataforma passou a atender mais 60 companhias desde março, ou seja, o volume quadruplicou. Hoje, são cerca de 15 mil consultas mensais voltadas a funcionários de clientes corporativos, entre eles, Raia Drogasil, Panvel, O Boticário e SAP.

 

Para medir a pressão em meio à pandemia, a Vittude realizou uma pesquisa em outubro com 2 mil profissionais em todo o país. O levantamento apontou que 32% sentem que a concentração e o foco pioraram na pandemia. Para 22%, a criatividade desapareceu. “Isso é muito grave”, diz Tatiana Pimental, CEO da Vittude. “O maior ativo das empresas está na cabeça das pessoas. Se mais de um quinto do meu pessoal perdeu a capacidade de criar, e quase um terço não consegue se concentrar, qual o impacto disso na competitividade e no futuro da minha empresa?”. A pesquisa indicou que só 33% dos profissionais se sentem à vontade para falar sobre seu nível de pressão com o líder direto e 28% com o RH.

 

“No Brasil, 47% das empresas não adotam nenhum cuidado em saúde mental para seus funcionários. E, entre aquelas que adotam, as iniciativas são insuficientes”, diz Tatiana. As principais medidas envolvem a divulgação de informativos (prática de 23%), a oferta de equipe psicológica ou de saúde (18%) e encontros presenciais ou virtuais sobre o assunto (17%). Apenas 12% oferecem terapia pelo plano de saúde, enquanto 11% contratam plataformas de terapia on-line.

 

“Nós vivemos uma crise em nível antropológico, não é só de saúde”, diz Betania Tanure, especialista em gestão e cultura empresarial. “Do dia para a noite, mudamos o jeito de trabalhar, de consumir, de nos relacionar, de viver. Isso provoca um alto nível de exaustão nas pessoas”, afirma a fundadora da consultoria BTA. Em levantamento recente realizado junto a altos executivos, a consultoria apontou que a saúde (53% das respostas) e o alto grau de estresse (47%) são os maiores fatores de preocupação em relação à carreira. “Ninguém quer adoecer trabalhando”, diz Betania. “Nas organizações, essa preocupação precisa partir do alto escalão para ser incorporada à cultura da empresa. A pandemia tem nos mostrado isso”.

 

Segundo Betania, na primeira fase da quarentena, o home office foi caracterizado pela “produção estática”: descobriu-se que era possível fazer mais à distância. “Agora vivenciamos a produção dinâmica: é preciso fazer as coisas de forma diferente e, a partir daí, descobrir novas competências”, afirma. “Nem todas as empresas vão vivenciar este segundo estágio do home office, porque tendem a não sobreviver”, diz ela, que defende a descoberta de maneiras de mesclar o trabalho presencial e remoto. “Existe a questão do conhecimento tácito, da cultura, que não se compartilha por meio de telas: é a convivência fortuita, os insights, algo que se obtém apenas por meio das relações”.

 

Pensando nisso, a gigante dos softwares SAP procurou estimular as relações das equipes nos últimos meses. Foram criados fóruns para dividir experiências cotidianas: o “look” do dia, a receita que deu certo, a melhor indicação de vinho. “Foi uma forma de substituir a interação tão necessária que ocorre na pausa para o café e nos corredores”, diz Fernanda Saraiva, diretora de RH da SAP Brasil.

 

Um dos indicadores da pesquisa realizada pelo <strong>Valor </strong> e Mercer este ano no anuário “Valor Carreira”, a dimensão “ambiente de trabalho saudável” aponta uma diferença de sete pontos percentuais entre as vencedoras em cada uma das sete categorias premiadas e as demais empresas (88% frente a 81%).

 

A Basf este ano criou o canal “Sempre Bem” para oferecer atendimento psicológico, social, jurídico e financeiro tanto a funcionários como para seus dependentes. “Percebemos a necessidade de oferecer um serviço individualizado, por telefone”, diz Vivian Navarro, gerente de RH da área de bem-estar da Basf. “A questão da saúde mental está relacionada à inovação, à criatividade e à capacidade de lidar com os próprios erros, aspectos fundamentais para o bom desempenho profissional”, afirma. O canal atende principalmente questões ligadas ao estresse, ansiedade, depressão e relacionamentos familiares.

 

A Ambev também acelerou a criação da área de saúde mental dentro da companhia a partir da pandemia. A empresa lançou o Guia de Saúde Mental, com explicações sobre o tema, principais problemas, orientações, como buscar e oferecer ajuda.

 

Já o Itaú Unibanco realizou rodas de conversa com psicólogos e médicos com temas como “Que medo é esse?”, “Filhos na quarentena”, “Gestão das emoções” e “Superando perdas”. O canal “Fique Ok”, que oferece apoio psicológico para colaboradores e familiares, recebeu um volume 55% maior de contatos entre março e outubro, comparado a 2019. Segundo o banco, desde que teve início a série de eventos as demandas da área de saúde aumentaram significativamente.


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