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Associação Comercial de São Paulo e os seus 126 anos em defesa do empreendedorismo


Fonte: Diário do Comércio (9 de dezembro de 2020 )
Além da defesa do empreendedorismo e da economia de mercado, a ACSP defende duas bandeiras relevantes para o crescimento da economia: o comércio exterior e as pequenas e médias empresas

 

As Associações Comerciais são entidades locais nascidas da base empresarial para atender às necessidades dos empresários, congregá-los na defesa de seus interesses e prestarem serviços que facilitem a realização dos negócios. Com este propósito e baseadas nos princípios da livre iniciativa e da defesa do desenvolvimento local e nacional, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) foi fundada em dezembro de 1894, pelo Coronel Antonio Proost Rodovalho e um grupo de cerca de 300 empresários.

 

Nossa entidade e todas as outras espalhadas pelo país não contam com qualquer recurso de origem governamental ou compulsória, o que as dá total independência nos seus posicionamentos e ações. Outra característica das Associações Comerciais é que são multissetoriais, pois congregam em seus quadros, empresários de todos setores, além de profissionais liberais ligados às atividades econômicas, constituindo-se em um verdadeiro fórum empresarial.

 

A ACSP, por sua atuação institucional, foi considerada uma Escola de Civismo, já que teve participação em relevantes episódios da história da Cidade de São Paulo, do Estado e do Brasil.

 

Em 1918, foi mediadora do fim da grande greve operária, que resultou em importantes avanços na legislação trabalhista. No ano seguinte, marcado pela terrível “gripe espanhola”, equipou o Hospital da Policlínica e colocou seus médicos à disposição da população.

 

Poucos anos depois, em 1924, São Paulo foi ocupada por militares rebeldes, que contestavam o governo central, além de ter sido abandonada pelo governador e assolada por saques no comércio e incêndios. A Associação, então, em conjunto com o prefeito Firmiano de Morais Pinto, organizou uma força tarefa com a Polícia e o Corpo de Bombeiros para garantir a segurança do comércio e da população.

 

No decorrer da ocupação, mediou a retirada dos rebeldes para evitar o bombardeio da cidade, que acabou ocorrendo. O Presidente da entidade na época, José Carlos Macedo Soares, foi acusado de colaboracionista, sendo preso e exilado, embora tenha procurado apenas preservar a cidade e sua população. No exílio, escreveu o livro Justiça, no qual relata sua atuação histórica na cidade no fim da década de 1910 e começo da década de 1920. Estes acontecimentos também foram explicitados, com detalhes, no livro do jornalista Paulo Duarte intitulado Agora Nós. A publicação narra todos os episódios da chamada Revolução de 1924.

 

Em 1932, a ACSP teve também participação ativa no Movimento Constitucionalista, tanto na mobilização da classe empresarial e da população quanto durante o período do conflito. A entidade foi a responsável por desenvolver a logística das tropas paulistas.

 

A Associação Comercial de São Paulo coordenou ainda a Campanha do Ouro para São Paulo, criada para arrecadar recursos que sustentassem a campanha militar que mobilizou a população independentemente das classes sociais, com a doação de joias e objetos pessoais e familiares. Após o fim do conflito, em outubro daquele ano, notou-se que a maior parte dos recursos arrecadados não haviam sido utilizados. Por isso, foram doados à Santa Casa, que construiu um novo pavilhão e o edifício Ouro para o Bem de São Paulo, no Centro da cidade.

 

O presidente da ACSP daquele período, Carlos de Souza Nazareth, assumiu a responsabilidade pela participação dos empresários na Revolução. Consequentemente, também foi preso e exilado. Na partida para o exílio, escreveu carta a seus companheiros de diretoria dizendo-se “estar tranquilo” e pedindo que os conclamandos da Associação Comercial continuassem a lutar em defesa dos ideais democráticos.

 

A Constituição pela qual São Paulo lutou em 32 foi aprovada no ano seguinte, mas teve curta duração, com Getúlio Vargas assumindo o poder absoluto, em 1937, instituindo o Estado Novo, outorgando suas leis e detendo o poder sobre os estados brasileiros.

 

Nos anos seguintes a entidade continuou participando ativamente da vida política, econômica e social do país, defendendo seus princípios e valores, sem descurar das questões municipais e estaduais e da prestação de serviços. De seus quadros diretivos saíram para a vida pública ao longo do período, deputados, senadores, ministros, governadores e personalidades que ocuparam importantes cargos na vida pública da cidade, do estado e do Brasil.

 

Além da defesa do empreendedorismo e da economia de mercado como instrumentos de desenvolvimento econômico e social, a ACSP defende duas bandeiras específicas que considera muito relevantes para o crescimento da economia: o comércio exterior e a pequena e média empresa. Nesse sentido realizou em 1956, a Primeira Conferência Brasileira de Comércio Exterior, que se constituiu um marco para a discussão da política brasileira para o setor, com teses que ainda hoje são válidas. Uma destas é sobre a defesa da abertura da economia e a liberdade cambial. Participou de todas as conferências, realizadas em outros estados, organizando a nona e última em 1977, aberta pelo Presidente da República.

 

A ACSP promoveu o Primeiro Congresso Brasileiro das Pequenas e Médias Empresas, inserindo o tema nas preocupações permanentes da entidade. Na ocasião, reuniram-se mais de mil pessoas no Auditório do Anhembi e contou com a participação dos ministros da área econômica e de especialistas.

 

O Quarto Congresso foi promovido pela entidade no Auditório do Senado Federal, quando foi aprovado pelo Estatuto da Pequena e Média Empresa, origem das medidas de tratamento diferenciado para as empresas de menor porte.

 

Organizou também, respectivamente em 1989 e 1998, a 16ª e a 24ª edições do ISBC International Small Business Congress, eventos estes realizados na América Latina.

 

A ACSP tem participado ainda de todas as discussões sobre legislação de apoio aos empreendimentos de menor porte, tendo uma importante participação para a aprovação da criação do Microempreendedor Individual (MEI) e da Empresa Simples de Crédito (ESC).

 

Em relação à defesa de seus associados, a entidade já em 1928 se manifestou junto às autoridades contra os ambulantes (na época conhecidos como “andorinhas”), que faziam concorrência desleal ao comércio organizado causando sérios prejuízos aos empresários e à receita fiscal.

 

A ACSP sempre teve intensa colaboração com o Executivo e o Legislativo dos três poderes, contribuindo para o aprimoramento das leis e normas que regem as atividades econômicas, e continua na luta contra a burocracia e a tributação excessivas.

 

Para facilitar o desempenho das empresas, a Associação, desde o início de suas atividades, propiciou a seus associados informações do mercado e das empresas, visando dar mais segurança à realização dos negócios. O Relatório da Diretoria de 1924 já chamava a atenção para a necessidade de se prestar serviços às empresas, resumindo que era preciso atrair os empresários por seus interesses para poder defender seus ideais. Nesse sentido, já naquele ano criou um boletim informativo sobre a inadimplência, que se desdobrou depois no Departamento de Informações Comerciais e no Diário do Comércio, que publicava os apontamentos e os protestos da Praça de São Paulo.

 

As vendas a prazo do varejo eram também muito limitadas pela ausência de um sistema de informações que dessem segurança às transações. Por isso, organizou-se, em 1956, o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), iniciativa pioneira no país. O SCPC permitiu a massificação do crediário e, com isso, a notável expansão das vendas a prazo. O banco de dados fornecia informações dos consumidores inadimplentes e era um importante fator de constrangimento à inadimplência.

 

A forte expansão das vendas a prazo obrigou à informatização do banco de dados, o que possibilitou, também, maior sofisticação das informações oferecidas às empresas e aumentando a segurança.

 

Com o ingresso do sistema financeiro nas vendas a crédito foi necessário interligar os bancos de dados das pessoas físicas, o que levou, por iniciativa e coordenação da ACSP, à criação da RENIC, rede que contava com cerca de 2000 SPCs de todo Brasil.

 

Com a expectativa da aprovação do Cadastro Positivo e o ingresso de empresas internacionais no mercado de informações, constatou-se a necessidade de dar maior autonomia operacional e realizar investimentos expressivos no banco de dados.

 

Após o estudo de diversas alternativas por parte de um grupo de diretores e conselheiros, coordenado por Alfredo Cotait e sob a presidência de Alencar Burti, propôs a transformação do SCPC em empresa, dando origem à Boa Vista Serviços, agora transformada em empresa de capital aberto. A ACSP continua sendo sua maior acionista.

 

A abertura do capital da Boa Vista Serviços deve ser um caso único de criação de prestação de serviços feita por uma entidade a seus associados que se transformou em um Unicórnio (definição de startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão) e deve servir de exemplo de que a modernidade e a tradição não são conflitantes. Ao contrário, a unidade em torno de princípios e valores, garantidos pela tradição, serve de balizamento para a modernização, sem prejuízos dos objetivos.

 

A história dos 126 anos da ACSP revela que ela sempre foi contemporânea em seu tempo, mas com os olhos voltados para o futuro. A reorganização administrativa, a modernização das instalações e a consolidação das finanças permitiu que a entidade se preparasse para as transformações que estão ocorrendo em função da rápida evolução da tecnologia de informática e comunicação, criando um cenário de desafios e oportunidades para a atividade empresarial.

 

Continuando com sua atuação institucional, que é o cerne de sua função, a Associação Comercial de São Paulo está oferecendo a seus associados, e aos empresários em geral – especialmente aos de menor porte –, novos serviços que lhes permitam enfrentar com sucesso esse desafio.

 

Começamos pela Faculdade de Comércio (FAC-SP) que visa oferecer, aos empresários e seus funcionários, a base para competir nesse novo mercado ainda em transformação. Complementarmente, oferecemos plataformas para que as empresas menores possam concorrer com as grandes, além de crédito acessível a juros abaixo do mercado para suas necessidades, por meio do ACCredito.

 

Os valores e os princípios que nortearam a criação da ACSP, em 1894, e que foram mantidos por seus sucessores por mais de um século, continuarão sendo a base para a continuidade da trajetória da entidade pelos próximos anos.


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