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Exportadoras impulsionam resultado da indústria 


Fonte: Valor Econômico (4 de dezembro de 2020 )

A discussão sobre com qual letra do alfabeto se dá a recuperação da economia é o tema do momento entre os especialistas versados nos mistérios do Produto Interno Bruto (PIB). O que os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram é que pelo menos uma parte deles já adotou o “V” como modelo.

 

O PIB industrial cresceu 14,8% no terceiro trimestre deste ano, na comparação aos três meses anteriores, o melhor resultado trimestral na série atual do IBGE, iniciada em 1996. No segundo trimestre, o PIB do setor havia recuado 13% na comparação ao período imediatamente anterior, feito o ajuste sazonal.

 

O avanço não chega a ser uma surpresa para quem acompanhou os resultados das empresas nos últimos meses – e a mediana das estimativas apuradas pelo Valor Data já apontava para crescimento de 14,2%. Depois do auge da crise provocada pela pandemia, as companhias de capital aberto – as que divulgam dados trimestrais – vieram com dados muito fortes no terceiro trimestre.

 

A metodologia do PIB considera como indústria os setores de manufatura e extração, construção civil e energia e gás.

 

Dados compilados pelo Valor Data em meados de novembro já mostravam um desempenho muito superior de um grupo de 318 companhias em relação ao mesmo trimestre do ano passado, ou seja, ainda no pré-pandemia.

 

Esse grupo inclui empresas de serviços, como o varejo e atacado de alimentos, que também cresceram fortemente, mas os motor da recuperação foi a indústria. Nomes como Petrobras, JBS e Vale, as três maiores do país por faturamento, formam um pequeno PIB de quase R$ 200 bilhões no trimestre – as duas últimas, grandes exportadoras, cresceram 34% e 42% no período, impulsionados pela desvalorização do real e pela forte demanda por alimentos e matérias-primas como minério de ferro.

 

Mesmo as empresas da construção civil, surpresa negativa na divulgação de ontem, com uma queda de 7,9%, vieram com balanços bons no terceiro trimestre. As 17 empresas que estão na amostra do Valor Data aumentaram em 25% a receita no período. O setor de máquinas, que costuma demorar para pegar tração depois das crises, cresceu 52% em conjunto. Das nove que estão na amostra, sete faturaram mais.

 

Esse bom desempenho é uma parte da explicação para o avanço de 11% na chamada “formação bruta de capital fixo” (medida do que se investe em máquinas, construção civil e inovação), outro dado expressivo divulgado ontem.


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