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Fila de novos projetos de celulose soma US$ 18 bilhões


Fonte: Valor Econômico (23 de novembro de 2020 )
Farinha, vice-presidente da Pöyry: “Haverá disciplina nisso. A expectativa é que haja algum ajuste no calendário” — Foto: Leonardo Rodrigues/Valor

 

O Paraguai entrou na fila de projetos de celulose, elevando a oito o número de fábricas que já estão em construção ou podem ser instaladas nos próximos anos somente na América do Sul. Ao câmbio atual, os investimentos superam a marca de US$ 18 bilhões, dos quais pouco mais de US$ 10 bilhões no Brasil, e consolidam a região como principal polo produtor da matéria-prima no mundo. Diante de tanta celulose, investidores e produtores iniciaram a corrida por vagas a partir do fim de 2022, motivados pela percepção de que a fila terá de ser reorganizada para evitar sobreoferta e pressão prolongada sobre os preços.

 

De 2021 em diante, considerando-se só projetos sul-americanos, a adição de capacidade em celulose de eucalipto (fibra curta) e solúvel pode chegar a 14,8 milhões de toneladas, o equivalente a 1,3 vez o tamanho atual da Suzano, que é de longe a maior produtora mundial da fibra de eucalipto. Excluídos os projetos de celulose solúvel – da LD Celulose e da Bracell, que na realidade terá uma linha “flex” no interior de São Paulo -, a capacidade adicional seria de 11,5 milhões de toneladas anuais, praticamente uma Suzano e equivalente a um terço do consumo anual de celulose de fibra curta atualmente.

 

 

Além do impacto na oferta, os novos projetos tendem a achatar a curva de preços da celulose, já que os custos de produção serão cada vez mais competitivos. “O crescimento da capacidade de baixo custo continua sendo um dos fatores mais importantes para redução dos preços no longo prazo, ao achatar a curva do custo caixa de produção e reduzir o suporte do custo marginal”, escreveram os analistas Cadu Schmidt, Andreas Bokkenheuser, Mikael Doepel, Wenzhuo Du, Cleve Rueckert e Khalid McCaskill, do UBS, em relatório sobre o pipeline de projetos.

 

O preço da fibra curta na China, principal mercado no mundo, permaneceu abaixo ou no mesmo nível do custo marginal da indústria, estimado entre US$ 450 e US$ 500 por tonelada, por mais de um ano e só recentemente começou a esboçar reação. Na avaliação do vice-presidente da empresa finlandesa de engenharia, serviços e consultoria Pöyry, Carlos Alberto Farinha e Silva, há espaço para alguma recuperação na fibra curta, mas a segunda onda de covid-19 é fator de risco. Em 2020, acrescentou o especialista, a expectativa é de que a demanda incremental de celulose no mundo fique abaixo da marca média de 1,5 milhão de toneladas vista nos últimos anos por causa da pandemia.

 

Entre os que disputam uma janela a partir de 2023 estão a própria Suzano, que ainda está concentrada na redução do endividamento após a fusão com a Fibria, e a Eldorado, que depende do resultado da arbitragem entre as sócias J&F Investimentos e Paper Excellence (PE) para finalmente tirar do papel os planos de expansão em Três Lagoas (MS).

 

No Paraguai, a Paracel, que estreia no setor, já se movimenta para iniciar a operação de uma fábrica na cidade de Concepción no fim de 2022 ou começo de 2023. Conforme o <strong>Valor</strong> apurou, a empresa, que tem como sócios o grupo paraguaio Zapag, que atua na distribuição de combustíveis, e a sueca Girindus Investments, está montando bases em Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS) para garantir o suprimento de madeira. Outra estreante, a Euca Energy, do empresário Gilberto Goellner, quer iniciar operações em Alto Araguaia (MT) no fim de 2023, se houver acordo com potenciais investidores. Segundo fontes do setor, os dois projetos não têm madeira suficiente para garantir a operação e devem no mínimo atrasar.

 

Juntos, esses empreendimentos adicionarão 8,1 milhões de toneladas anuais de capacidade nominal à indústria, dedicada a celulose de eucalipto. “Haverá disciplina nisso. A expectativa é que haja algum ajuste no calendário e a competitividade também vai definir os projetos”, diz Farinha, da Pöyry.

 

A Suzano é dona do projeto mais competitivo do portfólio atual, graças sobretudo à curta distância entre fábrica e floresta, de menos de 60 quilômetros. Segundo o analista Daniel Sasson, do Itaú BBA, a unidade de Ribas do Rio Pardo (MS) teria o menor custo caixa da companhia e seria a mais eficiente que suas 12 linhas de produção atuais. “A Suzano só vai anunciar o projeto se conseguir colocar em pé uma estrutura financeira com desembolsos alongados e que não coloque em risco as notas de crédito”, afirma o analista, que há dez dias publicou a primeira análise sobre o projeto.

 

Com investimento estimado de US$ 3,2 bilhões, a unidade poderia gerar resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) adicional de R$ 3 bilhões a R$ 3,5 bilhões por ano à empresa, pelos cálculos do Itaú BBA. Para o banco, a redução da alavancagem financeira da Suzano, que estava em 4,4 vezes em setembro, deve se acelerar 2021, na esteira de preços melhores da celulose e do impacto mais suave do resultado com derivativos.

 

Antes da brasileira, a Arauco terá iniciado as operações de seu projeto de expansão Mapa, no Chile, no quarto trimestre do ano que vem – inicialmente, a entrada em operação estava programada para o segundo trimestre. A Bracell, do grupo Royal Golden Eagle (RGE), de Cingapura, dará a partida no projeto de expansão da antiga Lwarcel no mesmo período e, nos primeiros meses de operação, a produção vai variar entre celulose solúvel e kraft (de eucalipto).

 

No primeiro trimestre de 2022, a LD Celulose, joint venture entre a austríaca Lenzing e a Duratex, iniciará a produção de 500 mil toneladas por ano de celulose solúvel em Minas Gerais. Toda produção será vendida para a própria Lenzing e usada na fabricação de viscose. No fim do mesmo ano, a finlandesa UPM inicia a operação de uma nova fábrica no Uruguai, com investimento de US$ 2,7 bilhões.


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