CNI: Sete em cada dez empresas retomaram níveis de emprego e faturamento pré-pandemia
Fonte: Valor Econômico (19 de novembro de 2020)
Praticamente três em cada quatro indústrias, o equivalente a 73% delas no Brasil, retomaram o nível de emprego do período anterior à pandemia do coronavírus. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), sete em cada dez empresas também superaram ou voltaram ao mesmo faturamento de antes da crise gerada pela covid-19.
Uma pesquisa realizada pela CNI revela o impacto da pandemia na economia, mas também mostrou estratégias adotadas para superar a crise e as perspectivas para as empresas industriais em 2021. Os dados indicam que 70% dos negócios industriais já retomaram pelo menos o mesmo nível de produção e em 69% deles o faturamento retornou ao observado em fevereiro. As perspectivas para 2021 são de aumento no faturamento em 62% das empresas pesquisadas.
A pesquisa inédita será divulgada na íntegra no 12º Encontro Nacional da Indústria (ENAI).
A pesquisa mostra ainda, segundo a CNI, as estratégias adotadas pela indústria para conseguir atravessar a crise. Quando perguntados quais as duas medidas mais importantes adotadas nos últimos seis meses para acelerar o crescimento do negócio, 40% apontaram para a busca de novos fornecedores no Brasil, enquanto 39% trataram da aquisição de máquinas e equipamentos e 30% se manifestaram sobre a adoção de novas técnicas de gestão da produção ao passo que 20% refletiram sobre o investimento em novos modelos de negócio.
Para 55% dos executivos consultados, o próximo ano será de crescimento econômico e apenas 12% apostam em retração em 2021, enquanto 62% acreditam no aumento do faturamento do seu próprio negócio. Só 9% esperam queda no faturamento. Outros 28% falaram em manutenção.
Com a retomada da produção e do faturamento, 52% das empresas, já registram ao menos a mesma lucratividade de fevereiro — 28% estão com aumento. Mas quase metade dos negócios, um total de 47%, ainda operam com uma margem de lucro menor que antes do início da pandemia. A hipótese é que, mesmo com o aumento no faturamento, as indústrias têm sofrido com a alta das despesas com energia e insumos.
“Vários indicadores mostram que, passado o pior momento da crise sanitária causada pela pandemia da covid-19, a economia brasileira está em claro processo de recuperação”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. “A retração foi grave, com enormes prejuízos às empresas e aos trabalhadores, mas a atividade econômica vem avançando, ainda que aos poucos”, completou. “A questão que se põe, neste momento, é como acelerar essa retomada, adotando medidas para estimular um crescimento mais vigoroso e sustentado ao longo do tempo, com investimentos e criação de empregos.”
Ainda de acordo com dados da pesquisa da CNI, para a ampla maioria dos ouvidos (92%), o governo brasileiro deveria praticar políticas públicas para aumentar a competitividade da indústria nacional. O principal problema financeiro é majoritariamente o pagamento de impostos e tributos, citado por 78% dos executivos como um dos dois principais problemas. Em segundo lugar estão os salários e encargos sociais, com 48%.
Entre os consultados, 43% dos empresários industriais apostam em crescimento da receita em 2020, na comparação com 2019. Mas 37% projetam fechar o ano com receita menor e 19% acreditam que vão empatar com 2019.
A pesquisa da CNI ouviu, por telefone, entre 23 de outubro e 12 de novembro de 2020, executivos de 509 empresas industriais. Dentro de cada Estado, a amostra foi controlada por porte das empresas, apontadas como pequenas, médias e grandes, e pelo setor de atividades delas. A margem de erro no total da amostra é de 4,3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.