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Importações de arroz aumentam, mas de outros países do Mercosul


Fonte: Valor Econômico (11 de novembro de 2020 )

 

As importações brasileiras de arroz aumentaram nos últimos meses, como normalmente acontece nesta época do ano, e complementaram a oferta das indústrias durante esta entressafra marcada por demanda firme e preços domésticos nas alturas. Mas a estratégia do governo de zerar a Tarifa Externa Comum (TEC) para incentivar as compras de países de fora do Mercosul até um limite de 400 mil toneladas até agora surtiu pouco efeito.

 

Depois de romperem a barreira de 100 mil toneladas em setembro, as importações chegaram a quase 148 mil toneladas de arroz em geral (incluindo todas as variedades) em outubro, um patamar raramente observado e que levou o total neste ano a 675 mil toneladas, 6,8% mais que nos dez primeiros meses de 2019. Mas, no bimestre setembro-outubro, 93% do total veio do Mercosul, de onde as compras já não eram tributadas. Isso porque os Estados Unidos concluíram só agora sua colheita e o cereal asiático, disponível e mais barato, não tem a qualidade exigida pelo consumidor brasileiro.

 

Diferentes representantes de indústrias nacionais disseram ao Valor que uma trading trouxe recentemente uma carga de arroz indiano, mas que o produto foi rejeitado. “Pagamos uma reserva para a trading, mas quando o produto chegou não gostamos da qualidade”, contou um executivo. Segundo ele, os brasileiros estão acostumados com grãos brancos e com sabor característico, muito diferente das variedades oferecidas pela Índia. Além disso, o calor no país asiático estimula um expurgo de insetos que deixa um cheiro característico no produto. “Não é possível nem usar esse arroz em farinhas para produção de biscoitos ou derivados”, afirmou a fonte.

 

Outro executivo disse que sua empresa chegou a comprar arroz indiano antes mesmo da liberação da TEC, para testar o produto diante da possibilidade de escassez no mercado doméstico, mas também concluiu que não valia a pena. “Revendemos para companhias que provavelmente fizeram mix para compor arroz de entrada, e não o das marcas consagradas”, afirmou. “O produto tailandês tem qualidade aceitável, mas quando o governo retirou a TEC, estava muito caro”.

 

Marinho Pegorer, diretor de assuntos internacionais da Associação brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz) afirmou que há cereal asiático de boa qualidade, claro, mas que o preço é muito mais elevado – e o câmbio joga contra. “A Índia tem uma produção dez vezes maior que a brasileira. Eles têm produtos de todas as qualidades. A questão é que o melhor é mais caro. Eles têm, por exemplo, um arroz aromático que custa US$ 1,3 mil a tonelada”.

 

Na equação formada por qualidade, oferta e preço, portanto, sobra para as indústrias brasileiras o Mercosul e EUA. O problema é que a atual safra americana ainda está em período de colheita, e para chegar ao Brasil o produto precisará de pousio. “Não bastasse o desenrolar aduaneiro e as questões de contrato entre as empresas, que demoram, se a indústria comprar um arroz recém-colhido precisará esperar até quatro meses para pôr no mercado”, disse uma terceira fonte. Se não for feito o pousio, o arroz cozido fica todo grudado, o que também não agrada aos consumidores.

 

E, embora mais acessível que as alternativas asiáticas de melhor qualidade, também sobre o arroz americanos pesam o dólar e o custo do frete, que tornam a oferta de Paraguai, Uruguai e Argentina mais atraente. O problema é que, dadas as dificuldades de encontrar boas ofertas no exterior, dificilmente os preços cereal doméstico vão cair antes do início da colheita desta safra, em janeiro – como já previa a ministra Tereza Cristina, diga-se de passagem.

 

A saca de 50 quilos ainda é negociada acima de R$ 103,29 pelos arrozeiros do Rio Grande do Sul – Estado que responde por cerca de 70% da produção nacional -, com alta de cerca de 120% no ano. O recorde medido pelo Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) foi R$ 106,34, no dia 13 de outubro. Marinho, da Abiarroz, disse que estão previstas para novembro e dezembro a chegada de 80 mil a 90 mil toneladas de arroz em casca dos EUA, entre 5 mil e 8 mil toneladas de cereal indiano e 25 mil toneladas de arroz beneficiado da Tailândia.

 

“Mas, basicamente, a indústria nacional errou. Exportamos para aproveitar a alta do dólar, mas agora temos que importar com o câmbio mais desfavorável. Vamos ver se não cometemos o mesmo erro em 2020/21”, reconheceu um dos executivos ouvidos pelo Valor.

 

Embora valorizado por uma conjunção formada por quebra de safra, aumento do consumo no início do isolamento social imposto pela pandemia e exportações aquecidas, embaladas pelo câmbio favorável, os agricultores brasileiros não se animaram a aumentar de forma expressiva a área de cultivo e a colheita deverá até recuar na nova temporada, em virtude de uma leve redução prevista para a produtividade das lavouras.

 

Mas, se a queda de 2% prevista pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) se confirmar e a colheita atingir 11 milhões de toneladas, ainda será mais que a demanda doméstica – que deverá permanecer em 10,8 milhões de toneladas, conforme a estatal. É por isso que a atenção do governo e do mercado já se divide entre o desenvolvimento das lavouras no país e as exportações do ano que vem, uma vez que o dólar continua bastante convidativo.

 

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Indústria tenta garantir oferta
Embora não existam contratos futuros de arroz, por falta de um preço de referência, algumas indústrias têm tentado garantir o fornecimento do produto nacional oferecendo serviços aos produtores, como armazenagem e secagem, ou até promovendo uma maior qualificação técnica para o plantio. Outra opção são as Cédulas de Produtor Rural (CPRs), que financiam parte dos agricultores. Vale lembrar que, apesar dos preços recorde do cereal neste ano no mercado doméstico, a maior parte das vendas da safra 2019/20 foi fechada quando as cotações ainda estavam entre R$ 55 e R$ 65 a saca de 50 quilos. “O rizicultor não está tão rico ou capitalizado como parece. Muitos terão que vender logo a produção de 2020/21”, disse um executivo de uma indústria, que preferiu não se identificar. Além de nem todos os produtores terem conseguido negociar parte relevante de sua colheita por preços acima de R$ 100 a saca, como os atuais, o segmento vinha de pelo menos quatro safras de prejuízos. Em, boa medida, esse cenário adverso era sustentado pela falta de elasticidade do consumo interno, situação que mudou nos primeiros meses da pandemia. Com o isolamento social, as compras aumentaram, e logo depois de uma quebra de safra.


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