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Na nova rotina, falta confiança no emprego e no governo


Fonte: Valor Econômico (19 de outubro de 2020 )

A pandemia mudou não apenas a forma de trabalhar dos brasileiros, com a ampliação do modelo home office, mas também a maneira como as famílias consomem e se ajustam à nova realidade. Ao assumirem as tarefas domésticas, total ou parcialmente, os profissionais estão tendo que conciliar esses afazeres com uma jornada de trabalho maior. Além disso, precisam gerenciar essa sobrecarga física com a instabilidade emocional gerada pelo medo de perder o emprego e pela pouca confiança nas políticas públicas.

 

Esses dados fazem parte de uma pesquisa realizada pelo professor da FGV Ebape Marco Tulio Zanini e pela professora Fernanda Delgado, da FGV Energia. O levantamento realizado entre agosto e setembro contou com 600 participantes, sendo 24,5% profissionais liberais, 18,2% executivos, 10,3% empresários, entre outros. Mais da metade são mulheres, com idades entre 35 e 44 anos. “O objetivo foi entender o comportamento das famílias brasileiras em relação às suas ansiedades sobre o mercado de trabalho, os impactos no orçamento doméstico e também como a pandemia tem afetado as rotinas de trabalho”, explica Zanini.

 

Uma das constatações do levantamento é que, embora 74,9% sejam favoráveis ou parcialmente favoráveis ao isolamento social para evitar a contaminação pelo coronavírus, 61,2% disseram que a pandemia causou prejuízo em suas finanças pessoais. O maior motivo, para 63,7% dessa parcela de entrevistados, foi a alta no preço dos alimentos, seguida do aumento do consumo de energia elétrica apontado por 11,6%.

 

Para 80% dos participantes, a pandemia fez com que tivessem que assumir total ou parcialmente as tarefas domésticas, com mais de 60% fazendo mais de três refeições por semana em casa. Mais da metade dos profissionais relataram ainda um aumento no consumo de delivery de restaurantes, farmácias e supermercados. Em média, realizando uma ou duas compras on-line por semana.

 

Por estarem mais em casa, o carro também saiu menos da garagem. Mais de 20% dos entrevistados disseram que antes da pandemia abasteciam seus automóveis em postos de combustíveis duas vezes por semana. Depois do isolamento social, esse percentual de caiu para 3%. “Houve uma redução de 40% no consumo de gasolina nos centros urbanos entre julho e agosto”, explica a professora Fernanda, que é especialista em petropolítica. “O diesel se manteve por conta da continuidade do transporte de cargas, mas o consumo de gasolina só deve se recuperar no fim de 2021”, diz.

 

O ritmo de trabalho na pandemia cresceu, com 42% dos respondentes afirmando estarem trabalhando mais do que antes. “Esse fato somado ao aumento das tarefas domésticas tem pesado mais para as mulheres”, diz. Fernanda. Já a insegurança em relação à permanência no emprego, no entanto, atinge metade de todos os entrevistados.

 

A falta de confiança nas políticas públicas contribui para essa percepção de instabilidade no trabalho. Na pesquisa, 62% disseram estar pouco confiantes nos governos estaduais e federal. E, mais de 70% acreditam que o país vai atravessar esse momento tendo como consequência graves problemas econômicos e sociais.


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