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JBS lança programa “Juntos pela Amazônia”


Fonte: Valor Econômico (24 de setembro de 2020 )

Em resposta à crescente pressão de investidores e consumidores no Brasil e no exterior contra o desmatamento no país, a JBS, líder global em proteínas animais, anunciou nesta quarta-feira a criação do programa “Juntos pela Amazônia”.

 

A iniciativa, que prevê controle total também sobre os fornecedores indiretos de gado no bioma até 2025 — como já acontece com os diretos, segundo a empresa —, contempla ações voltadas ao desenvolvimento da cadeia, à conservação e recuperação de florestas, ao apoio às comunidades e ao desenvolvimento de tecnologias. E contempla, paralelamente, a criação de um fundo para financiar ações e projetos sustentáveis, inicialmente com R$ 250 milhões.

 

“É o reconhecimento de que temos um grande desafio. A população vai continuar a crescer no mundo e terá que ser alimentada de forma sustentável”, disse Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, ao Valor. Segundo ele, já estavam no foco da companhia questões como as mudanças climáticas, a sanidade e a integridade da carne e a saúde dos colaboradores, e o novo programa reforça esses compromissos.

 

Para estender o monitoramento aos fornecedores indiretos na Amazônia, que normalmente são responsáveis pela cria do gado, a JBS lançará mão da plataforma blockchain. Com autorização dos fornecedores diretos, a ideia é ter acesso às Guias de Trânsito Animal (GTA) dos demais, e todos deverão estar na “Plataforma Verde JBS” até 2025.

 

Com imagens de satélites, a companhia já monitora no bioma, há mais de uma década, 50 mil fazendas distribuídas por 45 milhões de hectares. “Temos o maior sistema de monitoramento de fornecedores do mundo. Temos feito muito, mas sabemos que podemos ir além”, afirmou Wesley Batista Filho, presidente da Seara e líder dos negócios da JBS no Brasil, durante o anúncio.

 

“Em 2009, vivíamos um momento parecido com o atual, mas ainda envolvendo os fornecedores diretos. De lá para cá fizemos muitos investimentos e hoje temos um sistema com assertividade próxima a 100%”, afirmou Márcio Nappo, diretor de sustentabilidade da JBS no Brasil.

 

Logo depois de 2009, quando começaram a ser implementados projetos como o Boi na Linha, desenvolvido pela ONG Imaflora com apoio do Ministério Público Federal e participação da indústria da carne, o desmatamento na Amazônia, que se aproximava de 15 mil quilômetros

quadrados por ano, começou a cair e ficou abaixo de 5 mil quilômetros em 2012. Entre 2013 e 2019, porém, o patamar voltou a crescer para entre 6 mil e 7 mil quilômetros quadrados por ano, e em 2019 chegou a 9,5 mil, conforme dados do MPF.

 

Nesse período, lembra Nappo, a JBS bloqueou cerca de 9 mil fornecedores por causa de irregularidades, e a ideia não é perder fontes de matéria-prima. Daí porque um elementos central do novo programa é conseguir o engajamento dos pecuaristas de forma que um número maior possa ser incluído na cadeia produtiva, e não excluído.

 

Para tal, a empresa se compromete a oferecer não só assistência técnica, agropecuária e ambiental aos fornecedores, mas também jurídica. A “bala de prata”, segundo Nappo, é o aumento da produtividade que virá com esse apoio. Outro ponto de destaque, disse, é que a companhia vai disponibilizar aos interessados, inclusive outros frigoríficos, o know how que já desenvolveu no monitoramento de seus fornecedores.

 

Para o novo “Fundo JBS pela Amazônia”, os planos também são ambiciosos. Ele será criado com R$ 250 milhões a serem aportados pela companhia, será presidido por Joanita Maestri Karoleski, ex-CEO da Seara, auditado pela KPMG e terá com três conselhos: de administração, consultivo e fiscal. No consultivo estão confirmadas as participações de Alessandro Carlucci (BSR), André Guimarães (Ipam), Caio Magri (Ethos), Carlos Nobre (IEA/USP), Fábio Feldman (ambientalista), Marcello Brito (Abag), Marina Grossi (Cebds), Noël Prioux (Carrefour), Raul Padilla (Bunge), Ronaldo Iabrudi (GPA) e Teresa Vendramini (SRB).

 

A meta é que, com recursos de terceiros, o fundo alcance R$ 1 bilhão até 2030. Para estimular a participação de investidores, a JBS afirma que colocará R$ 1 para cada R$ 1 doado, até o limite de R$ 500 milhões.

 

No segundo trimestre, a JBS, que tem operações em diversos países, incluindo EUA e Austrália, teve lucro líquido de R$ 3,4 bilhões, 54,8% maior que o do mesmo período de 2019. Mas encerrou o primeiro semestre com prejuízo de R$ 2,5 bilhões, influenciado pela variação cambial do primeiro trimestre. De janeiro a junho, sua receita líquida global foi de R$ 124,1 bilhões.

 

Com o novo programa “Juntos pela Amazônia”, a JBS se torna o segundo grande frigorífico do país a se comprometer a zerar o desmatamento na Amazônia, inclusive a de fornecedores indiretos, até 2025. O primeiro foi a Marfrig, que anunciou em julho planos na mesma direção.

 

O Greenpeace, uma das primeiras ONGs a chamarem a atenção para a participação da pecuária no desmatamento da Amazônia, recebeu o programa da JBS com ceticismo, da mesma forma que aconteceu com o da Marfrig.

 

“Em 2009, a JBS já prometia resolver o problema em dois anos. Uma década depois do rompimento da promessa, a JBS se dá ao luxo de estender por mais cinco anos a obrigação de mapear sua cadeia de fornecedores na tentativa de apaziguar seus investidores. (…) O mundo não tem esse tempo! A Amazônia e outros biomas insubstituíveis, como o Pantanal e o Cerrado, já estarão torrados”, afirmou a ONG, em nota.


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