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Maior parte das empresas deve manter quadros até dezembro


Fonte: Valor Econômico (10 de setembro de 2020 )

Embora alguns empregadores brasileiros tenham afirmado que vão reduzir em 17% seus quadros até o fim do ano, 67% afirmaram ter a intenção de manter o número de funcionários e 11% disseram até que irão contratar novos empregados. “Parece que batemos no fundo do poço mas começamos a sair rápido, mesmo estando longe dos índices pré-pandemia”, diz Nilson Pereira, CEO da empresa de recursos humanos ManpowerGroup para o Brasil.

 

Os dados fazem parte de um levantamento que ouviu 607 empregadores brasileiros, de empresas de diversos portes, em cinco regiões do país. A pesquisa, realizada em julho, mostra que houve uma melhora de 11 pontos percentuais na expectativa de contratações para o último trimestre na comparação com o trimestre anterior, apesar de a expectativa de contratação para o quarto trimestre ainda ser negativa (-3%).

 

“Alguns setores começam a ver uma luz no fim do túnel”, afirma Pereira. Os segmentos financeiro, de seguros e imobiliário, segundo os empregadores, têm a perspectiva de aumentar em 12% o quadro de funcionários até o fim do ano, seguidos pelos de serviços (3%) e transporte (2%) e serviços públicos (2%). Já o comércio atacadista e varejista, que geralmente contrata mais nesse período, tem a perspectiva de reduzir em 16% o número de funcionários no último trimestre de 2020. Outros setores pessimistas são os de administração pública (-9) e educação (-9%), que registrou a perspectiva mais fraca desde o início do levantamento em 2009.

 

Empresas menores, com até 49 empregados, estão sofrendo mais com a crise. Nelas, os empregadores afirmam ter a intenção de reduzir em 16% seus quadros até o fim do ano. Enquanto nas companhias médias, com até 249 funcionários, esse percentual chega a 1%. Entre as grandes, com mais de 250 empregados, o cenário é bem mais otimista, com os executivos projetando aumentar em 13% as contratações no último trimestre.

 

O levantamento analisou também as intenções dos empregadores por regiões. Entre as mais otimistas, se destaca o estado do Paraná, onde há a perspectiva de aumentar em 2% o número de contratações até o fim de dezembro. Minas Gerais foi o estado que obteve o maior crescimento em relação ao trimestre anterior, de 15 pontos percentuais, deixando nula a perspectiva de contratação ou redução para o último trimestre.“O Paraná foi beneficiado pelo agronegócio e pelo preço das commodities que ganharam nas exportações com a desvalorização do real”, diz Pereira. Em Minas, o mesmo efeito pôde ser observado na exportação de minério de ferro.

 

A pior perspectiva de contratações no último trimestre foi relatada no estado do Rio de Janeiro, onde os empregadores preveem uma redução de 12% em seus quadros até o fim do ano. “É bom lembrar que, paralelamente à pandemia, o estado já vinha sofrendo com a queda no preço do petróleo”, afirma Pereira. Na cidade de São Paulo, foi indicada uma redução da expectativa líquida de emprego de 8%.

 

Globalmente, a pesquisa ouviu 38 mil empregadores de 43 países. A expectativa de aumento nas contratações até o fim de dezembro foi relatada em 22 países. Já em 16 países, a previsão é de uma redução na força de trabalho e em outros 5 a estimativa é de um mercado sem alterações. O ritmo mais forte de contratações no último trimestre é esperado em Taiwan (20%), Estados Unidos (14%), Turquia (10%), Japão (9%) e Grécia (8%), enquanto o mais fraco deve acontecer no Panamá (-18%), Costa Rica (-16%), África do Sul (13%) e Colômbia (-11%). Nas Américas, os empregos devem crescer mais nos Estados Unidos e no Canadá. O Brasil está na 33ª posição no ranking global. “Estamos no meio do caminho. Não estamos entre os países mais otimistas em relação a contratações, mas também não estamos entre os mais pessimistas”.


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